A luta contra a superexploração das operárias é uma luta de todos

Apesar de as mulheres serem minoria no setor da indústria, sua participação vem crescendo muito. No setor da construção civil, a participação de mulheres, em dez anos, cresceu 128%. Na indústria de transformação, o aumento foi de 76,8%. Ou seja, cada vez mais existem mulheres nos canteiros de obra e nas fábricas. Porém isso não significa um reconhecimento da capacidade da mulher, mas uma necessidade que os patrões têm de utilizar a contratação de mulheres para rebaixar os salários e direitos dos trabalhadores.

A média salarial de mulheres é 30% inferior a dos homens, e o salário das mulheres negras é cerca de um terço do salário de homens brancos. Então os patrões se aproveitam de vários mitos para poder pagar menos as mulheres, como o de sua fragilidade, pouca força física, capacidades específicas etc. Com isso aumenta ainda mais seus lucros, e estabelece um piso rebaixado de salários, o que prejudica todos os trabalhadores.

No setor da indústria, essa diferença salarial se expressa de várias formas. As mulheres, em geral, trabalham em postos desvalorizados, como ajudantes, montadoras, auxiliares. Mesmo que façam a mesma função que um homem, normalmente não conseguem uma classificação profissional e passam a vida toda recebendo um salário mais baixo e, depois, uma aposentadoria ainda pior.

A maioria das mulheres trabalha nos setores da indústria mais precários. Por exemplo, na indústria automobilística, as mulheres são uma pequena minoria nas montadoras. Já nas autopeças, onde os salários são mais baixos, elas estão mais presentes, chegando a ser maioria ou metade em algumas fábricas. Isso faz com que na categoria haja uma brutal diferença salarial entre homens e mulheres.

Com todas as manobras, os patrões saem ganhando, pois diminuem seus gastos com salários e aumentam seus lucros. É preciso que operárias e operários se unam para acabar com essas manobras e com a diferença salarial, pois isso será uma vitória para todos os trabalhadores e trabalhadoras.

Ritmo de trabalho intenso e dupla jornada
A opressão das mulheres, assim como a responsabilidade de várias mulheres em garantir o sustento da família, faz com que, na fábrica, elas sejam mais oprimidas pelos chefes e sofram mais pressão para produzir mais quantidade e com mais qualidade. Além disso, é visto como natural que a mulher realize todo o trabalho doméstico, desde o cuidado com os filhos ao cuidado da casa, sendo condenada a uma dupla jornada.

Essa opressão faz com que muitas mulheres, deixem de ir ao banheiro para garantir uma alta produtividade. Muitas deixam de ir regularmente ao médico para evitar ausências. Mesmo se pudessem, têm muitas dificuldades. Uma trabalhadora de uma refinaria nos conta que para ir ao banheiro feminino tem de pegar até chuva, pois tem poucos banheiros femininos, e os que existem ficam longe. Em muitas fábricas, as mulheres não têm abono do dia de trabalho para levar seus filhos ao médico, independentemente da idade. Todas essas dificuldades provocam inúmeras doenças ocupacionais.

Mas além de uma jornada intensa na fábrica, a mulher ainda usa o tempo fora do trabalho para trabalhar mais em casa e cuidando dos filhos. Isso faz com que ela se afaste dos estudos, da vida social e também da participação nos sindicatos e na política. Os governos e os patrões se beneficiam com essa situação, pois não têm de investir em saúde, educação e serviços públicos como restaurantes públicos e lavanderias, além de manter uma parte de nossa classe passiva.

Juntos, homens e mulheres trabalhadores para transformar a sociedade
A união de homens e mulheres trabalhadoras é determinante para que as lutas sejam vitoriosas. Os patrões e os governos querem que as mulheres não lutem, não discutam política, pois assim deixam nossa classe mais fraca. Mas nós devemos combater a desigualdade, lutando pelos direitos das mulheres. Isso vai fortalecer todos os trabalhadores.

É o capitalismo que alimenta e cultiva o machismo na sociedade, pois deseja explorar sempre mais os trabalhadores, e também mantê-los desunidos. Por isso, uma sociedade socialista é mais que necessária. Ao não haver exploração, não terá necessidade de se oprimir as mulheres, e todos os trabalhadores, homens e mulheres, vão poder contribuir com seu trabalho tendo iguais condições para viver.

Mulheres operárias à Brasília contra o ACE e pela anulação da reforma da Previdência
Com todos esses problemas enfrentados pelas mulheres operárias, os ataques à classe trabalhadora de conjunto não param. Agora, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com o apoio do governo Dilma, está apresentando o Acordo Coletivo Especial (ACE), um projeto de reforma trabalhista que pretende retirar direitos, ameaçando, inclusive, os direitos das mulheres, como licença-maternidade, licença-amamentação etc. Ou seja, se a empresa diz estar em crise, o patrão pode propor reduzir a licença-maternidade para cortar gastos.

A CLT é insuficiente, pois a mulher operária e a classe trabalhadora necessitam conquistar muito mais direitos. Mas a lei é um piso, que poderá deixar de existir, deixando todos os trabalhadores, em especial as mulheres, sujeitos a retirada dos direitos conquistados. Mulheres e homens trabalhadores, devem se unir na luta contra o ACE, em defesa dos direitos das mulheres e, também, pela anulação da reforma da Previdência que foi aprovada com votos comprados do mensalão.

No dia 24 de abril, as mulheres operárias devem se somar a grade marcha em Brasília, contra a retirada de direitos.

O que queremos:

  • Classificação profissional para as mulheres de acordo com sua função
  • Participação igual de mulheres em cursos de especialização e reconhecimento de sua qualificação
  • Salário igual para trabalho igual
  • Abono de dias para levar os filhos ao médico
  • Respeito às necessidades fisiológicas da mulheres
  • Redução da jornada de trabalho para 36 horas e respeito aos limites físicos das trabalhadoras
  • Creches, lavanderias e restaurantes públicos de qualidade e gratuitos