Mulheres, socialistas e de luta

Para manter vivas as bandeiras de luta das mulheres trabalhadoras é necessário lutar contra o capitalismo`FotoNesta campanha eleitoral, mais uma vez, o PSTU está apresentando candidaturas de companheiras que representam a luta das mulheres tanto contra a exploração capitalista, quanto contra a opressão machista.

No Recife (PE), onde Kátia Telles é candidata à prefeitura, dois dos maiores problemas que afetam às mulheres são a violência e o turismo sexual. A capital pernambucana é lamentavelmente conhecida por altos índices nesses dois campos. Dados oficiais indicam que, somente nos quatro primeiros meses de 2004, o registro de ameaças foi de 799 e o de agressões foi de 1.141.

Pesquisas recentes também indicam que, hoje, cerca de 100 mil crianças e adolescentes brasileiras (além de centenas de milhares de adultas) – a grande maioria delas das regiões Norte e Nordeste – são exploradas pela prostituição. No Recife, uma em cada três prostitutas tem menos de 18 anos.

Essa situação só tem piorado nos últimos anos. Algo que Kátia credita ao completo descaso dos governos do PT ou dos demais partidos burgueses: “Nem João Paulo (PT) ou qualquer candidato burguês, como Cadoca (PMDB), fizeram qualquer coisa eficaz para acabar com essa situação. Além de serem gerenciadores de políticas que aumentam os problemas sociais que levam à violência e à prostituição, eles são íntimos aliados dos que se beneficiam do turismo sexual, quando não o promovem, direta ou indiretamente”.

Por essas e outras, no Recife, como em todo o resto do país, as candidaturas do PSTU estão denunciando as causas sociais da violência e da prostituição, defendendo a adoção de políticas públicas para combatê-las. Como lembra Kátia, “só a criação de empregos, condições dignas de vida e a punição de todos que se envolvam com agressões ou turismo sexual podem apontar, de fato, para a solução destes problemas; até que se consiga isso, é fundamental criar casas-abrigos com as condições necessárias para dar proteção e uma perspectiva de vida para adolescentes e mulheres que vivem em situação de risco”.
Alianças nefastas também estão na raiz do abandono, pelo PT e pelo PCdoB, de bandeiras históricas do movimento feminista, como a descriminalização do aborto e o direito das mulheres em realizá-lo no serviço público de saúde. Tema que foi abordado em um dos programas que o PSTU de Porto Alegre (RS) fez dedicado às mulheres.

Como destacou Vera Guasso, única candidata mulher à prefeitura na cidade, “Aqui, onde o PT é governo há anos, o debate sobre o aborto foi minguando na mesma proporção em que ia crescendo o chamado ‘leque de alianças’ do PT; hoje ninguém sequer fala no assunto”.

O abandono da luta em defesa da legalização do aborto só pode ser chamado de criminoso, na medida em que o aborto só é “ilegal” para quem não tem alguns milhares de reais para realizá-lo. Como resultado, as mulheres trabalhadoras que, obrigadas a recorrer a charlatões ou à “abortos caseiros”, acabam sofrendo com infecções, hemorragias e, até mesmo, a morte. Calcula-se que 200 mil brasileiras morram anualmente devido a abortos mal-feitos.

Por isso, o PSTU não só defende a legalização do aborto como políticas públicas de saúde da mulher.

Ao levar esses debates para os programas de TV e de rádio, o PSTU busca apresentar
uma perspectiva para mulheres que querem se organizar para lutar, o que já resultou na reorganização da Secretaria de Mulheres de Porto Alegre, através da realização de um ato e de uma festa que contaram com a participação de cerca de 100 companheiras. Segundo Vera: “o PSTU quer mais do que o voto das companheiras e companheiros, queremos manter vivas as bandeiras de luta das mulheres trabalhadoras e a defesa de que elas só poderão ser arrancadas na luta contra o capitalismo”.

E é exatamente a combinação da luta contra o machismo e o capitalismo que está no centro do programa defendido pelas candidatas do PSTU. Como lembra
Vanessa Portugal, também única candidata mulher concorrendo à prefeitura de Belo Horizonte (MG), “na campanha eleitoral, estamos denunciado não só a violência doméstica e sexual, mas também a cruel violência praticada pelos patrões e seus aliados: a violência do capital”.

Uma violência que atinge cada vez mais as mulheres. Das 2,4 milhões de pessoas que procuravam emprego em janeiro de 2004, 54% eram mulheres. O rendimento médio das mulheres tem sido cerca de 35% inferior ao dos homens, sendo que, na indústria, 69% das mulheres ganham até três salários mínimos, enquanto os homens, no mesmo patamar, correspondiam a 45%. Quando adicionamos raça na discussão, as desigualdades só crescem: mulheres negras recebem 55% menos do que as mulheres não-negras.

Por essas e muitas outras, Vanessa lembra que “a verdadeira luta feminista também tem de ser uma luta anticapitalista. Uma batalha contra o governo Lula e seus aliados, que ao aplicarem à risca a receita do FMI, nada mais fazem do que aumentar o abismo socioeconômico entre homens e mulheres”.

É com esse objetivo que o PSTU apresentou dezenas de companheiras como candidatas
nestas eleições. Mulheres que representam setores da sociedade – são jovens, negras ou lésbicas – que têm muitas especificidades em suas lutas, mas são unidas por uma certeza em comum: que a derrota do machismo passa por um enfrentamento classista e revolucionário.

Para conhecer mais sobre o programa e as candidatas do PSTU, visite a página da Secretaria de Mulheres ou envie um e-mail para lutamulher@pstu.org.br.

* Colaborou Ana Minutti, da Secretaria de Mulheres do PSTU e candidata a vice-prefeita de São Paulo
Post author Wilson H. da Silva*, da redação
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