Maioria da direção do PSOL ameaça frente de esquerda

O PSTU se posicionou desde o início de 2008 a favor da reedição da Frente de Esquerda nas eleições municipais. Em 2006, a Frente lançou a candidatura de Heloisa Helena a Presidência da República.

Até o momento, não foi possível realizar uma reunião entre as direções nacionais dos dois partidos. Infelizmente, o bloco majoritário da direção nacional do PSOL, formado principalmente pelas correntes MES, MTL e APS, vem implementando uma política que nega a necessidade da construção da Frente de Esquerda.

Em Porto Alegre (RS), a direção regional do PSOL formalizou a aliança com o Partido Verde (PV), avalizada por sua direção nacional. Assim, cedeu a vaga de vice-prefeito da chapa encabeçada pela deputada federal Luciana Genro para o presidente regional do PV, o mesmo que foi vice do candidato do PP (partido de Maluf) à prefeitura da cidade nas eleições passadas.

Esta postura da direção do PSOL provocou a divisão da Frente de Esquerda em Porto Alegre. Afinal, PSTU e PCB não aceitam uma aliança eleitoral com o PV, partido que é uma legenda de aluguel da burguesia e integra a base de sustentação do governo Lula.

Em Recife (PE), a direção regional do PSOL, dirigida majoritariamente pelo MES, corrente que também é majoritária em Porto Alegre, enviou carta oficial ao PSTU informando sua decisão de vetar a aliança eleitoral. Infelizmente esta é a posição da direção majoritária do PSOL, e em especial do MES: unidade com os governistas do PV em Porto Alegre e veto a o PSTU em Recife.

Soma-se, ainda, a postura intransigente das correntes majoritárias do PSOL nas negociações com PSTU em importantes cidades do país. Algo que se vê na definição do programa, dos candidatos e da distribuição do tempo de TV e Rádio.

Em Maceió, onde o partido definiu pelo lançamento de Heloisa Helena à vereadora, a direção regional propôs que o PSOL utilizasse todo o tempo de TV para apresentar seus vários candidatos a Câmara Municipal. Dessa forma, excluiriam os programas de TV dos candidatos a vereador do PSTU e PCB.

Em São Paulo, onde a direção municipal do PSOL é formada majoritariamente pela APS, o partido definiu unilateralmente a indicação de candidato a prefeito e vice-prefeito da possível frente, Ivan Valente e Carlos Gianazzi respectivamente. E ainda se nega a dar o tempo de TV que corresponde para a candidatura a vereador do PSTU.

Já nas capitais nordestinas de São Luiz, Aracaju e Natal, onde o PSTU e seus pré-candidatos têm maior expressão social e política, o PSOL se nega a reconhecer este fato. Já lançou pré-candidatos a prefeitos de seu partido, dividindo a frente e reforçando a orientação sectária da maioria de sua direção nacional.

Sabemos que existem importantes diferenças políticas e programáticas entre o PSTU e o PSOL, mas este fato não deve significar que os dois principais partidos que representam a oposição de esquerda ao governo Lula se apresentem divididos nas eleições municipais.

Esta divisão enfraquece a possibilidade de que os explorados e oprimidos tenham uma forte alternativa da esquerda socialista nas eleições. Assim, facilitam o jogo dos partidos aliados do governo Lula e da oposição burguesa, que querem iludir mais uma vez a classe trabalhadora brasileira nas eleições.

Pela unidade da Frente
Diante da ameaça da divisão da Frente de Esquerda em boa parte das principais cidades do país, o PSTU vem insistindo na necessidade de uma reunião nacional entre as direções dos dois partidos.

Além da reunião entre os partidos, é necessário buscar também uma reunião nacional com o PCB. Infelizmente, este partido definiu por candidaturas próprias na maioria das cidades, abandonando a política da Frente de Esquerda de 2006.
Propomos também que sejam realizados nas principais cidades encontros públicos e abertos a militância dos partidos e a ativistas independentes dos movimentos sociais que desejam participar desta campanha.

O objetivo será a garantia da unidade da Frente de Esquerda, que poderá ser atingida com discussões leais e democráticas. As reuniões devem ouvir e consultar as bases dos partidos e dos movimentos sociais envolvidos nela.

Para o PSTU estes encontros devem ser os fóruns privilegiados para resolver as diferenças que estão impedindo a unidade da frente. Dessa forma, pode-se definir os principais pontos do programa, os candidatos e a respectiva distribuição do tempo na TV e no rádio, respeitando o peso social e político de cada partido que a compõe.

Os ativistas de todo o país precisam saber que, caso isso não aconteça e se materialize a divisão da frente de esquerda na maior parte das capitais do país, a responsabilidade será única e exclusivamente da direção do PSOL. O PSTU nesse caso apresentará seus próprios candidatos.

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