Metalúrgicos da CAF entram em greve contra demissões e por PLR

Trabalhadores de multinacional espanhola que fabrica vagões para trens e metrôs cruzam os braços em HortolândiaA CAF-Brasil (Construcciones y Auxiliar de Ferrocarrile), empresa espanhola que fabrica trens e metrôs, situada em Hortolândia (SP), está ameaçando demitir 350 funcionários. A empresa tem cerca de 685 trabalhadores e a alegação é que as demissões são “necessárias” por causa crise na Europa.

Os trabalhadores estão mobilizados e há 20 dias em greve, exigindo nenhuma demissão e PLR justa e compatível com os lucros que a CAF teve e terá com os contratos com a CPTM, Metrô de São Paulo e CBTU (Metrô de Recife-PE), que serão executados em 2012.

Nós do PSTU apoiamos e nos solidarizamos com a greve dos metalúrgicos da CAF e exigimos o cumprimento de todas as suas reivindicações. Para ampliar as lutas e pressionar ainda mais a patronal é importante a unificação com as lutas dos trabalhadores de outras fábricas que também estão em greve. A Rodofort, empresa também da base metalúrgica que faz chassis e baús para caminhões, iniciou uma greve nesse dia 14.

Disposição de luta dos trabalhadores da CAF
Esta é a sétima greve em três anos que ocorre na empresa contra o ataque aos trabalhadores, e a ameaça de demissões em massa se repete. Em 2011 os trabalhadores da CAF fizeram uma greve vitoriosa de 19 dias contra a demissão de 200 operários.

Na ocasião, os trabalhadores foram à Câmara Municipal de Hortolândia exigir que o parlamento municipal interviesse em apoio aos trabalhadores.

Os trabalhadores não vão pagar pela crise
As grandes multinacionais querem recuperar, no Brasil, o lucro que estão perdendo na Europa por conta da crise, fazendo com que os trabalhadores brasileiros paguem por ela com verdadeiros planos de austeridade mascarados de políticas de investimentos, à custa de sangue e suor dos trabalhadores.

Se as montadoras e multinacionais são tão rentáveis aqui, por que precisam de redução de impostos, empréstimos do BNDES e demissões em massa? Não há justificativa para tamanho ataque aos trabalhadores.

Não há nada que justifique as desonerações de impostos e empréstimos para empresas que demitem covardemente os trabalhadores. Ao contrário, temos de exigir que Dilma governe realmente para os trabalhadores e garanta nossos empregos e nossas conquistas, que suspenda os empréstimos e a redução de impostos imediatamente, exigindo que as empresas parem de atacar os trabalhadores brasileiros.

A crise está chegando ao Brasil:
que os ricos paguem a conta!

Alertamos os trabalhadores que a crise internacional do capitalismo é gravíssima e vai se abater com toda força sobre o Brasil.

Os patrões, que enriqueceram ainda mais no período de crescimento, agora querem que os trabalhadores paguem a crise. Para garantir seus lucros, as grandes empresas estão reduzindo os salários dos trabalhadores e demitindo. As grandes multinacionais controlam o país, produzem para garantir seus lucros e não para atender as necessidades da população. A crise mostra mais uma vez a verdadeira face do capitalismo, de miséria, desemprego e fome.

Temos outra proposta. São as grandes empresas que têm que pagar pela crise do capitalismo que elas mesmas criaram, e não os trabalhadores. O PSTU defende o socialismo, uma sociedade sem exploradores e explorados. É a única forma de evitar as crises cíclicas do capitalismo, e garantir direitos básicos como emprego, salário, moradia, educação e saúde.

Exigimos dos governos

  • Nenhuma demissão!
  • Estabilidade no emprego!
  • Reajuste geral dos salários e aposentadorias!
  • Não à reforma trabalhista!
  • Redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem redução de salários e direitos
  • Estatização das empresas que demitirem, que devem passar ao controle dos trabalhadores
  • Plano de obras públicas para absorver os desempregados, financiado com o não pagamento das dívidas
  • Controle dos capitais, impedindo o envio dos lucros das multinacionais para o exterior e a fuga dos investimentos
  • Nenhum dinheiro para banqueiros e especuladores!
  • Estatização do sistema financeiro, sem indenização e sob controle dos trabalhadores!
  • Romper com o imperialismo!

    Antônio Júnior é metalúrgico da CAF e militante do PSTU