Nos estados, PSTU sai fortalecido das reuniões

Pará
Cleber Rabelo, candidato do PSTU ao governo, e Ailson Cunha, candidato a deputado federal, ambos operários da construção civil, fizeram campanha nos principais canteiros de obra da região metropolitana de Belém. Nas assembléias da campanha salarial sempre havia discussões políticas sobre a importância de não votar nos candidatos do patrão. Aos poucos os operários da base passaram a se incorporar à campanha, sendo difícil conter a empolgação.

Nas reuniões do comitê operário 50 trabalhadores filiaram-se ao partido. Além disso, durante o processo eleitoral 150 se dispuseram a ajudar na campanha e 1.500 assinaram o manifesto em apoio às candidaturas do PSTU, mostrando a grande receptividade das candidaturas na categoria.
Outro aspecto vitorioso foi a campanha nos bairros e cidades do interior do estado. Foram cobertos mais de 10 bairros operários e também em torno de 10 cidades do interior do estado.

Um bom momento da campanha foi a participação de Cleber Rabelo no debate da Record, o que levou alguns jornais a classificá-lo como o destaque no evento.
Após o debate, trabalhadores de várias categorias declaravam voto em Cleber e no PSTU, muitos dos quais saíram em defesa do candidato quando a Rede Globo o deixou fora do seu debate. De fato, o melhor resultado desta eleição é a consolidação de Cleber como uma nova liderança de esquerda no Pará, e como o símbolo das lutas sindicais e dos movimentos populares paraenses, o que ficou expresso no apoio de movimentos como o MTL e o MTST ao PSTU.

São José dos Campos
Em São José dos Campos (SP), região do Vale do Paraíba, a campanha do PSTU transbordou as bases das categorias e atingiu os bairros daquela importante cidade industrial. “Fizemos uma boa campanha e também algo que nunca tínhamos feito aqui, que é a campanha nos bairros”, avalia Toninho Ferreira, que disputou como candidato a deputado federal.

O perfil classista da campanha do PSTU concorreu nas ruas com as candidaturas milionárias da burguesia. Na General Motors, principal fábrica da região, a candidatura de Renato Luiz Bento, o Renatão, a deputado, denunciou o alucinante ritmo de trabalho e os conseqüente aumento das doenças ocupacionais. Isso enquanto a empresa goza de inúmeros benefícios fiscais do governo.

Já no Pinheirinho, uma das maiores ocupações urbanas da América Latina, a campanha do dirigente popular Marrom a deputado estadual mobilizou moradores e ativistas. Denunciando a falta de moradias, a candidatura de Marrom focou a necessidade de um amplo plano de obras públicas e da reforma urbana. Ativistas e apoiadores percorreram os bairros divulgando a candidatura.

O PSTU realizou ainda uma campanha de filiação durante a campanha e, só na ocupação do Pinheirinho, reuniu mais de 200 novos filiados, além de ter aproximado novos ativistas na cidade.
“A militância sai dessa campanha de cabeça erguida, animada e com a convicção de que avançamos em nosso projeto socialista”, finaliza Toninho.

Ceará
A campanha no Ceará recebeu um grande apoio dos trabalhadores nos canteiros de obra, nas garagens de ônibus, nas portas de fábricas e nas escolas. “Isso é o que nos dá a certeza de nosso balanço positivo, porque a partir de amanhã nós vamos estar na luta em cada um desses locais de trabalho pra defender o direito de nossa classe e o que a gente fez até agora é o que nos vai dar autoridade pra fazer isso”, explicou Gonzaga, candidato ao governador.

“Essa foi uma das melhores campanhas eleitorais que já fizemos”, falou Raquel Dias, uma das candidaturas ao senado pelo PSTU cearense. “Fizemos uma excelente campanha. Nós saímos dessas eleições com o sentimento de dever cumprido. Apesar de todo o boicote da grande mídia aos nossos candidatos, nós conseguimos apresentar junto aos trabalhadores e às trabalhadoras, uma alternativa aos candidatos dos grandes partidos burgueses.”

Em sua avaliação, Nivânia Amâncio, candidata a vice governadora, valorizou as atividades nos bairros populares e nas casas de nossos companheiros: “Foram cinco caminhadas onde a gente congregou operários, professores, rodoviários. Realizamos os chás da tarde nas casas dos professores nos bairros que foi outra atividade muito importante pra nós”. E arrematou: “O dia 3 de outubro chegou ao fim e amanhã é preciso continuar lutando por uma sociedade socialista, por uma sociedade diferente dessa que tá aí”.

Sergipe
“Hoje o tratamento que recebemos no estado é outro. As pessoas podem até não concordar, mas reconhecem que o que dizemos faz sentido”. Com essas palavras, Vera Lúcia descreve o saldo político com o qual o PSTU sai das eleições em Sergipe como uma importante referência política de esquerda.

Sem dúvidas, o partido não sai destas eleições do mesmo jeito que entrou. Sai mais forte, com novos militantes dispostos a construir uma nova sociedade, sai com mais respeito. As atividades que deixavam as sedes lotadas foram o termômetro da empolgação dos apoiadores. O partido sai também com novas figuras públicas. Esse é o caso da servidora da saúde, Lourdinha, candidata de primeira viagem ao Senado. Também se saiu bem o estreante Zeca Oliveira, estudante e servidor público, que concorreu à Câmara Federal.

“Saímos com a sensação de dever cumprido. Conseguimos defender um programa consequente para a nossa classe. Um programa classista e socialista”, lembra o petroleiro Toeta. Os trabalhadores da Petrobras, aliás, foram uns dos principais apoiadores da campanha. “Se não fosse a ajuda, inclusive financeira dos companheiros, o nosso resultado não seria o mesmo”, agradece o também petroleiro Leandro, candidato a senador.

“Não foram poucas as dificuldades que enfrentamos. A disputa contra o aparato da imprensa, contra a grande máquina do poder financeiro foram os maiores desafios”, enumera Vera Lúcia. A candidata foi boicotada pela imprensa. Não foi convidada para os principais debates, também foi subestimada nos noticiários televisivos por conta de seus ataques ferrenhos ao papel vergonhoso da mídia.
Os lutadores que viram o PT abandonar bandeiras históricas da classe trabalhadora hoje sabem que em Sergipe, os trabalhadores têm um partido.

Rio de Janeiro
O partido realizou uma bonita e aguerrida campanha no Rio. Mantendo nossa independência política, não recebemos um centavo em doações de empresas ou empresários.

Sofremos um duro boicote da grande imprensa. No único debate que o partido foi convidado a participar (na Rede Record), fomos indelicadamente “desconvidados’’ momentos antes da realização por pressão da turma de Sérgio Cabral.

Nossa campanha, como não poderia deixar de ser, procurou ser um ponto de apoio às lutas dos trabalhadores. Visitamos fábricas, agências bancárias, escolas, faculdades, presentes em diversas lutas como dos petroleiros, bancários e metalúrgicos; dos profissionais de educação e serventuários da justiça; dos servidores do INCA e demais trabalhadores da saúde, entre tantas outras.

Em petroleiros, por exemplo, lançamos um manifesto com quase 200 assinaturas da base da categoria. A campanha foi realizada entre os petroleiros da REDUC, do EDISE e em Macaé. As candidaturas de Buca para federal e Clayton, para o senado, com certeza fortaleceram a campanha “o petróleo tem que ser nosso, por uma Petrobrás 100% estatal’’.

Nossos candidatos se posicionaram contra a instalação das Unidades Pacificadoras da Polícia, denunciando o problema da segurança como um problema social.
Em metalúrgicos denunciamos as péssimas condições de trabalho e salários que estão submetidos os trabalhadores dos estaleiros, das montadoras do sul fluminense e das siderúrgicas como a CSN – exigimos a reestatização da siderúrgica. Em comerciários defendemos o fim do trabalho aos domingos e feriados.

Cada voto confiado em nossas candidaturas foi mais um voto contra os desgovernos Lula-Cabral-Paes, contra a direita e as oligarquias. Foi mais um voto no fortalecimento das lutas e da oposição de esquerda e socialista.

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