Manter o sindicato comprometido com a luta

Fortalecer o movimento sindical combativo e organizar os trabalhadores para enfrentar os ataques do governo Lula e da patronal são os grandes desafios colocados para este ano. Por isso, as eleições para a próxima diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, nos dias 22 e 23 de fevereiro, são decisivas para garantir esse processo

O Sindicato dos Metalúrgicos foi o primeiro a se desfiliar da CUT, em agosto de 2004, e é uma das maiores entidades da Conlutas, com quase 40 mil trabalhadores na base, em fábricas como General Motors (GM), LG.Philips, Embraer, Eaton, etc.

Comemorando 50 anos em março, o sindicato de São José é referência nacional em sindicalismo combativo. Luta pelos direitos dos trabalhadores, quando a maioria das entidades cede aos patrões e entrega os direitos, e também pauta assuntos mais gerais (governo Lula, política internacional, etc).

Essa eleição tem, portanto, enorme importância para a definição do futuro da Conlutas, ou seja, da construção de uma verdadeira ferramenta de luta dos trabalhadores, em oposição ao peleguismo da CUT.

Chapas
A inscrição de chapas ocorreu em dezembro. Dois grupos estão concorrendo: a Chapa 1, da Conlutas (Unidade Metalúrgicos na luta por salário, direitos e emprego), é encabeçada pelo atual vice-presidente do Sindicato, Adilson dos Santos, o Índio; e a Chapa 2, da CUT, cujo candidato é Agnaldo Leite da Silva .

Uma terceira chapa tentou se inscrever, mas não obteve sucesso. Militantes do Partido da Causa Operária (PCO), sem qualquer representatividade na categoria, fizeram uso de métodos condenáveis. Inscreveram trabalhadores em sua chapa sem consultá-los.

Resultado: 29 dos 41 candidatos renunciaram e, assim, a chapa não conseguiu o mínimo de 17 candidatos, segundo o estatuto do sindicato.

Entre os metalúrgicos, corre a notícia de que o Partido da Causa Operária estava tentando inscrever a chapa a serviço da Articulação, da CUT.
As chapas já iniciaram a campanha, com distribuição de panfletos e visitas às fábricas. Seguindo a tradição do sindicato, a atual diretoria procura garantir transparência e democracia ao processo eleitoral.

A Chapa 1, da Conlutas, tem entre seus membros vários companheiros novos, que vieram de lutas recentes. A proposta da chapa é seguir com a atuação vitoriosa do sindicato.

Atuação independente
Em 2005, o sindicato obteve PLR maior nas fábricas, arrancou novamente aumento real na campanha salarial, evitou demissões e conseguiu estabilidade para os trabalhadores da General Motors (e efetivação de centenas de temporários) e derrotou o sindicato fantasma da Embraer. Defendeu os moradores da ocupação Pinheirinho e esteve à frente das maiores mobilizações nacionais e locais contra a corrupção do governo Lula.

O trabalho da Chapa 2, da CUT, não será fácil. Além de tentarem negar os feitos da atual diretoria, não conseguirão se livrar das sombras do governo Lula e da central pelega. Afinal, fazem parte do mesmo grupo do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e que hoje defende um salário mínimo de fome.
Também defendem as reformas Sindical e Trabalhista, que retirarão direitos históricos da classe trabalhadora. Nas entidades que dirigem, buscam frear as mobilizações e fecham acordos que prejudicam os trabalhadores.

São apoiados pela turma do mensalão. Henrique Pizzolato, envolvido no escândalo do governo, pertence ao Conselho da Embraer, assim como Claudemir, parceiro dos pelegos do sindicato fantasma.

Dos cerca de 38.600 trabalhadores na base da categoria, somente os sócios do sindicato – 23.900 – têm direito a voto. A apuração acontecerá no dia 24 e a nova diretoria terá mandato de três anos. Essa é a primeira eleição no sindicato após a desfiliação da CUT e adesão à Conlutas.

“O objetivo da Chapa 1 é manter o Sindicato na luta e estar na linha de frente na consolidação de uma nova ferramenta dos trabalhadores em alternativa à CUT. Por isso, acreditamos que a eleição do Sindicato é muito importante para impulsionar esse projeto e contamos com o apoio de companheiros de todo país”, ressaltou Adilson dos Santos, o Índio, da Chapa 1.

* Colaborou Jocilene Chagas, de São José dos Campos
Post author Larissa Morais, da redação*
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