Novo Mínimo de Lula reafirma compromisso com FMI

Após um período de brutal arrocho e cortes de gastos, e o conseqüente anúncio de superávit recorde, o governo Lula surpreende mais uma vez com a divulgação do novo valor do salário mínimo. Depois de inúmeras reuniões ministeriais, Lula decidiu “aumentar” o mínimo para R$260, valor que representa reajuste real de apenas 1,2% dos salários, considerando a inflação dos últimos 13 meses. Segundo o IBGE a renda dos trabalhadores caiu, nesse período, 2,4%.

Nesses quatro meses o governo intensificou ainda mais seus esforços para garantir o pagamento em dia dos juros da dívida externa. Depois de elevar, por iniciativa própria, a meta de superávit (recursos que o governo economiza para pagar juros) de 3,75% para 4,25%, ano passado, o governo Lula se superou e fechou esse trimestre com uma economia de 5,41% do PIB. Sem que o FMI exigisse, Lula deixou de investir R$6 bilhões. Enquanto isso, os índices sociais do país só pioram. O desemprego atingiu 12,8 % da população trabalhadora em março, ou seja, cerca de 2,7 milhões de pessoas perderam seu emprego por causa da política neoliberal do governo.

Nem todos estão tristes

A política ultraliberal de Lula anda arrancando rasgados elogios de representantes do capital financeiro internacional. Logo após o anúncio do resultado do superávit, o Subsecretário do Tesouro norte-americano, John Taylor, teceu longos elogios à austeridade fiscal do governo Lula, durante a reunião da Câmara do Comércio Brasil-EUA, em Nova Iorque. A Confederação Nacional da Indústria, assim como a Fiesp, também elogiou a atitude “responsável” do governo. Embora tenha ensaiado uma crítica ao ridículo aumento do mínimo, o presidente da CUT, Luiz Marinho, logo saiu em defesa de Lula. Para Marinho, a promessa de Lula de dobrar o valor do salário mínimo, durante o mandato, não seria possível devido à herança maldita da gestão FHC. Nenhuma palavra sobre o arrocho que o governo impôs ao país nesses 15 meses de governo.

Cinismo do governo: mais uma vez, a culpa é dos aposentados

O Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não economizou no cinismo e chegou a declarar, em entrevista à CBN, que “a decisão do governo foi positiva no sentido de dar ao trabalhador o ganho necessário para atender às necessidades básicas de sua família”. O presidente Lula, por sua vez, reconheceu o aumento insuficiente, mas pôs a culpa nos aposentados. Durante seu programa quinzenal de rádio, “Café com o presidente”, no último dia 3, Lula afirmou que “um reajuste maior seria total irresponsabilidade”, referindo-se ao suposto rombo da previdência, um fictício bode expiatório para inúmeras medidas impopulares do governo.

Desta forma, o governo Lula reafirma seu compromisso com os interesses dos especuladores internacionais e do FMI, cumprindo com folga e louvor todas as metas estabelecidas. Mesmo que pra isso tenha que jogar milhões de trabalhadores na rua, e impor o arrocho aos que ainda mantêm seu emprego.