Alvanei Xirixana, presente! Hoje e sempre!

Leonardo Medeiros, do Rebeldia Palhoça (SC)

No dia 9 de abril morreu um jovem yanomami de 15 anos que passou 21 dias, entre hospitais e posto de saúde, com os sintomas do novo coronavírus e sem ter acesso ao teste.  Quando era tarde demais para salvar sua vida, foi internado na UTI do Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Novamente, vemos que as medidas propostas pelos governos não foram e não são capazes de impedir o aumento da miséria e das mortes dos mais pobres e dos trabalhadores. Em tempos de crise humanitária, a cegueira social dos governos fica evidente e principalmente o desamparo aos povos indígenas.

Nessa situação de novo coronavírus, os ataques sofridos pelos indígenas, bem como o silêncio dos governos, faz com que a situação das Secretarias Especiais de Saúde Indígena (Sesai), estejam mal equipadas e sem nenhum recurso. Ou seja, não vão impedir um verdadeiro extermínio.

A Comissão Pastoral da Terra mostra que os povos originários que já sofrem ameaças por ocupar áreas de interesse do agronegócio e mineração, ficam ainda mais vulneráveis durante a quarentena do coronavírus, pois temem a contaminação proposital por parte dos agressores que têm aproveitado da conjuntura para aprofundar as perseguições aos indígenas. Estamos vendo o afastamento dos órgãos governamentais das terras indígenas, como uma carta branca do Governo Federal para promover um verdadeiro genocídio do povo.

Neste início de abril, mesmo na situação de pandemia, o governo federal liberou 46 agrotóxicos, aumentando os riscos de contaminação da água e do solo, situação alarmante vivida pelos Guaranis Kaiowás no Mato Grosso do Sul, tendo seus meios de sobrevivência contaminados pelos venenos.

Além disso, a MP da Grilagem continua em andamento, para garantir o extermínio dos indígenas e o desmatamento da floresta a serviço dos magnatas.  O extermínio não vem apenas através dos agrotóxicos ou da contaminação, mas também através dos assassinatos e perseguições.  Os indígenas Xavante, no Mato Grosso, estão sendo constantemente atacados pelos jagunços do agronegócio. Os Guajajaras tiveram várias lideranças assassinadas, entre eles Zezico Guajajara, morto no dia 31 de março. Na comunidade Macaúba, no município de Catalão, 25 famílias estão em risco de serem despejadas por uma mineradora a Mosaic/Vale Fertilizantes S/A. Esses são alguns exemplos de que o agronegócio e os grandes capitalistas se aproveitam da pandemia para aprofundar o extermínio das comunidades indígenas a serviço de seus lucros.

Bolsonaro e o capitalismo são promotores do vírus e do genocídio indígena!

O governo Bolsonaro é cúmplice de todo esse genocídio dos povos indígenas. Desde o início de seu governo, ele já deixou evidente que os povos originários eram seus inimigos. Além disso, o governo não promoveu nenhuma medida de combate ao desmatamento na Amazônia, na verdade fez justamente o contrário, só buscou favorecer o agronegócio e os latifundiários.  Não só Bolsonaro, mas o capitalismo também promove ataques ao meio ambiente todos os dias, através da política predatória dos recursos naturais para promover o lucro das empresas e dos latifundiários.  É por isso, inclusive, que estamos vivendo a crise do coronavirus atualmente

Para garantir a vida dos povos originários precisamos botar para fora urgentemente Bolsonaro e Mourão.  Precisamos defender a floresta, as tradições indígenas e seu modo de viver, sem desmatamento, cuidando e preservando a mata. Como nos ensinam os povos indígenas: é possível garantir uma terra livre de doenças e calamidades.

Entretanto, a verdade é que o que interessa o sistema capitalista é o genocídio, a apropriação das terras e das riquezas. Dessa forma, para garantir os interesses dos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, é preciso se confrontar diretamente com o governo, o agronegócio, os latifundiários e as mineradoras!  Apenas uma outra organização econômica de sociedade, uma sociedade socialista, pode mudar a relação que existe com o meio ambiente.

É preciso construir uma nova sociedade, com respeito e atenção à diversidade, através da produção planificada que atenda nossas necessidades mais humanas, e que os povos nativos tenham direito a seu território, sua cultura, seu espírito e sua auto-organização!