João Pessoa vira praça de guerra por causa de repressão aos camelôs

Desde a quinta-feira, dia 7, que a população de João Pessoa assiste, perplexa e revoltada, a atuação do Prefeito Ricardo Coutinho (PSB) com relação aos camelôs do centro da cidade. Desde essa data, João Pessoa tem assistido, cotidianamente, protestos dos camelôs de um lado querendo trabalhar e ganhar a vida dignamente e, de outro, a Guarda Municipal armada a mando da Prefeitura prendendo as mercadorias dos ambulantes e agredindo homens, mulheres e pessoas de idade. Houve agressões a um menor e a um senhor de 70 anos, ambos camelôs, e à presidente da Cooperativa dos Ambulantes, Maria José, feitos pelo diretor da SEDURB (Sec. de Desenvolvimento Urbano), Elísio Franca.

PROMESSAS DE CAMPANHA FORAM PARA O ESPAÇO
Ricardo Coutinho construiu uma aliança, em 2004, com o PMDB dos senadores Zé Maranhão e Ney Suassuna, inimigos históricos da classe trabalhadora paraibana, assim como o atual governador, Cássio Cunha Lima (PSDB). Desde essa época, Ricardo Coutinho começou sua guinada à direita, abandonando, como Lula e o PT fizeram, suas bandeiras históricas, que o levaram a receber a confiança dos trabalhadores e trabalhadoras. É sempre assim com esses políticos: nas campanhas, prometem o céu para os trabalhadores, quando chegam lá, mostram sua verdadeira cara, traindo aqueles que confiaram em suas falsas promessas. Em 2004, Ricardo Coutinho disse, perante os camelôs, que “lugar de camelô é na rua” e, agora, manda a Guarda Municipal perseguir e bater nos ambulantes. Agindo assim, Ricardo Coutinho não se diferencia em nada de Paulo Maluf, FHC, Collor, Quércia, Sarney, Zé Dirceu, Lula e tantos outros que vivem de enganar a boa fé da classe trabalhadora.

MOVIMENTO SE AMPLIA E GANHA APOIO DA SOCIEDADE
Na segunda-feira, 11 de julho, a luta dos camelôs ampliou-se com a construção do Comitê de Apoio à Luta dos Ambulantes. Esse comitê, que tem se reunido quase todos os dias para encaminhar a luta, é constituído atualmente por sindicatos de trabalhadores, entidades estudantis e do movimento popular como um todo. A CONLUTAS, a CONLUTE e o PSTU estão desde o primeiro dia neste comitê, ajudando a construir a luta justa desses trabalhadores e trabalhadoras. O comitê, como o próprio nome diz, pretende dar todo o suporte necessário para as lutas dos ambulantes, mas quem decide seus destinos são os ambulantes em seus fóruns reunidos.

PREFEITURA SE NEGA A NEGOCIAR COM O MOVIMENTO
A Prefeitura, desde o início da luta, tem adotado uma tática de se recusar, terminantemente, a negociar com o movimento. Não aceita nenhuma proposta encaminhada pelos ambulantes e o Comitê. Pensava, com isso, em enfraquecer o movimento. Só que a postura demonstrada pelos ambulantes ao longo de toda essa luta ganhou o apoio da sociedade pessoense e isso tem deixado Ricardo Coutinho e seus auxiliares diretos, como Simão Almeida (PCdoB), irritadíssimos. Agora, passaram a atacar o Comitê de Apoio classificando-o de ter interesses “políticos partidários”. Tenta, assim, desviar o foco da situação, procurando dessa maneira esconder a responsabilidade direta da Prefeitura com o estado de “praça de guerra” que virou o centro da cidade. E a tendência é que a situação piore ainda mais, caso a Prefeitura não negocie uma saída justa para o movimento.

Simão Almeida pediu paciência aos camelôs nessa hora. É muito confortável para uma pessoa que ganha R$ 7.500 por mês vir pedir paciência aos camelôs quando manda a Guarda Municipal agredir trabalhador e com pessoas que estão nessa vida sofrida de camelô em virtude do desemprego e da política econômica praticada pelo governo Lula/FMI, que Ricardo Coutinho e Simão Almeida apóiam, incondicionalmente

MOVIMENTO TEM PROPOSTAS
Os ambulantes querem permanecer na rua Miguel Couto, no centro de João Pessoa, para serem relocados posteriormente para o Centro Comercial (camelódromo) que a Prefeitura pretende construir próximo à Rodoviária. Enquanto isso, querem continuar nessa rua comercializando e ganhando seu dinheiro. E o prefeito Ricardo Coutinho se nega a aceitar tal acordo.