Lucros recordes para banqueiros e empresários, mínimo de fome para os trabalhadores

Neste sábado, dia 1º de março, começa a vigorar o novo salário mínimo, que passa dos atuais R$ 380 para R$ 415. O reajuste irrisório contrasta com os ganhos recordes dos bancos, empresários, assim como o aumento da arrecadação do próprio governoAs centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, festejaram o novo mínimo, classificando o aumento como uma grande “vitória” dos trabalhadores. Não poderia ser diferente. O reajuste faz parte de um acordo estabelecido entre o governo Lula e as centrais em 2006, estabelecendo uma política que, na prática, congela o salário mínimo. Pelo acordo, o mínimo teria uma variação igual à inflação do ano anterior, mais um reajuste referente ao aumento do PIB dos dois anos anteriores.

Tal política intitulada cinicamente de “valorização do salário mínimo”, visa impedir qualquer movimento por um real aumento do mínimo. Assim, enquanto a economia ainda cresce e praticamente todos os setores patronais têm ganhos recordes, o mínimo continua arrochado.

Os bancos, por exemplo, tiveram lucros recordes, crescendo a taxas bem superiores aos 9,2% do mínimo. Só em 2007, o Bradesco teve crescimento de 58,5%, lucrando nada menos que R$ 8 bilhões. O Itaú cresceu ainda mais, 96%, com seu lucro de R$ 8,4 bilhões no período, o maior lucro já obtido por um banco no país em toda a história. Já o lucro do espanhol Santander foi mais “modesto”, de R$ 1,8 bilhão.

“Não sei que tanto tem para reclamar, quando a economia cresce, todo mundo cresce”, chegou a afirmar o economista chefe da Febraban, a Federação Brasileira dos Bancos, Nicolas Tingas. Lula, por sua vez, faz questão de lembrar que não é apenas o setor financeiro que vem tendo lucros estratosféricos. “De vez em quando as pessoas falam: os bancos estão ganhando muito bem. Mas é só pegar a lista dos 500 maiores empresários, escolher o setor, e vamos perceber que todos estão ganhando de forma muito vigorosa”, afirmou o presidente durante reunião com empresários no Palácio do Planalto no último dia 28.

De acordo com levantamento da Economática, as 65 principais empresas com o capital negociado na bolsa tiveram um aumento de 34,6% em seus lucros em 2007. A rentabilidade dessas empresas foi de, em média, 22%, lucrando juntos R$ 22,5 bilhões. Os lucros das multinacionais instaladas no país também impulsionam as remessas para o exterior, que crescem cada vez mais.

Essa é a distribuição de renda democrática do governo Lula. Lucram banqueiros, empresários e ainda os especuladores internacionais, que encontram no país altos juros e isenções de impostos.

Setor público também arrecada mais
Assim como o setor privado, o governo também nunca arrecadou como agora. A receita em impostos cresceu 11,93% em 2007. Só do imposto que incide sobre os lucros das empresas, o CSLL, o governo arrecadou R$ 6 bilhões. Em janeiro deste ano a arrecadação foi recorde. Mesmo sem a CPMF, a arrecadação cresceu 20% em relação ao ano passado, cerca de R$ 62 bilhões.

Isso comprova que, caso o governo Lula desejasse, poderia conceder um aumento bem maior ao salário mínimo. Tanto o setor público quanto o privado teriam plenas condições de suportarem um aumento acima dos meros R$ 35 dado ao mínimo.

Salário dos trabalhadores não cresce
Se os lucros dos bancos, empresas e do próprio governo não pára de crescer, os trabalhadores enfrentam a inflação e o aumento brutal dos produtos da cesta básica, situação que penaliza os mais pobres.

Os alimentos sofreram forte alta no último período. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o preço da cesta básica teve uma alta acumulada de mais de 20%, em nove capitais pesquisadas pelo órgão. O feijão chegou a subir 275% em Fortaleza (CE). Produtos de primeira necessidade como carne, leite e óleo de soja também foram os que mais subiram.

Só o valor da cesta básica na capital paulista, estipulada em R$ 229, representa mais de 50% do novo mínimo de Lula. Para o Dieese, o salário mínimo deveria ser de R$ 1.924,59, a fim de satisfazer as necessidades básicas de uma família, como prescreve a Constituição.