Mesmo com aprovação de reforma, trabalhadores franceses realizam nova paralisação

A França assistiu mais um dia de paralisações nesta quinta-feira, dia 28. No total, segundo os sindicatos, foram realizadas 270 manifestações na sétima jornada de greve contra a reforma das aposentadorias, que reuniram entre 560 mil a dois milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior e os sindicatos, respectivamente. As cifras mostram um descenso das mobilizações diante dos protestos do dia 19 de outubro.

A greve de quinta-feira também afetou menos os transportes do país, setor chave nas mobilizações anteriores. Pouco mais de 25% dos ferroviários, segundo os sindicatos, paralisaram. No transporte aéreo, a jornada também, ainda que no aeroporto de Orly tenha sido cancelada a metade dos voos, no resto dos aeroportos a média de adesão foi de 30%.

Também não contou com a expressiva participação dos estudantes, uma vez que muitos já entraram em férias escolares. Por outro lado, as refinarias começam pouco a pouco a recuperar sua atividade, um sinal do esgotamento de esgotamento dos bloqueios que paralisaram o fornecimento de petróleo do país. Nesta sexta-feira, 29, as últimas três refinarias bloqueadas na França, todas elas da multinacional Total, retomaram suas atividades.

O esgotamento da mobilização ocorre após a aprovação na Assembleia Nacional da reforma que aumenta a idade para 65 aos 67 anos a idade para a aposentadoria. Mesmo com a aprovação da reforma, porém, as principais centrais sindicais do país se recusaram a chamar uma greve geral que pudesse paralisar todas as atividades econômicas do país, repetindo a luta que impediram as reforma trabalhistas de 1995.

Pressionadas, centrais sindicais como a CFDT e a CGT chamavam apenas “dias de paralisação”, lutas isoladas e sem continuidade. Apostavam no esgotamento do potencial de resistência dos trabalhadores e evitavam maiores enfrentamentos com o governo. Também não convocaram os setores chave do movimento operário francês, como os metalúrgicos.

Bernard Thibault, presidente da CGT, se limitou a pedir que o governo “aceite as negociações com os sindicatos”. Já François Chérèque, secretário-geral da CFDT, chegou a propor que o Parlamento votasse a reforma em 2015.

Uma próxima jornada de protestos está marcada para o dia 6 de novembro. Mas as grandes mobilizações do dia 19, que reuniu 3,5 milhões em todo país, somada aos bloqueios de refinarias, mostraram que apenas uma paralisação geral das atividades econômicas do país poderá derrotar Sarkozy.

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