Kyoto entra em vigor, mas só no papel

Entrou em vigor na última quarta feira, dia 15, o primeiro acordo mundial contra o aquecimento global. O Protocolo de Kyoto, como ficou conhecido, prevê um tímido corte de gases relacionados ao efeito estufa. Mesmo assim o maior poluidor do planeta, os EsEm 1997, na cidade de Kyoto, no Japão, em uma reunião promovida pela ONU, foi negociada entre as nações participantes a adoção de acordo para tentar conter o aumento da temperatura do planeta. O aquecimento global é, provocado, principalmente, pelo aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera; causado pela queima de petróleo, carvão mineral e gás. Sob protestos de alguns ambientalistas, o protocolo tentava estabelecer metas extremamente insuficientes para conter o aquecimento, pedindo que países industrializados, entre 2008 e 2012, diminuam em 5,2% a quantidade de gás carbônico jogada na atmosfera, em relação aos índices medidos em 1990. Estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) recomendam que a emissão destes gases seja reduzida em 60%, de modo a assegurar um efetivo combate ao aquecimento do planeta.

Mesmo rebaixado, o acordo foi motivo de muita controvérsia entre os países ricos, que são historicamente os maiores poluidores do planeta. As nações que compõem a União Européia, por exemplo, disseram que vão cumprir as metas até 2012, mas não garantem nada para depois deste prazo. Já o imperialismo norte-americano, responsável por 25% da emissão dos gases poluentes no planeta, decidiu não aderir ao acordo.

Planeta “estufa”
As modificações no meio-ambiente são provocadas pela ação do homem. Mas, no século passado, o desenvolvimento do capitalismo ocasionou uma desastrosa degradação. O dióxido de carbono é o maior responsável pelo aquecimento do planeta. O excesso desse gás na atmosfera é resultado da queima de combustíveis fósseis, que aumentou 25% nos últimos cem anos. Nesse mesmo período, de acordo com o IPCC, a temperatura do planeta subiu entre 0,4 a 0,8 ºC, sendo que as últimas décadas foram as mais quentes do século.

No Brasil, os maiores responsáveis pela emissão desse gás são os desmatamentos e queimadas promovidas, especialmente na selva amazônica, pelo avanço destruidor de madeireiros e do agronegócio.

Nunca, em toda a sua história, o capitalismo destruiu de forma tão agressiva a natureza como agora. Está em curso uma destruição do meio ambiente em escala global. De acordo com os cientistas do IPCC, a temperatura na superfície da Terra vai aumentar entre 2 a 4,5ºC até o ano de 2100. Os efeitos desse aquecimento poderão causar efeitos extremos sobre o clima. Furacões, enchentes e secas acontecerão com maior freqüência. O aumento da temperatura também derrete o gelo acumulado nas calotas polares e nas montanhas, aumentando assim o nível dos oceanos. O IPCC prevê que esse acréscimo pode chegar a 90 cm, o suficiente para riscar cidades inteiras do mapa. Obviamente que as populações dos países pobres sofrerão mais com essa devastação.

Acordo fica só papel
Apesar de toda a pompa que envolveu o anúncio do Protocolo de Kyoto, o acordo já nasce sem valor. Com ausência dos EUA, nem mesmo as tímidas metas anunciadas poderão ser cumpridas. A destruição da natureza vai seguir, com projeções nada otimistas para o futuro da humanidade. Enquanto houver a necessidade do lucro capitalista, propostas de reformas ambientais como Kyoto serão inúteis e ficarão somente no papel. Uma luta séria contra as agressões ao meio-ambiente deve se desenvolver contra os maiores destruidores do planeta, as nações imperialistas.