Não ao governo, ao Congresso e ao acordão

O acordão que está sendo construído entre o governo e a oposição burguesa teve um sobressalto com o resultado do referendo sobre o desarmamento. Tanto o governo como a maioria da oposição burguesa (incluindo o PSDB de FHC, Serra e Alckmin) esperavam que o “Sim” fosse vitorioso. Essa era a expectativa quando o referendo foi lançado, há alguns meses atrás. Pensavam que seria uma vitória fácil, com a maioria absoluta de todas as instituições do regime trabalhando a favor: os grandes partidos de apoio ao governo e da oposição, os principais jornais do país e a rede Globo, os artistas mais famosos, a Igreja Católica, as direções da CUT, da UNE e do MST, além da maioria dos parlamentares do P-SOL. Tudo animado por pesquisas de opinião que até duas semanas antes do referendo, asseguravam a vitória do “Sim” por mais de 80% dos votos.

O resultado foi contundente: quase dois terços do povo brasileiro votou “Não”. Votou contra o governo, o Congresso e os maiores partidos. Além do referendo em si, é preciso encarar esse fato: o que se passa na população não está representado nessas instituições.

A desconfiança cresce entre os trabalhadores em relação a “tudo o que está aí”. Não se confia no Estado para garantir a segurança (e por isso se votou contra a proibição da comercialização das armas), da mesma forma como não se confia para assegurar emprego, salário, educação, saúde etc. Não se confia em nada e com toda a razão.

Esse regime “democrático” é uma ditadura a serviço do capital. Os trabalhadores e a juventude vão chegando a essas conclusões depois de verem essa “democracia” manter o mesmo Congresso, a mesma política econômica e corrupção, depois de eleger o PT com suas promessas de “mudança”. Agora, depois de todos os escândalos, está vindo mais uma grande decepção. Com três CPIs em curso, não se apura nada até o fim. Estão preparando um acordão para salvar Lula de um lado e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) de outro. A renúncia de alguns deputados é parte desse acordão. Toda a expectativa de acabar com a impunidade dos corruptos está vindo de novo abaixo.

A vitória do “Não” é sinal de que as coisas não se passam da mesma maneira no Congresso e nas ruas do país. Enquanto em cima se costura o acordão, embaixo aumenta a desconfiança em relação a todos os grandes partidos. O “Não” expôs, dramaticamente, a contradição aguda entre essa representação parlamentar e o que pensa a maioria do povo brasileiro.

O PSTU, que defende o “Fora Todos, Fora Lula, Congresso, PT, PSDB, PFL…”, esteve presente, com todas as suas forças, na defesa do “Não”.

Agora, depois da vitória, é hora de avançar e exigir também um plebiscito para decidir sobre o conjunto do estatuto do desarmamento. É hora de exigir também um outro tipo de plebiscito, sobre a Alca, cujas negociações estão em curso.

Post author Editorial do jornal Opinião Socialista 238
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