O avanço do livre comércio

Um importante instrumento da recolonização imperialista são os acordos de livre comércio, cujo objetivo é remover as fronteiras econômicas entre os países e os EUA, que sozinhos têm 77% do PIB de todo o continente. O mais importante desses acordos é Alca, que abrangeria todos os países, exceto Cuba. Sua implementação significaria a transformação dos países latino-americanos em colônias dos EUA, com comércio, serviços e patentes sendo controlados pelo imperialismo.

Hoje, no entanto, esse projeto passa por uma crise. A Alca deveria entrar em vigor a partir de 2005, segundo os planos dos EUA. Mas isso não ocorreu por duas razões fundamentais. A primeira é o cenário de resistência e revoluções no continente, onde a consciência antiimperialista ganhou impulso. A segunda são os conflitos de interesses entre os países imperialistas e as classes dominantes nos EUA. 
Atualmente existe um conflito entre os EUA e a União Européia, que tem acordo em promover uma maior abertura de seus mercados, mas não querem deixar de fornecer milionários subsídios aos seus agricultores. Produtores norte-americanos também se recusam a deixar os seus subsídios para abrir seus mercados para produtos agrícolas de países como Brasil e Argentina.

Assim, os problemas nas negociações da Alca têm pouco a ver com a suposta postura “soberana” dos governos Lula e Kirchner, como quer fazer crer a esquerda reformista. Longe de defender a soberania, esses governos seguem nas negociações da Alca defendendo os produtores rurais de seus países.

O atraso no cronograma não significa que a Alca está enterrada. Diante do revés temporário, Bush adota novas táticas para atingir seus objetivos colonialistas. O principal instrumento são os famigerados tratados bilaterais ou sub-regionais de livre comércio, conhecidos como TLC’s, onde os países renunciam a qualquer tipo de regulação na legislação do trabalho, na exploração do meio ambiente e no uso dos seus recursos naturais. Este ano Bush assinou TLC’s com El Salvador, Honduras, Nicarágua, Guatemala, República Dominicana, Colômbia e Peru.

Há planos para implementar acordos desse tipo em outros países, mas o imperialismo está encontrando muitas dificuldades. O TLC Andino, por exemplo, enfrenta sérios problemas em decorrência dos protestos na Bolívia. E, na Costa Rica, uma onda de protesto impediu a entrada em vigor do TLC. <
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