Juventude que não se vendeu grita: fora Sarney!

Nos dias 12 e 13 de setembro, ANEL organiza sua primeira assembleia nacional no calor das lutas do “Fora Sarney” e na defesa da educaçãoNo último dia 27, estudantes ocuparam as ruas de várias capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, para exigir o “Fora Sarney!”. Com caras pintadas, caixas de pizzas, faixas, adesivos e muita animação, os estudantes protagonizavam cenas que resgatavam, mais por seu conteúdo do que pelas proporções, as históricas manifestações da juventude brasileira que impuseram o impedimento do então presidente Fernando Collor. A UNE, como era de se esperar, desta vez não estava presente.

Uma ausência vergonhosa
A ausência da UNE nos atos do “Fora Sarney” encontra sua explicação no atrelamento desta entidade com o Governo Federal. A UNE que protagonizou o Fora Collor, a luta pelas diretas e foi vanguarda na construção da greve geral que se enfrentou com o próprio governo de Sarney nos anos 80, não existe mais. Atrelada ao governo Lula, a UNE ficou a favor de Sarney, manchou sua história e, em mais um episódio lamentável, jogou o que restava de seus princípios no lixo.

Em um momento em que a sociedade brasileira de conjunto se escandaliza, não apenas com os atos de corrupção no Senado como também com a não menos escandalosa operação abafa orquestrada pelo governo e a oposição de direita, a UNE empresta sua história a este desprestigioso papel: a defesa do coronel e chefe da quadrilha do Senado.

Tem dinheiro pro Sarney mas não tem pra educação
O Senado Federal é uma instituição conservadora e reacionária, cheia de privilégios. O critério da composição das cadeiras da casa não está associado à representação da população de cada estado. O mandato é de oito anos, e eles ainda recebem aposentadoria vitalícia em valores obscenos.

As eleições para o Senado possuem um controle ainda mais anti-democrático do que as eleições para deputados. Não bastasse a manipulação da mídia e a arbitrariedade dos financiamentos das grandes empresas, o Senado tem sua renovação extremamente controlada. Se na eleição anterior se “renovou” 2/3 do Senado, na próxima eleição se renovará apenas 1/3. Assim, mais do que qualquer outra instituição da democracia dos ricos, o Senado possui mecanismos para conservar as velhas oligarquias no poder.
Recentemente, os trabalhadores e a juventude do país receberam a triste notícia de que os coronéis do Senado tratavam esta instituição como mais um de seus latifúndios. Distribuindo lotes entre parentes e aprovando legislações que atacam a classe trabalhadora e a juventude, o coronelato capitaneado por Sarney vive a vida impunemente.

O orçamento da União destina para esta inútil instituição a assombrosa soma de R$ 2,7 bilhões para encher os bolsos de Sarney e cia. Este valor ficou faltando no orçamento da Educação. É isso mesmo. Lula, conivente com toda a tramóia, cortou mais de R$ 2 bilhões da Educação, quase o mesmo valor que o Senado segue gastando, entre ajuda a namorados de netas e outros atos secretos.

Lula, cara de pau tá com Sarney no Senado federal
O presidente Lula desde o primeiro minuto saiu em defesa de Sarney. Começou afirmando que ele não era uma pessoa normal. Concordamos com isso, mas por outros motivos. Lula mostrou ser cara-de-pau, defendendo Sarney seja publicamente, ou pelos bastidores. Quando o assunto começou a atingir sua popularidade, “orientou” a bancada do PT a mais uma vez dar um voto de confiança para a corrupção.

Talvez o presidente e sua trupe pensassem que não haveria reação. Afinal de contas, no meio do escândalo a UNE deu mostras de obediência, celebrando a candidatura Dilma em seu congresso e calando-se sobre Sarney. Esqueceram-se, Sarney e o presidente, que a UNE não é mais a única entidade do movimento estudantil brasileiro.

Nas ruas, nas praças quem disse que sumiu?
As manifestações convocadas por estudantes comprometidos com a construção da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre), se somaram a diversas outras manifestações que surgiram espontaneamente contra a corrupção. Os atos reuniram centenas de estudantes em todo o país que, embora fossem poucos, contavam com a simpatia de milhares.

Agora a operação abafa tenta impedir a repercussão destas ações e o desenvolvimento da luta. Mas, muitas águas ainda vão rolar. Enquanto a pizza está assando no Senado, a batata da Educação está assando diante da crise econômica. Já foram mais de R$ 2 bilhões cortados do orçamento da Educação, e o ministro Haddad ao se referir às verbas do REUNI, acabou de anunciar, de forma tragicômica que “o dinheiro acabou!”. A redução na arrecadação de impostos através da isenção do IPI e outros mecanismos de oferta de crédito para as empresas apontam para mais cortes em um futuro não muito distante. É Haddad, o dinheiro, que já era pouco, acabou. Bem, a gente tem que dizer que avisou.

Mas, a verdade é que ainda tem dinheiro. Ah, tem! Tanto tem que, vejam só, o governo acabou de abrir uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para financiar a Educação através do BNDES! A má notícia é que o crédito só vale para as universidades privadas. Ou seja, acabou o dinheiro da educação pública, mas para os empresários da Educação tem dinheiro de sobra. Tristeza.

A parte boa é que nos dias 12 e 13 de setembro, na sede do DCE da USP, dezenas de delegados de centros acadêmicos, grêmios, DCE’s e Executivas de Curso de todo o país vão estar se reunindo para avançar na organização das lutas. A primeira Assembléia da ANEL será sem dúvida um momento único para seguirmos em frente com estas discussões. E é claro, transformar tudo isso em luta. Então, fica o convite. Nos vemos nas lutas.

Post author Bruno Machion, da Secretaria Nacional de Juventude do PSTU
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