Nenhum carrasco pode ser bom

O mundo político brasileiro gira neste momento ao redor do segundo turno das eleições. Vai se travar no dia 31 de outubro uma enorme batalha entre dois carrascos do povo brasileiro (o PT e seus aliados de um lado, e a oposição de direita de outro).Ganhe quem ganhar, serão os trabalhadores os perdedores.

Esta é a farsa da democracia burguesa: um processo aparentemente democrático, em que a população é chamada a votar no carrasco preferido. Depois, virão novamente as decepções, com o inevitável abandono das promessas eleitorais. Ao contrário das promessas de mais saúde, educação e emprego, virão mais cortes nas verbas sociais, o aumento do desemprego e do arrocho salarial.

Pelas pesquisas atuais, é possível que o PT perca em São Paulo, Porto Alegre, Belém e em outras cidades. Caso isso se dê (faltam vários dias e ainda pode mudar), ficará claro que o PT comemorou cedo demais a vitória do primeiro turno. A oposição de direita terá saído, nesse caso, com uma vitória global nas eleições.

O PSTU estará defendendo nesses dias o voto nulo. Seria muito importante que os setores mais conscientes da vanguarda ativista do movimento sindical, estudantil e popular tivessem uma posição independente dos partidos majoritários, com o chamado à anulação do voto.

Mais do que isso, nós somos coerentes com a nossa afirmação de que só a luta muda a vida, e que não devemos esperar nada das eleições. Estaremos apoiando os bancários nessa fase decisiva de sua mobilização, depois da suspensão da greve. E estamos começando toda uma preparação da marcha a Brasília, no dia 25 de novembro, contra as reformas Universitária, Sindical e Trabalhista do governo Lula, e pela reforma agrária.

Este é o terreno das ações diretas das massas, distinto das cartas marcadas da democracia burguesa. Neste caso, nem o governo nem a oposição de direita reinam, como nas eleições. Existe, ao compasso das lutas, a construção de uma nova direção, que não surgiu das eleições.

Entre os bancários, uma rebelião de base passou por cima das direções governistas do PT e se chocou com os banqueiros do PSDB e do PFL (além das direções da Caixa e do Banco do Brasil indicadas pelo governo).

Na marcha do dia 25, uma ampla vanguarda estará buscando unificar suas lutas e construir uma alternativa à CUT e à UNE.
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