Lutar pela Frente de Esquerda nas eleições do Rio de Janeiro

Freixo se recusa a discutir Frente de Esquerda, enquanto negocia com vereadora do PSDB

As eleições municipais do Rio de Janeiro desse ano têm uma importância especial. O futuro prefeito e os vereadores eleitos serão os anfitriões da Copa de Mundo de 2014. Milhares de turistas, emissoras de televisão e chefes de Estado serão recebidos na cidade e todo um gigantesco aparato de controle social já vem sendo montado para o megaevento.

Existe muito interesse envolvido nesse negócio. A FIFA, a CBF e o COL (Comitê Organizador Local) estão determinados a passar por cima de tudo para garantir o lucro máximo das grandes empresas. E o atual prefeito Eduardo Paes, em parceria com o governador Sérgio Cabral (ambos do PMDB) e a presidenta Dilma, está promovendo uma política de higienização social e de repressão às demandas populares para o Rio de Janeiro “não fazer feio lá fora”. Querem passar uma imagem de uma cidade ordeira, domesticada pelas Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs), onde a pobreza seja romantizada, e o seu povo hipnotizado pela cerveja, pelo samba e o futebol.

Paes, para não correr o risco de ficar fora dessa farra, juntou todas as siglas imagináveis em um frente eleitoral que abarca 19 partidos. O PT e o PCdoB também fazem parte dessa turma e dão um fino verniz de esquerda a coligação. Muita gente não sabe, mas a Secretaria Municipal de Habitação é presidida pelo deputado Federal Jorge Bittar (PT). Enquanto os ricos moram em casas cravadas em áreas de preservação ambiental e a prefeitura nada faz, os pobres são humilhados e removidos de suas simples casas com a justificativa que moram em áreas de risco.

Com o mesmo projeto e outra roupagem, César Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) lançam seus respectivos filhos, Rodrigo e Clarissa à prefeitura do Rio. Antes adversários irreconciliáveis, agora melhores amigos, a dupla representa o que há de mais conservador e retrógrado na política carioca.

Um programa a serviço dos trabalhadores e do povo pobre
Os trabalhadores e o povo precisam de transporte eficiente, de qualidade, confortável, climatizado e com preços acessíveis. Casas dignas para morar, rede de saúde e escolar gratuitas e de qualidade. Serviços como água, luz, comunicações, com fornecimento constante e estatal. Saneamento e urbanização das comunidades. Reestatização de serviços que foram transferidos para a incompetente iniciativa privada.

Um programa desse tipo precisa ser apresentado aos trabalhadores e ao povo. Somente o PSOL, o PSTU e o PCB, junto aos movimentos sociais, podem levar essas bandeiras adiante. Por isso, a formação de uma Frente de Esquerda, Classista e Socialista é urgente e necessária. O povo carioca não merece ficar refém da falsa polarização entre Eduardo Paes e Rodrigo Maia.

A Frente de Esquerda está ameaçada
Não foram poucas as iniciativas do PSTU para formar a Frente. Muitas conversas, reuniões, cartas e até mesmo um ato da Câmara Municipal o PSTU impulsionou para fazer valer na prática a política da unidade da esquerda socialista. O próprio Marcelo Freixo e Janira Rocha (presidenta do PSOL-RJ) são testemunhas de nossas tentativas. Estivemos nos gabinetes de ambos para propor um programa que enfrentasse as candidaturas da burguesia. Mas o que recebemos foram respostas evasivas e pouco conclusivas.

Freixo, ao lançar Marcelo Yuka (ex-Rappa) como seu candidato a vice-prefeito fez a seguinte declaração: “Só buscaremos apoio de partidos no segundo turno”. Essa afirmação é muito preocupante e contraditória por dois motivos. Primeiro: o deputado parece não ver a importância de unir aqueles que não se curvaram diante dos encantos dos governos do PT e seus aliados. Além disso, pareceu ignorar todo o esforço do PSTU em conformar uma coligação verdadeiramente alternativa. Segundo: Marcelo Freixo está sim procurando apoio de outros partidos e personalidades influentes da cidade. Mas não dos partidos de esquerda como o PSTU e PCB.

Um arco de alianças perigoso
Foi assim em suas buscas para conseguir apoio do PV de Gabeira e Zequinha Sarney. O mesmo PV que de verde não tem nada e recebe financiamento de empresas que são inimigas do meio ambiente como Aracruz Papel e Celulose, madeireira Madelongo e a mineradora Anglo Gold.

Em seguida, se reuniu também com o deputado federal Romário, que apesar de suas denúncias contra a Lei da Copa, é filiado ao PSB de Cid Gomes, governador do Ceará, que reprimiu brutalmente a greve dos professores do estado. Com certeza o Baixinho era bem melhor dentro de campo do que fora dele.

E foi com enorme preocupação que o PSTU viu na mídia o almoço de Marcelo Freixo com a vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira (PSDB). Andrea é uma figura conhecida na “alta sociedade carioca”, dona de uma fortuna incalculável, assídua das “colunas sociais”. Seu irmão é Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). O resultado do almoço foi o seguinte: Andrea vai se licenciar do PSDB para apoiar Freixo a prefeitura do Rio. “Ele representa a boa prática política, não defende interesses privados e me garantiu que quer colocar sua candidatura a serviço da sociedade” – afirmou a vereadora.

O que Marcelo Freixo e Andrea Gouvêa Vieira têm em comum? Essa resposta só Marcelo poderá dar ao seu eleitor e à militância combativa do PSOL.

Cyro Garcia é pré-candidato a Prefeito do Rio
Sabemos que a Conferência Eleitoral do PSOL votou pela não coligação com o PSTU nas eleições proporcionais. No entanto, não desistimos de construir a Frente de Esquerda, porque acreditamos que é a melhor política para o povo trabalhador da nossa cidade. A pré-candidatura de Cyro será porta-voz dessa política. Caso o PSOL e Freixo estejam dispostos a construir um programa a serviço da classe trabalhadora, não aceitem apoio e financiamento das classes inimigas, e respeitem o peso dos demais partidos de esquerda nas eleições proporcionais, o PSTU será o primeiro a abrir mão de sua pré-candidatura e apoiar Marcelo Freixo a prefeito do Rio de Janeiro.

Com a palavra, os companheiros do PSOL.