Metalúrgicos da Embraer rejeitam redução de salário e exigem abertura de negociação

Trabalhadores fazem assembleia em repúdio à proposta apresentada pela FiespNum forte protesto contra a proposta patronal de redução de salários, os metalúrgicos da Embraer reprovaram em assembleia, na tarde desta quinta-feira, dia 5, a proposta da Fiesp para o setor aeronáutico nesta Campanha Salarial.

Os trabalhadores também exigiram a abertura imediata de negociações entre a Embraer e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (filiado à Conlutas).

A manifestação, ocorrida em frente à portaria principal da Embraer, às 15h10, também votou estado permanente de mobilização. Cerca de 2 mil trabalhadores do segundo turno participaram da assembleia, apesar da forte presença da Polícia Militar no local, a mando da empresa para reprimir a manifestação.

Na última rodada de negociação, ocorrida dia 29, o grupo patronal propôs zero de aumento real e redução da jornada com redução de salário para os trabalhadores do setor aeronáutico, representado principalmente pela Embraer.

A Fiesp propôs ainda flexibilização da jornada (banco de horas), exclusão das cláusulas sociais da Convenção Coletiva que garantem transporte, alimentação e o complemento ao auxílio previdenciário e alterações no adicional noturno e no pagamento de horas extras.

A proposta foi apresentada um dia antes do pagamento da Participação de Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores da Embraer. A PLR de 2009, de apenas R$ 235 mais 10% sobre o salário, foi a menor dos últimos anos.

Os metalúrgicos do setor reivindicam 14,65% de reajuste salarial, abono para compensar a PLR irrisória, antecipação da data-base de novembro para setembro, redução da jornada sem redução de salário e estabilidade no emprego.

A proposta rebaixada da Fiesp fez com que o Sindicato encerrasse as negociações e desse início a um processo de mobilizações nas fábricas do setor. “A Embraer tem demonstrado total desrespeito aos seus funcionários. A proposta de redução de salários é inaceitável para qualquer empresa e no caso da Embraer não há nada que justifique essa medida”, afirma o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros.

Empresas do setor como a Avibras, Graúna, Sobraer e Sopeçaero já fecharam acordo superior a proposta da Fiesp, após mobilização dos trabalhadores. Na Graúna, de Caçapava, por exemplo, foi conquistado 10% de reajuste, retroativo a setembro, depois de três horas de paralisação no último dia 29.