No Brasil manifestante é tratado como bandido

O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, afirmou que “polícia não bate em ninguém de graça“, demonstrando como a burguesia brasileira vem, ao longo dos anos, tratando os movimentos sociais.

A luta contra o aumento da passagem produziu lamentáveis cenas de repressão na bela capital catarinense. Uma operação de guerra foi montada e a repressão da Policia Militar foi brutal. Foram presas 25 pessoas que estão sendo enquadradas no crime de “atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública”, que pode resultar em prisão de um a cinco anos. Nove líderes do movimento foram identificados e vão responder inquéritos. Para responder o processo em liberdade, os presos terão que pagar uma fiança no valor de R$ 1.500. “Ganho aposentadoria de R$ 300 por mês. De onde vou tirar esse dinheiro?“, perguntou a mãe deles.

As condições carcerárias são tão ruins que o delegado Sílvio Gomes Filho pediu a remoção dos presos da delegacia para o presídio do bairro da Trindade: “Aqui as condições das celas são subumanas. Lá eles podem tomar banho e descansar.”

Foram tantos os abusos cometidos pela PM durante os protestos que a Câmara dos Vereadores montou uma comissão para apurar denúncias e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias irá discutir em Brasília sua ida à cidade.

No Brasil, corruptos e corruptores chafurdam num mar de lama, transmitido em rede nacional de televisão. Milhões são pagos em juros ao FMI e milhões são roubados pelos políticos da burguesia no Congresso e no governo federal. A roubalheira é geral e a impunidade corre solta. Nenhum burguês fica preso e todo mundo sabe disso.
Se alguém contudo organiza a ocupação de uma terra para poder morar e plantar, se entra em um prédio abandonado para pode criar sua família, se fizer uma greve para ter um aumento de salário ou se realizar uma manifestação para baixar o preço do transporte aí é repressão e cadeia.

Os massacres como os de Eldorado de Carajás (PA), Felisburgo (MG) e Goiânia (GO), a negligência com as denúncias de assassinato de Dorothy Stang, os ataques à aldeia Jawari, da reserva Raposa Terra do Sol (RR) demonstram de que lado está o Estado e sua polícia.

O Estado não é neutro. Suas tropas estão aí para reprimir a população pobre, os trabalhadores, os sem-terra e os sem-teto. Os trabalhadores devem exigir o fim de todas as tropas de repressão, e a punição exemplar de todos que cometerem abuso de autoridade.
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