Lutar para não virar colônia

Bush foi reeleito. O imperialismo norte-americano vai implementar seu plano de recolonização, não com a cara remoçada de Kerry, mas com sua face já conhecida e repudiada de Bush.

Depois da eleição, Bush determinou o massacre de Faluja, para tentar dobrar a resistência iraquiana. Passadas as eleições, o governo Bush vai retomar as negociações da Alca. O projeto de recolonização mundial do imperialismo norte-americano tem na Alca seu objetivo para a América Latina.

A Alca e o pagamento da dívida externa são faces econômicas desse projeto. A militarização do continente e a criminalização dos movimentos sociais são as garantias para poder dobrar a resistência das massas ao projeto. A Alca vai tornar os países latino-americanos novamente colônias, agora do império norte-americano.

Mas Bush não atua sozinho. Ele apóia-se nos governos subservientes da América Latina. Lula, que considera Bush um “amigo do Brasil”, e torceu por sua vitória nas eleições norte-americanas, é um desses governos.

As reformas neoliberais já aplicadas e as que estão em preparação no Brasil são todas preparatórias para a Alca. Assim foi com a reforma da Previdência no ano passado, assim será com as reformas Sindical e Trabalhista, Universitária, Judiciária, com as PPP, etc. Todas elas feitas sob orientação direta do FMI e do Banco Mundial.

Hoje a presidência das negociações da Alca é compartida entre os governos dos EUA (Bush) e Brasil (Lula). Está para ser marcada a próxima rodada de negociações, prevista inicialmente para ser realizada aqui no Brasil. Correm rumores que seria em janeiro de 2005, mas nada está claro.

A campanha contra a Alca já teve um grande peso no país, quando chegou em 2002 a fazer um plebiscito com 11 milhões de participantes. Depois da posse do governo Lula, uma parte importante das correntes que participam dessa luta, incluindo a direção do MST e os setores de esquerda da Igreja, depositou esperanças que o governo Lula, por meio do Itamarati “progressista”, travasse a Alca. A realidade tem demonstrado o contrário: as negociações seguem, e o governo Lula não se contrapõe ao projeto, apenas negocia melhores condições para os donos das grandes fazendas produtoras de laranja e os industriais do aço. A campanha, desde então, segue, mas sempre com grandes limitações, sem desenvolver o potencial de mobilização já demonstrado no plebiscito de 2002, exatamente pelas expectativas da maioria de sua direção no governo Lula.

Agora, com a reeleição de Bush e a provável retomada das negociações, a campanha está chamada a dar um salto. A Plenária Nacional da Campanha contra a Alca, realizada neste fim de semana em Brasília, apontou para uma Assembléia Continental a ser realizada em janeiro, durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre. Aí também deve ser realizada uma marcha contra a Alca e debatido um calendário de lutas mais concreto.

A marcha que será realizada no dia 25 de novembro em Brasília contra as reformas Universitária e Sindical e Trabalhista, pelo Conlutas, Andes e outros setores, deve se posicionar também contra a Alca, como primeira manifestação nesse sentido depois da reeleição de Bush.

É preciso exigir a retirada imediata do país das negociações da Alca e a realização de um plebiscito oficial para que a população brasileira possa decidir sobre este tema tão importante para a soberania nacional.
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