Lula quer entregar o petróleo às multinacionais

Leilão dos poços compromete a soberaniaEnquanto todos os países procuram defender sua soberania na questão do petróleo, Lula insiste em privatizar o nosso. No momento em que fechávamos esta edição, metade das nossas reservas de petróleo poderiam estar sendo entregues de bandeja às multinacionais. Estava marcado, no Rio de Janeiro, um megaleilão de áreas onde a Petrobras já encontrou 6,6 bilhões de barris de petróleo de ótima qualidade, o que corresponde a 50% das reservas nacionais comprovadas.

O petróleo é uma fonte de energia não-renovável. A possibilidade de sua utilização depende da descoberta de novas reservas, que não estão acompanhando o crescimento do consumo em todo o mundo. As reservas provadas mundiais passaram de 1,146 trilhão de barris em 2002 para 1,148 trilhão em dezembro de 2003, uma alta de 0,17%. Enquanto isso, o consumo cresceu a uma taxa muito maior: 2,1%, puxado principalmente pela China (segundo maior consumidor de petróleo).

Também foi descoberto recentemente que multinacionais petrolíferas superestimaram o potencial real de suas reservas, jogando os números para cima para valorizar suas ações no mercado financeiro.

Em 2015, quando, então, deve ocorrer o terceiro choque do petróleo, a projeção das grandes agências é que o barril chegue a US$ 100. Isso é o que explica a corrida petrolífera do imperialismo atrás de nossas jazidas.

E explica também o crime que Lula está cometendo ao tocar em frente os leilões. As regras dessas licitações definem que o petróleo extraído será todo exportado.

Quem ganha são as multinacionais

Ao retirar o controle da Petrobras sobre essas reservas e entregar às multinacionais, essas empresas vão lucrar milhões de dólares exportando nosso óleo em troca de alguns trocados que o governo se encarregará de repassar em dia aos bancos credores internacionais como pagamento da dívida externa. Além de perder as reservas, que podem garantir nossa autonomia e evitar que importemos petróleo, não vamos ver a cor do dinheiro das exportações.

Lula sabe que a maior potência imperial do mundo, os Estados Unidos, estão buscando desesperadamente apoderar-se das produções e das reservas de hidrocarbonetos do planeta. E se coloca como parceiro dessa política de rapina.

A América Latina está entre as regiões do mundo que são o alvo preferencial da voracidade imperialista. A invasão do Iraque, no Oriente Médio, a imposição de bandos mafiosos armados e atitudes separatistas na África, são os outros epicentros do apetite colonialista. Na América Latina, as privatizações e os golpes de Estado na América Latina são as armas de Bush. O referendum realizado no último domingo na Venezuela era uma tentativa de golpe constitucional para ter o controle completo do petróleo venezuelano.

Mas Bush não precisará disparar um só tiro para conseguir o petróleo brasileiro. O governo Lula fará o serviço para Tio Sam.

Lula criticou FHC, mas continua fazendo o mesmo

Essa foi a sexta rodada de licitações. As cinco primeiras, foram feitas no governo FHC. Agora Lula aprofundará essa política, ao entregar metade das reservas.

O governo Lula impede, assim, que o Brasil alcance a auto-suficiência na produção do petróleo. Nossas reservas comprovadas e prováveis, de 16 milhões de barris, poderiam garantir que o país se tornasse autônomo em 2006. Mas a política implantada por Fernando Henrique e confirmada por Lula nos manterá na posição de importadores de petróleo, o que deve se agravar no futuro com o aumento do consumo no país.

O presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras), Heitor Pereira, disse que o governo tem de reavaliar a política das rodadas de licitações. “Mais do que fazer caixa para pagar os juros da dívida, o governo deveria se preocupar com o futuro do país”, lembrou. “Todos nós sabemos que as indústrias petrolíferas aumentam as previsões por uma questão de se valorizar perante o mercado. Ainda há a ameaça de que o volume do estoque do petróleo seja menor do que o anunciado”, acrescentou.

As conseqüências vão além, refletindo-se diretamente no bolso do consumidor. Ao continuar importando petróleo, os preços da gasolina e do óleo diesel vão aumentar, acompanhando a subida forte e inevitável no mercado mundial.

SAIBA MAIS
O que está em jogo na sexta rodada de licitações

1) A Petrobras já encontrou 6,6 bilhões de barris de petróleo de ótima qualidade, o que corresponde a 50% das reservas nacionais comprovadas.

2) Nestes blocos a Petrobrás investiu em 2003 U$ 800 milhões na exploração de petróleo e gás, aumentando em cerca de 5 bilhões de barris as reservas brasileiras. Tudo isso em um período de apenas seis meses, tendo que devolver à ANP as áreas que não tiveram tempo suficiente para serem exploradas.

3) São justamente esses os principais blocos que serão leiloados em agosto e cuja produção terá como destino as exportações, deixando o país vulnerável diante da evasão da reservas de petróleo.
Post author Cecília Toledo, da redação
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