Movimento pressiona vereadores, e greve continua na FSA

Ativistas comemoram o resultado
Kit Gaion

Na tarde desta quinta-feira, 20, cerca de 70 estudantes e professores da Fundação Santo André (FSA) lotaram as galerias da Câmara de Vereadores para exigir o afastamento do reitor Odair Bermelho. Durante quase quatro horas, os ativistas permaneceram no local, gritando palavras-de-ordem e pressionando os políticos, numa demonstração de resistência e de luta.

Após o grande expediente, em que todos os vereadores tiveram o direito à palavra, houve um recesso para decidirem o que fazer com relação ao tema. Depois de uma hora, o presidente da casa, vereador José Montoro Filho (PT), anunciou a decisão. Além de criar uma Comissão de Assuntos Relevantes para investigar o caso e apresentar um relatório no prazo de 180 dias, os vereadores encaminharão um requerimento ao prefeito petista João Avamileno pedindo o afastamento temporário de Bermelho enquanto durarem as investigações.

A indicação de Bermelho foi feita pelo prefeito. A decisão de pedir o afastamento não foi unânime entre os vereadores. A bancada petista, seguindo a política do prefeito, foi uma das que se posicionou contra o movimento.

Isso não significa, entretanto, que o reitor será afastado. A decisão deve passar pelo Conselho Diretor da FSA, em que a Câmara representa um voto de 15. O movimento considera, porém, que esta é uma vitória parcial, pois é um reflexo do grau de mobilização da comunidade acadêmica.

Como está o movimento
Atualmente, está completamente parada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafil), onde começou o movimento. Nos outros cursos, parcialmente em greve, a adesão vem aumentando.

A representante dos professores no Conselho Universitário e professora do curso de Letras, Edna dos Santos, informou que os docentes tiveram uma reunião na quarta-feira em que decidiram manter a greve. Ela disse ainda que “alguns professores da Faeco [Faculdade de Economia] têm ido lá nas nossas assembléias, da Faeng [Faculdade de Engenharia] também,e o que nós esperamos é que o movimento aumente”.

Além dos estudantes e professores, estavam presentes algumas mães de alunos da faculdade e do colégio vinculado à Fundação, que enfrenta o aumento das mensalidades e o anúncio de fechamento. Valéria da Cruz, mãe de alunos do colégio, relatou que “desde janeiro, o reitor aumentou a mensalidade e diz que vai fechar o colégio, não abriu o primeiro ano do colégio e, por conseqüência, não se tem o segundo”.

Mobilizados, os pais conseguiram que fosse garantido o término do curso aos estudantes já matriculados. Entretanto, Valéria diz que a postura que a reitoria tem adotado não garante que esse compromisso seja cumprido. “A saída é a saída do reitor. Ele não negocia, ele não conversa, ele não ouve. (…) Ele ordena que a Polícia Militar vá lá e desça o cacete nos meninos, e eles só estão querendo estudar”, conclui Valéria.

Próximos passos
Reinaldo Chagas, estudante de História e militante do PSTU, diz que, apesar de significar uma vitória, trata-se de “um elemento bastante secundário da luta”. A gente sabe que esta não é via pela qual a gente vai conseguir o nosso objetivo que é, além da queda do reitor, rediscutir todo o projeto que está colocado para a Faculdade”, afirma.

Para ele e para a maioria dos estudantes da FSA, “o principal é a continuidade da greve, da mobilização dos estudantes e fazer avançar a greve”. O Comando de Greve, reunido na FSA na noite do mesmo dia, ratificou a fala de Reinaldo, aprovando a continuidade da greve e da mobilização.