Não se pode governar contra a juventude

A juventude, em 2006, foi protagonista dos principais embates da luta de classes no mundo. Em vários países, jovens demonstraram sua disposição de luta contra os planos do imperialismo de condená-los a um futuro sem perspectivas. Foi assim na França, no Chile e, agora, em Oaxaca.

A juventude brasileira olha essas lutas com atenção e admiração. Apesar dos ritmos desiguais, o Brasil é parte de um continente em chamas e sua juventude é vítima do mesmo capitalismo decadente.

No Brasil, o segundo governo de Lula, ao contrário de 2002, não gera maiores expectativas de mudanças. Os ativistas dos movimentos sociais e os jovens brasileiros acumularam uma importante experiência nos últimos anos que reeleição nenhuma é capaz de apagar. Enfrentou-se a reforma da Previdência em 2003, que aposentou forçosamente milhares de professores e funcionários das universidades públicas; a reforma universitária em 2004; e os sucessivos cortes de verbas do orçamento da educação.

Também ficou cada vez mais clara a traição da UNE, co-autora da reforma do Banco Mundial. Em contrapartida, a Conlute vem se afirmando como parte da reorganização do movimento estudantil independente e tomando uma série de iniciativas.

No início do ano letivo de 2006, a tradicional PUC-SP ganhou as páginas dos principais jornais do país, quando demitiu um terço de seus funcionários, entregou seu Conselho Universitário para as mãos dos bancos Bradesco e Real, e sofreu intervenção da conservadora Igreja Católica. Nesse momento, enquanto a UNE poupava a reitoria, responsável pelas mensalidades exorbitantes e por inúmeras sindicâncias contra os estudantes que lutavam, a Conlute esteve presente ao longo de toda greve e não mediu esforços para reverter as demissões e garantir a qualidade de ensino.

Em maio, a Conlute realizou em Sumaré (SP) o Encontro Nacional de Estudantes (ENE), que contou com a participação de 800 pessoas e 200 entidades representativas, entre elas as executivas de Letras, Pedagogia e Medicina. Nesse evento, foram aprovadas a campanha por “Mais Verbas para Educação” e a filiação da coordenação à Conlutas.
E para impulsionar a retomada da luta contra a reforma universitária, a Conlute, juntamente com as Executivas de Curso, promoveu uma campanha contra o Provão do governo Lula sob o lema “Nota Zero para o Enade! Por uma Avaliação de Verdade!”, que ganhou repercussão na mídia em vários estados.

Barrar a reforma universitária em 2007!
Já está sendo gestada, nas entidades e nos coletivos estudantis independentes, uma grande resistência à reforma universitária, que voltou a tramitar no Congresso (PL 7.200/06). É necessária a construção da mais ampla unidade para impedir a privatização da universidade pública. Nesse sentido, o último Fórum de Executivas deliberou pela construção de espaços para aglutinar forças e promover todos os tipos de atividades para derrotar a ofensiva de Lula. Já está marcada uma plenária para o dia 21 de dezembro em São Paulo, quando se reunirão ativistas e entidades de todo o país para preparar a luta em 2007.

A aliança dos estudantes com os trabalhadores em educação do Andes, Sinasefe e do “Vamos à Luta”, da Fasubra, é determinante para arrancarmos vitórias. < Post author
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