Nota do PSTU sobre pedofilia em Bauru (SP)

Nosso partido tomou conhecimento nesta semana, pela imprensa, das graves acusações de pedofilia contra Sandro Fernandes, advogado de Bauru (SP) e ex-militante do PSTU. Desde então, nossa repulsa e nojo só têm aumentado diante de cada nova e terrível revelação feita pelos quatro familiares, incluindo sua filha e seu filho, este com apenas nove anos.

Os detalhes relatados pelas crianças e jovens atacadas pelo advogado não deixam margem para dúvida: estamos diante de um pedófilo que, como tal, deve ser exemplarmente punido, como autor de um crime covarde e sórdido, cometido contra crianças que não têm como se defender.

Antes de mais nada, queremos levar a nossa solidariedade a estas crianças que tiveram suas vidas marcadas de forma permanente. Queremos ainda destacar e elogiar a coragem que tiveram, rompendo com o silêncio familiar e a hipocrisia.

Em relação a Sandro Fernandes, exigimos a investigação e punição exemplar por seus crimes. De imediato, nos somamos ao pedido de prisão preventiva, ainda mais após sua ausência no depoimento previsto para esta quinta-feira, 29 de setembro. Não é possível que ele circule por aí, escolhendo a hora em que vai dar seu depoimento e com o risco permanente de fuga. Além disso, acreditamos que é necessário uma campanha permanente para impedir que a impunidade prevaleça, depois que o caso deixe as páginas dos jornais.

Sandro Fernandes foi militante do PSTU até novembro de 2008, tendo sido candidato a prefeito e vereador na cidade. Há três anos não é militante. Lamentamos profundamente que um dia tenha feito parte de nosso partido.

Nestes anos, nada em seu comportamento ou atitudes despertou desconfianças ou suspeitas. Também fomos enganados pelo comportamento público de Sandro. Caso tivéssemos suspeitas ou denúncias como as que foram feitas, nosso partido seria o primeiro a tornar o caso público e denunciar o advogado, sem conivência ou acobertamento de qualquer natureza.

Todos os que conhecem nosso partido e sua vida interna sabem da seriedade e firmeza com que tratamos este tipo de questão. Dedicamos parte significativa de nossa atuação, nossos debates internos e formação política ao combate ao machismo, homofobia, racismo e qualquer outro tipo de opressão. E temos um funcionamento que visa coibir e punir (com a expulsão, por exemplo), comportamentos desse tipo.

Temos esta prática porque acreditamos que não é possível ter militantes que lutem pela transformação do coletivo e, individualmente, oprimam e se aproveitem de outras pessoas. Consideramos inaceitável a presença de machistas, racistas e homofóbicos em nosso partido. Muito menos, de pedófilos.

Em todo o mundo, os casos de pedofilia, de ataques sexuais e de violência contra crianças e mulheres tomam uma dimensão de barbárie social. Temos de ser implacáveis no combate a pedofilia, combatendo a impunidade. Essa luta, assim como o combate à toda forma de opressão, não é uma tarefa para um futuro socialista, mas para agora.

Esse lamentável episódio é ainda mais uma demonstração da acelerada degradação das relações humanas, que deixa as crianças expostas a uma sociedade cada vez mais doentia nesta fase de decadência do capitalismo. Tudo isso reforça a necessidade de mantermos viva a luta por uma sociedade igualitária, sem exploração, que aponte um futuro para nossas crianças. Que impeça a barbárie.

29 de setembro de 2011

Direção Nacional do PSTU
Direção do PSTU-Bauru