Metalúrgicos derrotam pelegos em Volta Redonda

Chapa apoiada pela Conlutas derrota CUT e Força Sindical em eleiçõesCom a palavra de ordem “Não é mole não, o chão da fábrica venceu a eleição”, os trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), ligados à Chapa 3, de oposição, comemoraram a vitória histórica contra a CUT e da Força Sindical no ginásio Recreio dos Trabalhadores.

A eleição, marcada inicialmente para 6 de abril, foi suspensa pela Justiça mediante uma liminar. Os metalúrgicos só foram às urnas nos dias 6 e 7 de julho.
Os números não deixaram dúvidas sobre o resultado. Foram totalizados 5.459 votos válidos. A Chapa 3 – Oposição, composta pela CSC e independentes e apoiada pela Conlutas, obteve 2.037 votos. A Chapa 2 (Força Sindical ) obteve 1.559. Ficando em último lugar, a Chapa 1 (Articulação Sindical) obteve 1.542 votos. Os votos em branco e nulos foram, respectivamente, 99 e 217. Deixaram de ser contados votos de uma urna da CSN e os votos em separado.

Manobras não impediram derrota
A Articulação fez de tudo para impedir que os trabalhadores votassem na CSN. Impugnaram, por exemplo, a urna do setor de Renato Soares, operário que encabeçou a chapa da oposição. Nessa urna se encontravam 260 votos e não houve eleição no segundo dia, pois a Articulação impediu a instalação da urna. Mesmo assim, a Chapa 3 obteve quase 70% dos votos na empresa.

A vitória da Chapa 3 – Oposição é histórica para os trabalhadores da região.
Os metalúrgicos de Volta Redonda formam uma base com mais de 40 mil trabalhadores espalhados pelas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Quatis, Itatiaia, Porto Real e Pinheiral.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda tem uma grande tradição de luta. E demonstrou isso em 1988, quando protagonizou uma das maiores batalhas já travadas pelos metalúrgicos deste país, com a ocupação da CSN.

A luta pelo turno de seis horas, pela reintegração dos demitidos e contra a URV levou, na época, à morte de três companheiros (Wiliam, Valmir e Barroso) em um confronto com o exército no interior da usina.

Em memória a esses companheiros foi erguido um monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O monumento foi bombardeado pela extrema-direita, mas continua como símbolo de luta dos trabalhadores metalúrgicos.

Em 1992 os metalúrgicos sofreram uma grande derrota, pois a chapa da Força Sindical ganhou as eleições para a diretoria do sindicato. Em seguida, muitos lutadores foram demitidos pelas empresas como política para destruir o sindicalismo combativo.

Airtom Ferreira de Souza, metalúrgico demitido nessa época, disse com os olhos cheios de lágrimas ao final da apuração: “Após 14 anos o sindicato volta para as mãos dos trabalhadores. Por isso valeu a resistência”.

Antes mesmo de terminar a contagem dos votos, os trabalhadores da Chapa 3 se abraçavam e houve uma explosão de alegria e felicidade.

A vitória da chapa de oposição é a demonstração de que os trabalhadores não se sentem mais representados pela CUT, nem pela Força Sindical, e estão construindo uma nova ferramenta para lutar.

A Conlutas teve um papel importante nessa vitória, pois acreditou na categoria e que era possível derrotar as duas maiores centrais.

As eleições também representam uma derrota do governo Lula, que apoiou e pediu voto (até tirou fotografia), para a chapa da Articulação.

Com o resultado, foi aberta uma nova página na história da luta dos metalúrgicos de Volta Redonda e região. Cabe agora fazer o debate sobre a necessidade de construir a Conlutas como alternativa à falência da CUT governista.

Post author Erlon Couto, de Volta Redonda (RJ)
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