Nos estados, campanha prioriza as bases operárias

Candidaturas do PSTU buscam atingir os grandes centros operários em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas GeraisEles não aparecem no Jornal Nacional, não contam com financiamentos milionários nem com a estrutura do governo. São os candidatos do PSTU nos estados, trabalhadores cujas campanhas buscam as bases dos próprios trabalhadores.

Um metalúrgico para o governo de São Paulo
Em São Paulo, a candidatura do metalúrgico Luiz Carlos Prates, o Mancha, enfrenta as campanhas milionárias de Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT). Mancha é o único candidato operário no estado mais industrializado do país, governado pelos tucanos há 16 anos. Apesar de ser o estado mais rico, os paulistas enfrentam os mesmos problemas dos operários do resto do país: desemprego, baixos salários e serviços públicos precários.

“Nossa campanha acontece no estado que foi linha de frente na privatização das estatais, como nos casos do Banespa e da Eletropaulo, onde entregaram o patrimônio para fazer superávit”, denuncia Mancha. “Quem paga por isso é o povo, que sofre com hospitais e escolas precárias, além do funcionalismo público”, afirma.

Mancha explica ainda que a sua campanha, assim como as demais candidaturas do PSTU, se dá com a militância nas ruas e nas portas das fábricas, em contato direto com os operários. “Temos tido uma boa recepção por parte dos trabalhadores”.

Mesmo com todo o boicote da imprensa, as candidaturas do PSTU ao Senado tiveram impressionante destaque nas últimas pesquisas. A servidora Ana Luiza conta com 5% das intenções de voto, enquanto o bancário Dirceu Travesso pontua com 2%.

Campanha forte no interior
A campanha do PSTU em São Paulo tem destaque na região de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, com candidaturas como a do ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos Toninho Ferreira para deputado federal e de Renatão, metalúrgico da GM, para deputado estadual. Na ocupação urbana do Pinheirinho, segue forte a candidatura de Marrom. Os moradores de uma das maiores ocupações da América Latina aprovaram em assembleia o apoio às candidaturas do líder comunitário, além de Zé Maria presidente e Mancha governador.

Na região de Campinas, a campanha tem destaque na cidade de Cosmópolis, que conta com grande presença de trabalhadores terceirizados da Petrobras. A campanha também segue forte na região do ABC, centro industrial do país, nas indústrias químicas de Osasco, além do interior do estado, como na região de Ribeirão Preto.

No Rio, em defesa do petróleo, contra a repressão
Enquanto a grande imprensa destaca as candidaturas de Sérgio Cabral (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) ao governo do estado, o PSTU faz uma campanha socialista nas estruturas operárias e em importantes categorias como petroleiros.

“Nossa campanha prioriza o setor operário, como a base dos petroleiros nas refinarias em Macaé, ou entre os trabalhadores da CSN em Volta Redonda, estamos presentes com nossas candidaturas em Porto Amaral, Rezende e também em categorias como professores e bancários”, explica o candidato do PSTU ao governo do Rio, Cyro Garcia. A campanha também move a juventude, principalmente nas universidades públicas.

Mesmo enfrentando o boicote da mídia, a campanha tem tido importante repercussão no estado. Cyro chegou a aparecer com 3% na pesquisa de intenção de voto do instituto Datafolha. “Na média das pesquisas, nossa candidatura aparece com média de 2% a 3%, o que mostra um importante espaço que podemos ocupar”.

Defesa do petróleo e contra a repressão
O governo Cabral deixou o estado em ruína em vários aspectos, o que fragilizou o final de seu mandato. “Temos aqui o segundo pior resultado na educação, ficando só atrás do Piauí, além de uma política genocida de criminalização e extermínio contra a população pobre”, destaca Cyro. A campanha também se centra na defesa do “petróleo é nosso”, contando até com um manifesto de apoio dos petroleiros às candidaturas.
“Nossa campanha é de denúncia contra tudo isso, mas também é de propostas para a solução desses problemas, sob uma perspectiva socialista”, conta Cyro.

Minas para os trabalhadores
Sob o slogan “Minas para os Trabalhadores”, Vanessa Portugal vem percorrendo todo o estado, defendendo que as riquezas fiquem com os trabalhadores, em vez de servir para aumentar os lucros das grandes empresas ali instaladas.

Vanessa está em terceiro lugar nas pesquisas, com 6% em Belo Horizonte, 3,5% na região metropolitana e 2% no estado. O destaque da campanha é a receptividade entre os trabalhadores e a juventude, em particular no setor metalúrgico, na mineração, entre os servidores públicos, aposentados e estudantes.

A candidata percorreu as principais fábricas do estado, como a Mahle de Itajubá, a Liasa de Pirapora, a Gerdau de Ouro Branco, a V&M e a Belgo de Contagem. Nessas empresas, tanto Vanessa como os candidatos a deputado Giba, Batata, Viola e Aldiério estão sendo vistos como representantes dos trabalhadores nestas eleições.

Na mineração, a campanha ganha força entre os trabalhadores da Vale e da CSN. Foram inaugurados dois comitês de campanha, um em Mariana e outro em Congonhas, com a presença de 40 trabalhadores cada um. Agora começam as visitas nos bairros, organizadas pelos apoiadores de Valério, que é trabalhador da Vale, presidente do Sindicato Metabase Inconfidentes e candidato a deputado federal.

Os candidatos ao Senado Efraim e Zé João já concederam diversas entrevistas a jornais, rádios e emissoras de TV, se apresentando como alternativa a Aécio Neves, Itamar Franco e Fernando Pimentel.

Várias entidades definiram apoio a Vanessa. Recentemente, ela e Zé Maria participaram de manifestação dos aposentados contra o fator previdenciário e receberam o apoio de lideranças do setor.

Entre os estudantes e a juventude, vem crescendo a campanha de Mariah a deputada estadual. A jovem militante está fazendo festas, debates e panfletagens, e agora espera ampliar sua candidatura com o programa de TV.

*colaborou Hermano Melo, de Minas Gerais

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