Lenin e o internacionalismo proletário

A concepção leninista de internacionalismo proletário é uma das maiores contribuições ao marxismo revolucionário. Em 1920, durante o 2º Congresso da Internacional Comunista, Lenin expunha suas elaborações sobre o tema: “Qual é a idéia mais importanteDe forma geral, poderíamos dizer que a concepção leninista de internacionalismo proletário abarca os seguinte pontos:

  • 1. A situação mundial se caracteriza pela decadência da economia capitalista e pela superprodução de mercadorias nos países imperialistas.

    Os grandes monopólios de cada país recorrem ao poder do seu próprio Estado para defender seus interesses econômicos. Isso leva a uma luta mais ou menos aberta entre os países imperialistas por novos mercados e pela redistribuição das velhas colônias. A violência contra os países coloniais e as guerras são a conseqüência lógica dessa realidade.

  • 2. A igualdade entre as nações é absolutamente impossível sob o capitalismo.

    Qualquer “organismo internacional”, supostamente “neutro”, criado pelas nações imperialistas, nada mais é do que um instrumento para enganar as massas dos países explorados. Lenin chamava esse tipo de organização de “antro de bandidos”. Passados oitenta anos, o apoio descarado da ONU à ocupação do Iraque demonstra a veracidade da análise leninista. A verdadeira igualdade entre as nações só será possível sob o regime da ditadura mundial do proletariado.

  • 3. Para facilitar sua dominação, o imperialismo mantém uma divisão artificial das nações.

    Em alguns casos, separa em territórios diferentes um mesmo povo (por exemplo, os curdos que estão espalhados por vários países do Oriente Médio) ou, o que é outra face da mesma política, impede que as nações pequenas possam ser independentes das grandes nações (por exemplo, os bascos e os galegos que vivem sob o jugo da dominação espanhola). Como parte da luta contra o imperialismo, o proletariado defende o direito à autodeterminação dos povos, inclusive à sua separação e independência.

  • 4. O objetivo principal de toda a política internacionalista deve ser o de unificar o proletariado de todos os países na luta conjunta contra a burguesia mundial e contra o imperialismo, nosso principal inimigo.

    Não existe força mais reacionária e mais destruidora do que o imperialismo. Independentemente de suas vestes democráticas, o imperialismo é sempre a ditadura dos monopólios. Em caso de enfrentamento entre uma nação imperialista e uma nação colonial ou semi colonial, o proletariado se posicionará (independentemente de quem tenha atacado primeiro) pela vitória da nação oprimida e pela derrota do imperialismo, não importando o quão “democrático” for esse imperialismo e quão “ditatorial” for o regime da nação oprimida. A derrota do imperialismo em qualquer conflito será sempre uma vitória do proletariado mundial.

  • 5. Uma vez tomado o poder, a tarefa fundamental do proletariado vitorioso será a de colocar todos os recursos do novo Estado proletário a serviço da luta revolucionária mundial contra o imperialismo.

    Mesmo tomado o poder de Estado, o proletariado não poderá construir o socialismo de forma isolada em um só país, por mais desenvolvido que seja. A restauração do capitalismo na ex-URSS demonstra com total exatidão esta tese leninista. A ditadura do proletariado pode somente criar as condições necessárias para a construção do socialismo (expropriar a burguesia, desenvolver a indústria etc), mas não pode criar o próprio socialismo pelo fato de que a burguesia mundial continuará firme e forte, podendo a qualquer momento invadir militarmente ou conspirar contra a nação proletária pela volta ao poder da burguesia.

  • 6. A forma privilegiada de união entre as ditaduras proletárias que surgirão em várias partes do globo é a federação voluntária de repúblicas soviéticas livres.

    Somente esse tipo de união poderá acabar com a desconfiança das nações menores com relação às maiores. O proletariado dos grandes países avançados conquistará aos poucos a confiança do proletariado das nações menores. Isso é assim porque a opressão de uma nação sobre a outra envolve fatores culturais e históricos que não se resolvem pela simples tomada do poder, mas sim por uma política consciente de construir condições de igualdade entre as várias nações proletárias. Nesse período de transição, a federação livre (ou seja, a independência de uma nação com relação a outra) é ainda a melhor forma de integração internacional.

  • 7. O proletariado apoiará os movimentos de libertação nacional dos países coloniais e semicoloniais, mas com a condição de completa independência política do partido revolucionário.

    Nessa luta, seus aliados fundamentais são as massas camponesas e a pequena burguesia empobrecida e não a burguesia nacional supostamente “patriótica” ou “progressista”. Essa tese fundamental da concepção leninista foi totalmente prostituída pelo stalinismo que tinha como política permanente o apoio incondicional às burguesias coloniais e semi coloniais por seu suposto caráter “anti-imperialista”. Hoje em dia, essa mesma deturpação stalinista é revivida no Brasil por várias organizações “de esquerda” que insistem em apoiar os setores “produtivos” da burguesia (supostamente patrióticos), opondo-os artificialmente aos setores “especulativo-financeiros”.

  • 8. Em caso de guerra entre países, o proletariado definirá sua posição a partir do caráter de classe da mesma.

    Lutará contra as guerras reacionárias de rapina e apoiará as guerras revolucionárias e anti-imperialistas. De nada serve ao proletariado uma reivindicação de “paz” que não leve em conta o caráter da guerra em curso. Por exemplo, a missão das tropas brasileiras no Haiti é justamente garantir a “paz”, mas uma “paz” muito especial: a “paz” entre o povo explorado e os monopólios, a “paz” da bota de guerra brasileira a serviço do imperialismo americano.

  • 9. O objetivo imediato da política proletária é a derrota da burguesia nacional, a vitória da revolução socialista e a instauração da ditadura do proletariado.

    Ter como objetivo estratégico a revolução proletária mundial não significa deixar de lutar pela derrota da burguesia em cada país. Sem concentrar em suas mãos o poder de Estado, ou seja, sem a instauração da ditadura do proletariado em pelo menos algumas dezenas de países, a classe trabalhadora não poderá derrotar o imperialismo e a burguesia mundial. A revolução proletária em um determinado país é o palco inicial, o primeiro ato da revolução proletária mundial.

  • 10.O internacionalismo proletário de Lenin deixou marcas profundas no movimento revolucionário mundial.

    Seu trabalho incansável para construir um instrumento político mundial teve continuidade no esforço de Trotsky por fundar a IV Internacional em 1938.

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