Na Bahia, Polícia Federal reprime ocupação

No feriado do dia 15 de novembro, após 45 dias de ocupação e resistência, o reitor Naomar Almeida recorreu à Polícia Federal para retirar os estudantes da reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sem qualquer diálogo com os ocupantes, o reitor seguiu a política do governo Lula de criminalização dos movimentos sociais, cuja expressão mais recente é a utilização da repressão em universidades de todo o país.

A desocupação começou com a surpresa dos estudantes, acordados por policiais com armas semi-automáticas. Vários ocupantes foram agredidos ao resistirem pacificamente, principalmente as mulheres, que compunham a maioria da ocupação. Os estudantes não tiveram tempo nem mesmo para recolher seus pertences pessoais e quatro foram presos sem qualquer justificativa, mostrando a eficiência da “democracia” do cassetete no governo Lula.

Os estudantes da UFBA ocupavam a reitoria desde o dia 1° de outubro, em decorrência dos graves problemas de sucateamento nas residências universitárias. O estopim da mobilização foi o vazamento de gás na residência 5, que já há um ano coloca em risco a saúde de estudantes e funcionários.

Logo nos primeiros dias, após um intenso debate, os estudantes sentiram a necessidade de atacar a raiz do problema, ampliando a pauta para a luta contra o decreto do Reuni e por assistência estudantil de verdade.

Uma assembléia com mais de 600 estudantes deliberou, no dia 18, pela ocupação e contra o Reuni. No dia seguinte, o reitor deu uma demonstração prévia de truculência. Na reunião do conselho universitário, utilizou seguranças contratados e apoiadores políticos para agredir os manifestantes presentes, encenando a votação de adesão ao Reuni às pressas, num processo que é deslegitimado pelo movimento estudantil e por mais de 20 membros do conselho.

Estudantes mantêm mobilização
Mesmo diante desse ataque, o movimento estudantil não se curvou e começou imediatamente uma campanha de denúncia e mobilização. Os estudantes aprovaram um calendário para fortalecer a luta contra o Reuni e por uma assistência estudantil de verdade, enfrentando a truculência da reitoria e do governo.

Post author Wellington Gardin e Jean Montezuma, de Salvador(PR)
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