No aniversário de 60 anos, a restauração capitalista avança na Coréia do Norte

Há 60 anos, no dia 9 de setembro de 1948, nascia a República Popular Democrática da Coréia.Apesar do noticiário sobre a Coréia do Norte se concentrar na questão das armas nucleares e no adoecimento de seu líder, Kim Jong-Il, há um lento e contínuo processo de abertura econômica desde o ano de 2000.

O primeiro grande investimento capitalista foi um resort turístico com fontes termais nas montanhas Kumgang, junto à fronteira com a Coréia do Sul. Em oito anos, mais de um milhão e duzentos e cinquenta mil turistas visitaram o local, principalmente sul-coreanos.

Aberto ao capital
Em 2002 foi decidida a instalação do complexo industrial de Kaesong com investimentos da Hyundai Asan e incentivos fiscais do governo sul-coreano. A Hyundai é um dos seis maiores grupos econômicos sul-coreanos. O objetivo é atrair duas mil empresas que utilizam mão de obra intensiva e empregar uma força de trabalho total de 700 mil operários norte-coreanos, num país com 9 milhões de trabalhadores e uma população total de 23 milhões de habitantes.

As atividades do complexo começaram em 2004 e hoje já são 20 mil operários norte-coreanos empregados em indústrias de confecção, sapatos, pequenos recipientes plásticos para cosméticos, utensílios de cozinha, que recebem em média US$ 57 mensais para uma jornada de 48h semanais. Cerca de 80% destes tem nível médio. O salário médio no país é de apenas US$ 19 mensais. Kaesong segue o exemplo da cidade chinesa de Shenzen, onde se instalou a principal zona especial de exportação do país, abrindo o caminho para a implantação de poderosas multinacionais capitalistas.

Em 2007 o transporte ferroviário de cargas foi retomado ligando este complexo industrial à Coréia do Sul. Já em novembro do mesmo ano, uma reunião de cúpula entre os governos norte e sul coreanos definiu intensificar os laços econômicos, ou seja, os investimentos capitalistas ao norte da fronteira.

Foram discutidos uma nova zona industrial ao redor do porto de Haeju, com a modernização das instalações portuárias para transporte de mercadorias. Também foram definidas a extensão rodoviária e ferroviária para a capital Pyongyang e para Sinuiju na fronteira com a China, apontando para conexões com todo o continente. O investimento nesta linha férrea será de US$ 150 milhões. Por fim há ainda o estabelecimento de uma zona de pesca comum.

O total de investimentos são estimados em US$ 15 bilhões. O comércio entre os dois países já atinge US$ 1 bilhão por ano.

Via chinesa
Simbolicamente, em fevereiro de 2008, a orquestra filarmônica de Nova Iorque deu um concerto na Coréia do Norte, transmitido para todo o país. Entre outras peças, foi executado o hino dos Estados Unidos.

A burguesia sul-coreana não esconde seu objetivo de explorar a mão-de-obra norte-coreana e, através das atividades econômicas, restaurar o capitalismo. A reunificação do país, necessidade histórica e desejo do povo coreano dos dois lados da fronteira, fica para um futuro distante.

Já Kim Jong-Il, o homem forte da Coréia do Norte, compartilha o objetivo de perseguir a via chinesa de restauração. Em outubro de 2007, em encontro com o primeiro ministro do Vietnã, Kim Jong-Il afirmou que pretende seguir o modelo econômico vietnamita, que transformou o país num paraíso capitalista.

Não é por acaso que o governo sul coreano se reuniu diante da iminência de Kim Jong-Il, adoecido, ficar incapacitado de dirigir o país. A preocupação é que sua morte abra o caminho para turbulências sociais na Coréia do Norte que dificultariam o desenvolvimento dos negócios e poderiam contagiar a combativa classe trabalhadora sul-coreana.