Não somos chavistas, somos socialistas

Logo após a queda do muro de Berlim, podia-se notar em setores amplos da esquerda um sentimento quase de luto. Os reflexos do stalinismo se expressavam naqueles que defendiam abertamente essas correntes, mas também em outros setores que, não sendo stalinistas, acreditavam que aqueles países eram “socialistas”.

Tanto o imperialismo quanto as burocracias stalinistas diziam que o que existia no Leste europeu era o “socialismo”. Mas existiram também aqueles que combateram a burocratização daqueles estados desde seu início. Os que condenaram os crimes do stalinismo desde uma ótica de esquerda. Estes não ficaram de luto. Entenderam a queda daquelas ditaduras como sinais de novos tempos. Combateram também os propagandistas do imperialismo que falavam triunfantes do “fim do socialismo”.

Este episódio deve ser recordado neste momento em que Chávez sofreu uma grave derrota política na Venezuela. Os chavistas estão de luto. Falam como se os trabalhadores tivessem sido derrotados. Como se a luta socialista tivesse sofrido um revés.

Por outro lado, os defensores do imperialismo cinicamente dizem que a “democracia venceu” na Venezuela, que o “socialismo de Chávez” foi derrotado. São os mesmos que apóiam ditaduras em todos os lados, desde que lhes interesse.

É tão verdade que Chávez expressa uma direção socialista quanto era dizer que os estados dirigidos pelas burocracias stalinistas eram os “paraísos socialistas”. Trata-se de uma farsa e é melhor desvencilhar-se dela o mais rápido possível.

Nós não somos chavistas. Não entendemos o que se passou na Venezuela como uma derrota dos trabalhadores, mas de Chávez.

Aqui no Brasil, lutamos para criar uma alternativa dos trabalhadores independente tanto do governo Lula como da oposição burguesa do PSDB e DEM. Isso é igualmente necessário na Venezuela. Não existe nenhuma possibilidade de ir a lugar nenhum no “campo chavista”. Esse é um campo da burguesia e que, aparentemente, começa a entrar em decadência. Tampouco existe possibilidade de ir para qualquer lado sem combater claramente a oposição de direita.

O mais importante que surge da derrota de Chávez no fim de semana é reforçar a possibilidade de criar um terceiro campo, dos trabalhadores e estudantes, independente do pólo chavista e da oposição de direita.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 324
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