No Congresso da Conlutas, reafirmar uma estratégia socialista

Uma das resoluções mais importantes que deve ser discutida será em relação à estratégia que deve nortear a ação da Conlutas. É necessário, mais do que nunca, reafirmar uma estratégia socialista.

Essa necessidade parte do fato de o capitalismo, hoje, não ser capaz de garantir sequer o atendimento das mais básicas necessidades dos trabalhadores. Assim, partindo das lutas e reivindicações concretas dos trabalhadores e da juventude, a tarefa da Conlutas deve apontar a necessidade do socialismo. Isso não significa secundarizar as reivindicações mínimas, pelo contrário.

A Conlutas deve encabeçar as mobilizações por mais mínimas e imediatas que pareçam. Deve indicar, no entanto, que, nos marcos do capitalismo, é impossível garantir saúde, educação, emprego e demais direitos. Desta forma, todas as vitórias dos trabalhadores dentro desse sistema é uma vitória parcial. Uma vitória salarial, por exemplo, é logo corroída pela inflação. Direitos sociais são logo revertidos através de ataques dos governos.

A luta pelo socialismo, portanto, é também uma tarefa das organizações sindicais, assim como dos movimentos sociais e populares. Manter-se nos marcos do capitalismo leva a um sindicalismo corporativista e reformista. Leva a um tipo de prática que não é sequer capaz de garantir as vitórias parciais.

Primeira tarefa: fortalecer a Conlutas
Em primeiro lugar, seguir fortalecendo a Conlutas. Esse é o conteúdo da proposta de resolução que a diretoria da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais (FSDM) levará ao Congresso. Tal princípio também foi aprovado no Seminário Sindical Nacional da Conlutas. A orientação parte da necessidade da construção de uma alternativa de luta para os trabalhadores. A crise econômica que se avizinha e a alta nos alimentos que corrói os salários torna isso mais urgente.

Essa tarefa, contudo, não significa que estará fechado o processo de reorganização. Tal processo seguirá com o fortalecimento da Conlutas. O projeto da Conlutas não está pronto e acabado. Apesar de ser o pólo mais dinâmico da reorganização, a entidade ainda é minoritária entre os trabalhadores. Daí o chamado à unificação com a Intersindical, no qual a Conlutas está à frente.

“A essência do projeto que estamos construindo é a construção de uma organização democrática de luta. Enquanto essa organização não dirigir a ampla maioria dos trabalhadores, esse projeto não estará fechado”, afirmou o dirigente da FSDM, José Maria de Almeida.

A resolução propõe que o fortalecimento da Conlutas se dê através da afirmação das oposições sindicais e pela luta, levando à Coordenação cada vez mais sindicatos e movimentos. Esse ponto, contudo, é uma das polêmicas que deve se expressar no Congresso.

Uma alternativa democrática, independente que represente os explorados e oprimidos
Outras resoluções que aparecerão no Congresso se referem à sua própria natureza. Uma central sindical tradicional ou uma organização que represente os trabalhadores explorados e oprimidos, do campo e da cidade? Esse será um importante ponto do Congresso.

A proposta defendida por vários setores, entre eles os militantes do PSTU, coloca a necessidade da reafirmação do caráter sindical e popular da Conlutas. Isso porque os mesmos ataques que atingem os trabalhadores sindicalizados são os mesmos que atingem os sem-terra e os sem-teto, por exemplo. Ainda que a classe operária seja, pela sua localização, o setor mais importante na luta pelo socialismo, a solidariedade de todos os setores oprimidos e explorados é fundamental.

Da mesma forma, princípios aprovados no Conat e que nortearam a ação da Conlutas nesses dois anos também devem ser reafirmados. Como a total independência de classe e a autonomia da entidade frente a partidos e aos governos.

Outra questão que será discutida é a luta contra a burocratização na direção dos sindicatos. O afastamento da base e os privilégios materiais são elementos que devem ser combatidos e que podem colocar em risco a construção desse projeto. Não menos importante é a reafirmação do método prioritário da ação direta, da mobilização dos trabalhadores.

O internacionalismo efetivo é outro elemento que deve ser reafirmado. A luta contra os ataques aos trabalhadores e pelo socialismo é uma luta internacional. A Conlutas, portanto, não deve se restringir às fronteiras. Nesse sentido, o Elac será um importante momento para coordenar lutas e mobilizações comuns no continente.

A organização dos setores oprimidos será também um momento importante do Congresso. Os encontros de negros e negras e o de mulheres realizados pela Conlutas mostraram o espaço e a necessidade de avançar na organização desses setores, a partir de um corte classista.

Ajustes no sistema de direção
Outro tema que será pauta no congresso é a necessidade de ajustes no atual sistema de direção da Conlutas. Hoje, a direção funciona através das reuniões nacionais e da atuação dos diferentes Grupos de Trabalho (GTs).

Se por um lado esse formato foi essencial para o atual estágio de construção da Conlutas, por outro ele apresentou algumas limitações que precisam ser superadas. O fato, por exemplo, de poucas entidades disponibilizarem dirigentes para o GT de Secretaria, fez com que as tarefas recaíssem nas costas poucos companheiros.

Uma das propostas para se superar essa limitação é a constituição de um coletivo de dirigentes, eleito pela Coordenação Nacional. Tal coletivo cumpriria as tarefas hoje delegadas ao GT de Secretaria, de Estrutura Material e Comunicação. Esses dirigentes seriam eleitos na primeira reunião da Coordenação após o congresso e teriam mandato de dois anos, revogável a qualquer momento.

Outro problema é a representatividade na reunião da Coordenação Nacional da Conlutas. Pela forma que vigora hoje, um pequeno Centro Acadêmico estudantil tem o mesmo peso nas decisões da entidade que uma grande entidade sindical, com milhares de filiados. É necessário corrigir essa distorção e estabelecer uma forma que o peso da entidade ou movimento se reflita nas decisões da direção da Conlutas.

Post author Diego Cruz e Eduardo Almeida, da redação
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