“Independência de classe é o ponto fundamental”

Após o encerramento do ato, o Opinião entrevistou Angel Luis Parras, dirigente do PRT espanhol e operário da construção civil, que falou no evento em nome da direção da LIT.

Opinião Socialista – Gostaria que você falasse um pouco sobre a importância deste ato para a Internacional.

Angel Luis Parras – O ato foi importantíssimo, principalmente por dois motivos. Primeiro, como homenagem a Moreno, 20 anos depois. Segundo, para marcar um novo momento da LIT e da luta pela reconstrução da Internacional e da Quarta. Estes eram, de certa forma, nossos dois objetivos centrais.

Opinião – Em sua fala você destacou a importância do ato em si, não só pela homenagem a Moreno, mas também por ele apontar em direção a uma necessidade fundamental da classe operária: a reconstrução da IV Internacional

Parras – Um exemplo dessa importância é o que dizia o próprio Trotsky. O homem que fez a primeira revolução mundial, que dirigiu juntamente com Lenin, o primeiro Estado operário, que organizou o exército vermelho contra dezenas de estados inimigos, disse no final de sua vida que a maior e mais importante obra sua foi a fundação da Quarta Internacional, que reunia na época cinco mil militantes.

Opinião – No fechamento do ato, você acabou de falar sobre as três grandes lições que Moreno deixou como legado para os partidos da LIT. Você poderia sintetizá-las, destacando como elas se aplicam na atual realidade, principalmente no que se refere ao processo de construção da LIT e reconstrução da Quarta Internacional?

Parras – A primeira questão é a posição dos revolucionários sobre a Democracia Burguesa. Os reformistas medem seus êxitos e fracassos pelo número de votos que obtêm, e não pelo número de operários que possuem nas suas fileiras. Para eles todas as tarefas da classe estão subordinadas às eleições. Segundo, a posição dos revolucionários frente aos governos e ao Estado. Reformistas e, inclusive, trotskistas se incorporaram a governos burgueses, como os de Lula e Prodi (Itália).

Por fim, é preciso responder quem nos conduzirá ao socialismo. Não se pode acreditar que as Forças Armadas possam conduzir os trabalhadores ao socialismo, como muitos acreditam que o coronel Chávez irá fazer. Isso nunca aconteceu e nem vai acontecer na história. Por tanto é um crime chamar os trabalhadores a se subordinar às Forças Armadas.

As três linhas divisórias que eu apontei, em nome da direção da LIT, têm um elemento comum, que as unifica: uma política de independência. É isto que resume tudo. O problema é que há uma posição de “desclassamento” geral, dentro da esquerda, inclusive dentro das correntes trotskistas. Então, dos três elementos aos quais eu me referi, este é o elemento mais importante: a classe operária e sua independência de classe é o ponto central. E esta é a essência de Moreno.

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