Nota da CSP-Conlutas em resposta à direção da CUT

Unidade na luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores

Dia 24 de abril vamos todos a Brasília!

A direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) divulgou no dia de hoje, 22 de março, para todos os sindicatos a ela filiados, nota assinada pelo seu presidente e pelo secretário geral da entidade, na qual criticam a CSP-Conlutas e a marcha a Brasília do dia 24 de abril, que estamos organizando juntamente com outras organizações. Afirma a nota que a nossa marcha teria como objetivo atacar a CUT e que concorreria para enfraquecer mobilizações em curso, chegando a afirmar que ao defender a anulação da reforma da previdência de 2003, a marcha estaria a serviço de interesses partidários e não dos trabalhadores.

Não podemos falar por todas as entidades que estão organizando a marcha, muitas delas, inclusive, filiadas à CUT. Mas não podemos deixar de externar uma opinião da CSP-Conlutas acerca desta nota. Uma opinião breve, pois ao contrário do que diz a nota dos companheiros, não estamos envolvidos em uma disputa com a CUT. O que estamos fazendo, e é isto que queremos continuar a fazer, é buscando unir todos os setores da nossa classe que queiram lutar em defesa de suas reivindicações para, justamente, fortalecer esta luta. Uma simples leitura do manifesto de convocação da marcha e da plataforma política unitária da mesma não vai deixar lugar a dúvidas.

A luta pela anulação da reforma da previdência de 2003 – que foi aprovada na base da compra de votos de deputados e senadores no Congresso Nacional – não tem, em nossa opinião, objetivo “meramente político-partidário”. Trata-se da defesa dos direitos dos cerca de 8 milhões de servidores públicos brasileiros que foram surrupiados com esta reforma. Servidores, aliás, cuja ampla maioria é representada por sindicatos filiados à CUT.

Talvez o interesse político-partidário esteja justamente no oposto: não defender os interesses desses milhões de servidores para defender dirigentes partidários envolvidos em denúncia de corrupção. Vamos sim defender a anulação da reforma da previdência, nas ruas de Brasília no dia 24, nos locais de trabalho e, sim, também no STF, já que foi este tribunal que estabeleceu a relação entre a aprovação da reforma em 2003 e a compra de votos de parlamentares. Iremos a todos os lugares que for preciso para defender os interesses da nossa classe.

Da mesma forma como temos uma opinião diferente da direção da CUT quando esta faz acordo com o governo para trocar o Fator Previdenciário pela Fórmula 85/95. Sabemos todos que esta fórmula mantém perdas importantes para os trabalhadores, se comparada com a legislação anterior. Aprendemos em nossa história, aliás, comum a muitos lutadores da CUT, que não lutamos para “perder menos”. Lutamos para não perder. E seria muito positivo se tivéssemos toda a CUT lutando conosco contra estes ataques à aposentadoria dos trabalhadores (Fator Previdenciário, Fórmula 85/95, Fórmula 95/105, etc.).

Também pensamos diferente dos dirigentes da CUT que fazem a defesa do anteprojeto de lei que cria o Acordo Coletivo Especial (ACE), pois em nossa opinião este anteprojeto, se aprovado, levaria a mais flexibilização dos direitos dos trabalhadores. E acreditamos que uma central que representa trabalhadores não pode se calar ante o crime que este governo pratica contra a reforma agrária no Brasil. Ocorre que a direção da CUT está colocando a defesa que faz do governo e, consequentemente, da sua política econômica, acima da defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores.

No entanto, mesmo com todas estas diferenças com a direção da CUT respeitamos o esforço dos companheiros com a marcha do dia 6 de março, e em momento nenhum trabalhamos para desconstruí-la. Infelizmente não é essa a compreensão dos dirigentes de uma das maiores centrais sindicais do país. Ao invés de criticar o governo pelas políticas econômicas que tem praticado e pelos prejuízos que esta política tem trazido aos trabalhadores, criticam a mobilização dos trabalhadores que busca enfrentar esta política.

Por último, não podemos deixar de fazer duas afirmações antes de terminar esta resposta: a primeira é que a construção da marcha está firme e forte. E este processo vai se fortalecer ainda mais, com a participação de mais e mais entidades e movimentos. Teremos em Brasília dezenas de milhares de trabalhadores protestando e defendendo suas reivindicações no dia 24 de abril.

A segunda é que seguimos firmes na defesa da unidade de todos na luta. Frente à nota da direção da CUT reafirmamos que queremos todos juntos na luta dia 24 de abril nas ruas de Brasília. Para além dos setores da CUT que já estão participando da construção da marcha, seria muito bom se toda a central, inclusive a sua direção, também o fizesse. Estaríamos mais fortes ainda para defender os interesses dos trabalhadores brasileiros. E serão todos muito bem vindos.