Leia a íntegra do bate-papo sobre a visita ao Haiti

Internautas conversaram sobre a situação política do país, sobre a cultura do povo haitiano e a continuidade da campanha pela retirada das tropas de ocupação da ONUPara compartilhar a experiência de visitar um país ocupado, o Haiti, mais de 20 internautas participaram do chat desta quinta-feira, 12, que durou uma hora e meia. Foram feitas as mais variadas perguntas sobre a ocupação do país caribenho pelas tropas da ONU – comandadas pelo Brasil –, sobre a situação material, a cultura e os hábitos do povo haitiano.

Para responder, estiveram presentes, desde o início, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, que foi um dos coordenadores da Caravana e acompanhou todos os passos dessa viagem, desde a organização inicial até a volta ao Brasil, e Rodrigo Correia, jornalista que fez a cobertura da viagem, alimentando, diariamente, o blog da Conlutas, Solidariedade ao povo haitiano, com textos, fotos, áudios e um vídeo com os principais momentos da delegação.

Toninho explicou que o interesse em ocupar o Haiti “é absolutamente econômico, para dar respaldo às multinacionais com suas maquiladoras, explorar a mão-de-obra barata através de zonas francas e também produzir no país o etanol que os EUA precisam, através de acordo entre os governos Lula e Bush”. Perguntado sobre o que fazer a partir de agora para ajudar aos haitianos, ele disse que “a idéia é que todos os paises façam a campanha, ou seja, é preciso muita militância, mas é possível vencer”

Rodrigo fez um relato vivo do contato com o povo haitiano nas atividades e nas ruas. “A população luta e faz o que dá. A maioria da população vive do subemprego, vendendo todo tipo de coisas nas ruas: comida, roupas e até remédios”, contou. Para ele, “foi uma experiência muito enriquecedora ter ido ao Haiti, ter contato com os bravos trabalhadores de lá e aprender mais sobre a história de luta deles. Agora, é unirmos forças, aqui no Brasil sobretudo, para reforçar a luta por FORA AS TROPAS BRASILEIRAS E ESTRANGEIRAS DO HAITI”

Eduardo Almeida Neto, da Direção Nacional do PSTU e autor das Cartas ao Haiti, enviadas diariamente durante a viagem, esteve numa parte apenas da conversa, por motivo de trabalho, o que não diminuiu a importância de seus relatos. “Todos da delegação gostariam que vocês compartilhassem não só a experiência, mas a emoção do contato com o povo negro haitiano e sua história revolucionária. Creio que temos um compromisso internacionalista com esta campanha”, disse.

Nícia, também membro da delegação, participou da conversa destacando a importância das mulheres para a resistência à ocupação e à superexploração: “em todas as reuniões que estivemos, havia, talvez, a maioria de mulheres, com intervenções muito fortes”. Ela descreveu algumas situações chocantes que ouviu de trabalhadoras durantes as inúmeras reuniões realizadas. “Nos contaram casos horríveis de violação dos direitos humanos. A maquiladora de Ouanaminthe, por exemplo, vacinou todos os trabalhadores contra o tétano, só que as mulheres grávidas perderam os filhos e as demais têm dificuldades de engravidar”, contou Nícia.

Mais uma vez, o chat foi uma experiência positiva, cumprindo o papel de aproximar os participantes da realidade de um povo que luta e resiste, historicamente, apesar da extrema exploração e opressão em que vive. Na opinião do internauta Igor, “o debate foi, sem sombra de dúvidas, muito bom e espero que possamos repetir essa conversa franca outras vezes”.

Para quem não pôde acompanhar o chat, publicamos na íntegra a conversa a seguir.

Portaldopstu: Boa noite, a tod@s! Estamos começando o bate-papo com alguns membros da delegação que foi ao Haiti prestar solidariedade ao povo daquele país e exigir a retirada das tropas de ocupação da ONU, comandadas pelo Exército brasileiro. Eles saíram do Brasil no dia 26 de junho e permaneceram no país caribenho até 4 de julho. Certamente eles terão muitas histórias para contar dessa viagem.

Diego: Olá a todos

Portaldopstu: A gente vai seguir algumas regrinhas, que são normais em qualquer chat: não serão permitidas ofensas nem palavras de baixo calão ou desrespeito a qualquer participante da conversa. No mais, sintam-se à vontade para perguntar, opinar, fazer críticas, sugestões.

Lucassallas: primeiramente quero dar a saudação a Conlutas por essa viagem totalmente internacionalista em defesa da soberania do povo haitiano e contra a invasão imperialista do brasil e da onu

Portaldopstu: Queremos pedir desculpas aos internautas porque a Dayse não vai estar no chat. Infelizmente, ela teve um imprevisto no movimento em que atua e teve de resolver. O Edu vai entrar mais tarde, pois está no trabalho também, mas deve pegar boa parte da conversa. Vamos começar com o Rodrigo e o Toninho. Gostaríamos de pedir que eles se apresentem rapidamente.

Toninho: boa noite a todos, desculpem a demora,

Rodrigo_Correia: Boa noite.

Lucassallas: gostaria de saber como a população do haiti que mais de 80% da população é desempregada resiste a miséria do país…Existem muitas direções traidoras dos trabalhadores lá?

Lucassallas: aqui no brasil a cut freia as mobilizações contra o lulla e lá quem cumpre esse papel?

Toninho: olha lucas, direção traidora tem em toda parte, no haiti não é diferente. O Preval cumpre este papel

Lucassallas: pelo que acompanhei pelo site do pstu…a expedição ao haiti foi bastante vitoriosa mas assim….aqui no brasil a mídia mais uma vez fez vistas grossas ao movimento

Portaldopstu: Houve um boicote consciente por parte da imprensa burguesa.

Rodrigo_Correia: Lucas, pelo que nós vimos, a população luta e faz o que dá. A maioria da população vive do subemprego, vendendo todo tipo de coisas nas ruas: comida, roupas e até remédios

Toninho: A população resiste a miséria, vendendo de tudo na rua como camelô, também com pequenas plantações, lavando roupa nos rios etc. no entanto lutam muito, contra as tropas por melhores condições de vida, contra Preval

Lucassallas: sei que direções traidoras existem em tudo quanto é lugar mas gostaria de saber se organizações dos trabalhadores lá freiam as lutas como a Cut faz aqui

Diego: Pessoal, seguindo nessa questão do Lucas, o Preval tem base no movimento ou só é apoiado pela ONU?

Netocobra: A resistencia la segue alguma orientaçao revolucionaria e Socialista? Qual o carater da resistência? Obrigado

Toninho: O Preval já teve um apoio bem maior, a medida que aplica os planos do fmi, aposta nas maquiladoras defende a permanencia das tropas este apoio hoje é pequeno

Lucassallas: existe a possibilidade de um ascenso revolucionário hj no haiti? Caso acontecesse qual seria o papel da esquerda revolucionária na américa latina?

Toninho: A resistencia é na luta direta, a principal organização é a Batay Ouvriere, tivemos varias reuniões com eles la no Haiti

Toninho: a possibilidade existe, a forma de apoio é a solidariedade internacional

MarlonRivero: Nao tenho conhecimento das organizaçoes do Haiti. O que significa Preval, o que ela eh e que papel cumpre no pais?

Toninho: a batay é socialista e revolucionaria com bastante respaldo

JeffersonMendez: Boa noite! Li a matéria sobre as represálias e ameaças sofridas pelos companheiros da Batay Ouvriye durante e após a visita da delegação de lutador@s brasileir@s, Desde então como está a situação dos companheiros da Batay Ouvriye? Houve algum fato novo quanto à pressão ou aos ataques da Minustah?

Rodrigo_Correia: Réne Préval é o nome do presidente do Haiti, com quem a delegação se encontrou e lhe entregou a “Carta ao Povo do Haiti”, em que dissemos que queremos as tropas brasileiras fora do Haiti

Lucassallas: assim…pode se dizer que no haiti ainda não estourou uma revolução nos dias atuais por falta de uma direção revolucionária?

Márcia: Como é a situação do povo haitiano, no que diz respeito aos serviços públicos por exemplo?

Toninho: Até agora não houve nova represalia, fizemos a denuncia lá numa coletiva de imprensa também aos embaixadores do Chile e do Brasil, responsabilizando eles e o Preval por qualquer coisa que aconteça com eles

Toninho: praticamente não existe, e pouco que existe o Preval quer privatizar, é tudo muito precario, escola hospitais etc

Netocobra: Por que a chamada esquerda brasileira nao se posiciona contra esse massacre de Bush e Lula

Rodrigo_Correia: Água e luz são itens distantes da população. Só os ricos têm. À noite, pudemos acompanhar as pessoas saindo as ruas com velas, por conta da falta de energia.

Lucassallas: os ricos haitianos vivem em uma região distante das grandes favelas ou é meio misturado?

Netocobra: ou melhor muitos setores da esquerda

Toninho: Lucas, e verdade que faltou direção revolucionaria este é o mal da humanidade. no entanto eles já fizeram uma revolução, a unica de escravos vitoriosa

igor: eu acompanho isso das tropas brasileiras no haiti pela tv e analiso tudo que a midia divulga, apesar de nao serem confiaveis o q a midia divulga mas e o unico modo que tenho de acompanhar, e sendo assim fico meio confuso pois pensei que as tropas estivessem la pra ajudar e nao pra fazer essa trapalhada toda. qual a intençao do governo brasileiro em mandar tropas somente por mandar, e “maquiar” algumas de suas ações?

Ana: Neto, a ausência de crítica é porque apoiam o Lula, que é o responsável pelas tropas

Rodrigo_Correia: Lucas, os ricos, ao contrário do Brasil, vivem em cima dos morros. Embaixo, fica a população pobre. No caminho de Cap-Hatien também vimos as mansões construídas e banhadas pelo mar do Caribe.

JeffersonMendez: Não consegui entender o que o Préval quis dizer ao esconder-se embaixo da mesa ao ser informado sobre o relatório da OAB e os abusos por parte das tropas da Minustah… se de fato era uma brincadeira, não parece uma clara declaração de que de fato sabe o que se passa mas está se omitindo?

Márcia: nesta viagem, ficou mais claro para vcs o que as tropas brasileiras e da onu estão fazendo lá?

Netocobra: o que fazer pra essa discussao ganhar o conjunto da sociedade?

Toninho: igor, na verdade o interesse é absolutamente economico, para dar respaldo as multinacionais com suas maquiladoras, explorar a mão de obra barata através de zonas francas, também produzir no país o etanol que EUA precisa através de acordo com o governo Lula e Bush

Lucassallas: assim houve muita efervescencia com a visita brasileira lá? Antes da delegação da conlutas houve um grande ato repudiando as tropas né?

LuisGenova: olá, queria que falassem um pouco sobre as diferentes correntes revolucionárias (se existem)…tem trotskistas?

Rodrigo_Correia: Jefferson, também fomos surpreendidos com a atitude do presidente Préval, de se esconder embaixo da mesa. Foi uma atitude muito inusitada e estranha. Chegou ao ridículo.

Rodrigo_Correia: chegou ao ridiculo. Isso dá uma mostra de quão seriamente ele recebeu nossas propostas e como ele manda no Haiti.

Toninho: Neto, fazer campanha, atos palestras, amanhã vamos levar uma faixa ao ato do Rio, a conlutas está convocando um encontro latino-americano de trabalhadores em maio de 2008, a idéia é que todos os paises façam a campanha, ou seja, é preciso muita militância, mas é possível vencer

Toninho: Luiz, tem mais é muito pequena, tem também trotskisante

Netocobra: quero parabenizar a Colutas pela atitude internacionalista construida em seu seio. Parabéns

Toninho: Neto, eles também acharam uma atitude muito corajosa, no entanto eles é que são bastante corajosos

Netocobra: se ha opressao somos irmaos. vamos sim mobilizar as bases para o debate e o repudio desmascarando o governo lula e sua corja

JeffersonMendez: Há organizações no Haiti claramente favoráveis à ocupação? Não sei como é esse panorama político no Haiti hoje.

Márcia: vcs tiveram contato com operários lá? como é a situação, salarios, direitos?

LuisGenova: me parece normal que a saída das tropas não seja consenso entre o povo pobre haitiano…deve haver muita confusão e setores miseráveis que defendam a presença das tropas…há de fato essa divisão? há setores pobres iludidos com as tropas?

Toninho: sim ha, porém estão perdendo forças, na verdade de organização por onde andamos só encontramos uma que defendia a permanência

igor: toninho, isso eu compreendi, mas vendo por todos os lados isso pega muito mal pro governo brasileiro, e sera que lula ia querer manchar a sua imagem somente por motivos economicos? ate porque agindo dessa maneira ele abre as portas para que bush faça ainda mais a sua cabeça pq ta na cara que lula age como se fosse um patinho do bush, e um dia essa relaçao “amigável” dos dois pode acabar se tornando uma arma para os e.u.a se apossarem ainda mais do brasil, isso da a entender que isso que lula quer derrubar seu proprio pais mas o q ele ganha com isso sua propria riqueza e o sentimento de traidor de sua patria? pra mim existe muito mais coisa por debaixo do pano e eh no que as pessoas deveriam focalizar

Rodrigo_Correia: Tivemos contato com trabalhadores de diferentes setores, tanto do campo, quanto da cidade. A situação é muito complicada. Os direitos trabalhistas não existem ou se existem não são respeitados. Salários muitos baixos e uma repressão muito grande à organização sindical. Nas maquiladoras, os trabalhadores recebem cerca de 46 dólares por mês, comem num barraco sem paredes e são submetidos a condições análogas à escravidão. Vimos isso ao vivo

Márcia: 46 dólares? para que jornada?

Toninho: igor, o lula na verdade cumpre o que manda o imperialismo, o interesse é absolutamente economico. Também as tropas impedem que o povo de ir para miami, a questão geopolitica também é importante

Rodrigo_Correia: Marcia, cerca de 12 horas diárias.

Gualter: Como os trabalhadores do Brasil podem de fato se solidarizar com os trabalhadores do Haiti? Por meio de atos, paralisaçoes,enfim, como?

AnaCris: Luis… acho que as tropas chegaram ao país sob vários mitos, principalmente por serem comandadas pelo brasil. Mas é cada vez maior a desconfiança do povo, pois a tv e a midia mostram os soldados cortando cabelo das crianças e distribuindo alimentos, mas estão nas favelas reprimindo em ações violentas

Dieg: Existem lutas sindicais a nível nacional ou as mobilizações são mais setorizadas? Contra problemas específicos numa fábrica ou universidade?

Toninho: gualter, com tudo isso principalmente com solidariedade efetiva. uma forma é colher assinatura na carta, vamos continuar a campanha

Toninho: diego, existem lutas nacionais e também muita luta localizada por salario por emprego luta de bairro, luta por terra moradia

andréekarla: o nosso representante da OAB no haiti pretende entregar o relatório também para o governo brasileiro?

Toninho: A historia do haiti é belissima vale a pena ler e conhecer sua historia Os jacobinos Negros é uma excelente leitura

andréekarla: se já foi entregue o relatório, de que forma foi recebido pelo pelego do lula?

igor: toninho, eu concordo plenamente com vc, mas o lula governa o brasil e nao os e.u.a, pq ele iria querer bloquear a passagem do povo para miami? mais uma vez ele age como o patinho do bush, e isso deixa sua imagem no zero total, pelo menos e como eu o vejo atualmente

Toninho: não foi entregue, agora o embaixador brasileiro ao nosso ver é quem manda no Haiti

Rodrigo_Correia: AndréeKarla, o advogado Aderson Bussinger, que representou a OAB no Haiti, vai entregar seu relatório ao Conselho Federal da entidade. A partir daí, o Conselho decidirá quais medidas tomar.

andréekarla: certo

Marcia: No blog vcs dizem que fizeram uma visita ao templo vodu. como foi?

Dieg: E como é a cultura do povo haitiano? Musica, artesanato… Existe similiaridade com alguma região no Brasil?

Toninho: Igor vce tem razão é isso mesmo, o lula é o representante do imperialismo no haiti

LuisGenova: Toninho e Rodrigo, queria dar os parabéns a toda a delegação, à iniciativa da CONLUTAS (outro golaço)…o encontro do ano que vem deve ser outro grande acontecimento internacionalista. parabéns ao Portal do PSTU por mais essa iniciativa…infelizmente tenho que ir…um grande abraço a todos

Toninho: luis outro grande abraço a vc

Portaldopstu: Temos ainda 10 minutos de conversa

Nícia: Nos contaram casos horríveis de violação dos direitos humanos. A maquiladora de Uonaminthe, por exemplo, vacinou todos os trabalhadores contra o tétano, só que as mulheres grávidas perderam os filhos e @s demais tem dificuldades de engravidar. O centro de médicos de lá quis investigar, mas o governo engavetou

andréekarla: que absurdo!

Portaldopstu: Obrigada, Luís!

Gualter: E os sindicatos de lá, como vc poderia caracterizar-los?

Rodrigo_Correia: É uma cultura muito rica. O artesanato é uma arte do povo haitiano, que a utiliza para sobreviver. A música também é uma boa. Pudemos ouvir alguns cantores tradicionais em nossa estadia no Haiti. Outra surpresa foi conhecer o vodu, que se parece com candomble brasileiro, mas não se restringe somente a um aspecto religioso; é algo de diz respeito à própria identidade do povo e sua luta contra os opressores…

Toninho: a principal central é a batay, a estrutura dos sindicatos é absolutamente diferente da nossa.

igor: toninho, lula e o representante do imperalismo, o grande chefao no que da a entender sao os E.U.A mas que garantias o lula tem de que os mesmos serao devidamente gratos?

Rodrigo_Correia: SÓ DESTACANDO: NICIA, PRESENTE NESTE CHAT, TAMBÉM COMPOS A DELEGAÇÃO AO HAITI

Nícia: Houve, ainda, um caso recente de uma repressão a uma greve, onde os seguranças, chefiados por um membro do exercito da república dominicana, que faz divisa com a cidade haitiana, arrancou as roupas de uma grávida e, como estava chovendo, jogou na lama. A Justiça, depois de forte pressão popular (a cidade parou no dia do julgamento, dada a revolta que se apossou de todos) julgou o processo favoravelmente à trabalhadora. Não houve recurso, mas o Diretor das Zonas Francas, que tem um certo status de ministro, orientou o juiz a não executar a sentença, pois isso poderia trazer problemas para os investimentos. E nada foi feito.

andréekarla: já assisti um documentário sobre a ocupação feito pela LIT que mostra estudantes bastante politizados e conscientes das lutas que enfrentam, de que forma vocês viram a participação dos estudantes na luta contra a ocupação e nas demais lutas?

Toninho: A musica regional chama komba tem tudo a ver com o samba e musica caribenha, também tem carnaval em fevereiro, com trio eletrico e pipoca, vimos um carnaval temporão

Nícia: No dia anterior ao debate na Universidade, houve um conflito com a Polícia Nacional do Haiti, que foi expulsa de lá, mas houve feridos.

Dieg: O que desencadeou esse conflito?

Nícia: O debate foi cheio de gente, e gostaram muito da intervenção do nosso companheiro da Conlute.

Nícia: Não sei dizer.

Cilenegadelha: olá pessoal boa noite a todos e parabéns pela viagem e pelo chat. queria saber se em batay ouvriye existe organização de mulheres.

igor: por isso que eu sempre bato nessa mesma tecla, devemos fazer algo antes que lula derrube nosso pais e anconteça aki o mesmo que acontece no haiti, mas eu mesmo me pergunto o que poderemos fazer? como evitar que lula traga o caos total ao Brasil? essa e uma questao que todos nos brasileiros deveriamos analisar

Toninho: A viagem foi realmente um sucesso, eles estão muito gratos vamos levar a campanha pra frente

Nícia: No Batalha Operária, como tb em todas as reuniões q estivemos, havia talvez a maioria de mulheres, com intervenções muito fortes.

Nícia: Aliás, são lideranças.

Nícia: Teve, ainda, um outro caso de uma companheira do Batalha que perdeu os dentes da frente espancada pelo patrão.

Cilenegadelha: nas fotos ficava muito claro a presença das mulheres, muitas vezes fazendo falas nas atividades, e pelo que soube uma parte delas são operárias, isso me impressionou muito positivamente.

Netocobra: como foi pra os camaradas se manejar com o idioma local

Nícia: São operárias, pequenas comerciantes (na verdade camelôs), muitas lideranças populares.

andréekarla: vcs foram recebidos por esses patrões quer dizer monstros?

Netocobra: qual foi a experiencia com a língua?

Portaldopstu: O Edu chegou e está entrando agora. Ele é o autor das Cartas do Haiti.

Gualter: O que mais eles perguntavam sobre nós Brasileiros?

Anon1: Camaradas da Conlutas, vocês tiveram a oportunidade de analisar as escolas haitianas, e se qual a conduta dos professores frente a permanencia do exercito brasileiro?

EduardoAlmeida: Olá todos e todas. Desculpem o atraso. Estava fazendo um plantão no hospital, pagando a viagem.

Nícia: Ali parece a época anterior à revolução industrial, no que tange aos direitos dos trabalhadores. Não falamos com patrões, só com representantes do Governo, Embaixadores e Chefe da Minustah. Na porta da maquiladora de Uonaminthe, havia uma segurança pesada.

Rodrigo_Correia: Neto, a dificuldade com o idioma sempre existe. La, a maioria do povo fala creole. Alguns falam frances, lingua oficial do Haiti. A delegação contou com o apoio dos companheiros do Batalha Operária, que fizeram a tradução.

EduardoAlmeida: Estivemos em duas faculdades, uma dela a maior do Haiti. Tivemos uma recepção nas duas, tanto dos estudantes como dos professores. O reitor da universidade mais importante apresentou a primeira de nossas apresentações no Haiti. É uma pequena amostra, mas valeu.

Nícia: Quando o exercito brasileiro ocupou o Haiti, ficou no prédio novo da Universidade, e só saiu depois de muita exigência. Tivemos contatos com alguns professores e o reitor da Universidade. Houve muita atenção para o que dizíamos, mas não houve um posicionamento claro com respeito à retirada das tropas. Um professor, inclusive, falou que eles deveriam fazer um debate para tirar um posicionamento. Acho que nossa presença vai ajudar isto.

Toninho: No haiti não tem agua nem luz, mas tem muita disposição de luta, são torcedores da seleção brasileira. as ruas estão sempre cheias pois faz muito calor e não tem luz, muitas vezes as pessoas se banham nos rios. mas é um povo altivo e patriotico, o que segundo o embaixador brasileiro é um defeito, nos achamos que neste momento é uma virtude. Eles já derrotaram o exercito da frança, da inglaterra da espanha.

Gualter: Existe alguma liderança revolucionária no haiti ?

andréekarla: Sabe-se que as tropas brasileiras no Haiti já estariam até fazendo treinamento lá para fazer operações nas favelas aqui no Brasil, de que forma vocês viram isso?

igor: existe alguma chance do haiti se recuperar?

Nícia: Acredito que o Batalha é uma. Mas pudemos ver que existem grupos, com posições muito avançadas e claras, mas não tivemos um contato mais profundo.

Nícia: Andréia, já estão fazendo. No morro do alemão no RJ.

Gualter: 70 mortos até agora!

EduardoAlmeida: Sobre o conflito da policia com os estudantes, o que soubemos foi que a polícia haitiana, que é odiada, reprimiu ambulantes que estavam na frente da universidade. Eles se refugiaram no pátio, a polícia invadiu e os estudantes tomaram a defesa dos ambulantes. Houve 5 feridos.

Toninho: o conflito na universidade foi porque a policia PNH, que é odiada, tentou retirar os camelos de frente da faculdade e os estudantes sairam na defesa

AnaCris: igor, eu penso que sim. os haitianos são um povo lutador. fizeram a primeira revolução de escravos vitoriosa da história e lutam até hj por sua soberania

igor: corrigindo existem chances de o haiti voltar pelo menos a situaçao precaria que estava antes das tropas brasileira?

AnaCris: a solução, pra começar, é por as tropas pra fora do Haiti

EduardoAlmeida: So existe uma chance do Haiti se recuperar. Conquistando uma segunda independencia, que teria que ser conquistada contra a ocupação e as tropas estrangeiras, inclusive as brasileiras. Conhecendo a história desse povo, eu afirmo que sim, existe essa chance

igor: anacris, para colocar as tropas pra fora de la eles precisariam de mais ajuda pois o q parece e q o lula nao tem nenhuma intençao de retira-las de la

andréekarla: Vocês colheram depoimentos de soldados brasileiros? eles demonstravam sequer constrangimento ao serem indagados por essa ocupação criminosa?

Marcia: há um elemento racista nesta ocupação? eles usam a identidade cultural com o brasil para manter isso?

Nícia: O povo do Haiti tem uma longa e linda história de lutas. Nós tivemos contato com cerca de 1200 pessoas. Trabalhadores pobres e nenhum pediu ajuda humanitária, mas somente ficaram empolgados de saber que tem brasileiros que não apoiam a ocupação, que exigem a retirada imediata e que podem se solidarizar com a luta deles.

Nícia: Não colhemos, mas o livro “Um soldado brasileiro no haiti” mostra a vergonha que sentiam. Aqui na nossa região tem muitos soldados que já voltaram e ninguém quer voltar para lá. Embora não toquem no assunto, acho que não podem, comentam com conhecidos que nos falam.

EduardoAlmeida: Seguranmente usam a identidade cultural com o Brasil. A resistencia seria muito maior se fossem tropas norte americanas. Eles adoram o Brasil, sua cultura, seu futebol. O que Lula está fazendo é uma manobra consciente, usa isso a serviço de Bush.

Nícia: Acho inclusive que existe um espaço para uma discussão com esses soldados, pois o que fazemos lá é o mesmo que Bush faz no Iraque.

JeffersonMendez: Soube da história de que um dos companheiros da delegação, andando sozinho, por ser branco era visto com desconfiança, por causa da identificação com a Minustah. Somando à pergunta da Márcia, como é esta utilização por parte das tropas da questão racial?

Nícia: Eu me sentia assim. Na rua, com vergonha de ser brasileira.

Toninho: Marcia sem duvida existe o componente racista, é a elite branca mundial contra um povo negro que teve a ousadia de fazer uma revolução isto a elite nunca perdoou, o haiti sempre foi ocupado ou teve representante fantoche, a frança para retirar os embargos cobrou 150 milhões de francos os eua robaram o ouro do banco central na ocupação de 1915

andréekarla: Há alguma multinacional brasileira explorando os trabalhadores do Haiti?

Anon1: a combatividade do povo haitiano ficou evidente em todos os relatos que a caravana fez de sua visita ao país, ficou evidente que a permanencia das tropas no Haiti é um projeto imperialista, uma ameaça a soberania do povo, destroi dignidades,Como vcs acham que a população brasileira esta enxergando a ocupação ?

Anon1: permanencia das tropas?

Nícia: Andréia, o filho do José Alencar esteve lá para implantar uma indústria deles lá. A Zona Franca Haitiana, com os salários miseráveis, servirá, também para criar desemprego no Brasil e rebaixar nossos salários aqui.

Gualter: !!!!!

igor: atualmente acho que a maioria dos brasileiros tem vergonha de ser, mas acho que deveriamos ter orgulho de nossa raça e lutar para mudar a nossa imagem pois nem todos nos brasileiros temos a visao imperalista de lula

Toninho: a população brasileira ainda não conhece o real objetivo pensa que é assistencialismo, mas de assistencialismo não tem nada é repressão mesmo.

EduardoAlmeida: O povo brasileiro, infelizmente, ainda acredita de que se trata de uma ocupação com fins humanitários. Será tarefa de todos nós explicar pacientemente que usam a pobreza haitiana como uma fonte de lucros para produzir a custos baixissimos para o mercado americano.

Portaldopstu: Pessoal, acabamos estourando um pouco o tempo. Temos mais cinco minutos para as últimas perguntas

EduardoAlmeida: A ocupação militar serve a um objetivo economico, friamente planejado, de instalar 18 zonas francas. Isso o povo brasileiro não sabe. E existe um bloqueio na imprensa burguesa.

Gualter: E a conlute o que palneja fazer??

igor: pq os brasileiros pensam dessa forma? eu tenho a resposta e o que a midia divulga temos de divulgar a realidade como pudermos

Nícia: A viagem foi uma tremenda experiência de vida e uma amostra do que a classe trabalhadora é capaz. Apaixonante.

EduardoAlmeida: A Conlute esteve representada com o Soto. Junto com a Conlutas está preparando as palestras e a campanha. Será importante que as entidades estudantis se somem à campanha, votando a Carta que levamos para o Haiti e que será reenviada em agosto.

Toninho: Valeu a pena o debate, podemos marcar outros quem sabe em outro horario. E vamos a luta Um abraço a todos. a viagem foi uma grande experiencia, e estreitamos laços com o povo e com o Batay ouvriye

andréekarla: Edu de que forma vc vê o trabalho de ongs do mundo inteiro no haiti como trabalhos médicos e assistencialistas de uma forma geral?

Rodrigo_Correia: Neste final de bate-papo, queria dizer que foi uma experiência muito enriquecedora ter ido ao Haiti, ter contato com os bravos trabalhadores de lá e aprender mais sobre a história de luta deles. Agora, é unirmos forças, aqui no Brasil sobretudo, para reforçar a luta por FORA AS TROPAS BRASILEIRAS E ESTRANGEIRAS DO HAITI

Gualter: é isso ai so a luta muda a vida!!!!!!!!!!

Anon1: Valeu lutadores da conlutas por representar o brasil no haiti!

Gualter: valeu!!!!!!!!

andréekarla: parabéns à toda delegação da CONLUTAS e ao PSTU!!!

Rodrigo_Correia: “FORA JÁ, FORA JÁ, DAQUI. BUSH DO IRAQUE. E LULA DO HAITI”, foi também o que gritamos lá.

EduardoAlmeida: Um abraço enorme a todos e todas. Todos da delegação gostariam que vocês compartilhassem não só a experiência, mas a emoção do contato com o povo negro haitiano e sua história revolucionária. Creio que temos um compromisso internacionalista com esta campanha. Um abraço a todos e todas.

igor: o debate foi sem sombra de duvidas muito bom espero que possamos repetir essa conversa franca outras vezes

igor: abraçao pra todos

Portaldopstu: Pessoal, infelizmente vamos ter de encerrar o bate-papo… mas a gente sabe que essa conversa não acaba por aqui. O Opinião Socialista desta semana traz um especial de cinco páginas sobre a viagem, a história da luta dos haitianos… O Especial sobre Haiti também continua aqui no Portal. Acessem. Entrem em contato com a gente para continuar esse e outros debates!

Gualter: ja garanti o meu!

Toninho: beijos e abraços

Nícia: Um forte abraço a todos.

Rodrigo_Correia: Um abraço a todos!

andréekarla: o chat no PORTAL DO PSTU já um sucesso, abraços revolucionarios a todos q fazem o portal, o partido e participam das discussoes!!!

EduardoAlmeida: Sobre a pergunta das ONGs, que acabei de ver: A maior parte delas faz parte do esquema de dominação, atraindo muitas pessoas dedicadas para missões humanitarias que não resolvem nada a não ser tentar dar uma cara menos suja à ocupação.

Portaldopstu: Obrigada! Esperamos todos vcs no próximo chat e nas lutas com a gente!

EduardoAlmeida: Mais uma vez um abração