Meu momento com Beth Carvalho: na luta!

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Cyro Garcia

Tenho vários motivos para estar sentido com a morte de Beth Carvalho. Ela era uma grande sambista e defensora da cultura popular brasileira. Além disso, era uma grande botafoguense, sendo que um dos seus maiores sucessos, “Vou Festejar” (Jorge Aragão, Dida e Neoci Dias), é um dos cânticos que mais embalam a nossa torcida.

Eu tive, porém, a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, e foi na luta. Em maio de 1997, o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso colocou a Cia. Vale do Rio Doce para ser privatizada, assim como já tinha feito com o setor siderúrgico, com o de telecomunicações, e outros setores estratégicos. Houve uma grande resistência, tanto no campo institucional, como nas lutas sindicais e populares.

Foi então realizado um grande ato na porta da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que recebeu pessoas de todo o pais. Eu fui orador neste ato e, também, um de seus apresentadores. E foi aí que eu conheci Beth Carvalho, que foi lá colocar o seu prestígio e sucesso na luta contra um dos maiores crimes cometidos contra a soberania nacional, vide Mariana e Brumadinho. Sem falar que foi vendida a preço de banana, para gosto do empresariado nacional e internacional que participou do leilão. Beth se manteve lá quase o tempo todo, cantando e puxando palavras de ordem: “Ah, a Vale é nossa!”

Com certeza vai deixar saudades. Mas aqueles que não vem ao mundo só de passagem se tornam imortais e ela sempre estará viva através da sua arte e através das nossas lutas.

Beth Carvalho, presente sempre!