Haiti: eleições preocupam e missão pode se estender por quatro anos

A missão da ONU no Haiti (Minustah), que já ocupa o país há um ano e meio, sob o comando do governo Lula, deve iniciar mudanças em setembro para tentar reforçar a segurança da capital, Porto Príncipe. A principal razão para o reforço são as eleições, cujo primeiro turno está previsto para ocorrer em novembro.

Pra garantir o operativo, serão enviados mais 750 soldados jordanianos. O aumento de tropas da ONU, de 6.700 para 7.500 militares, foi autorizado pelo Conselho de Segurança em junho, em razão do aumento de seqüestros e da violência entre gangues na região da capital.

O general Urano Teixeira da Matta vai substituir, a partir do dia 31, o general Augusto Heleno Ribeiro, que comandou a ocupação no Haiti por quase um ano e meio. Antes de assumir o posto e liderar os 1.200 brasileiros e o restante da missão, Urano já admitiu que a garantia das eleições será a parte “crítica“ do trabalho.

A preocupação do general se pauta nos possíveis conflitos com rebeldes do país, a exemplo da resistência que ocorreu no Iraque que se intensificou no período da farsa das eleições impostas pelo Imperialismo. Como o Brasil se mira no exemplo dos EUA para fazer seu dever de casa e garantir a ocupação do Haiti, já se sabe que pode haver revoltas e violência. Sobre a onda de seqüestros que ocorre no país, Urano disse que “é totalmente improvável que eles acabem”.

O general deu a entender que a polícia será usada para garantir a imposição do processo eleitoral. “A missão tem trabalhado com a polícia de tal maneira a viabilizar a realização das eleições”, afirmou Urano.

Prorrogação
O enviado especial da ONU ao Haiti, o chileno Juan Gabriel Valdés, deu declarações nesta semana dizendo que as tropas que ocupam o Haiti devem ficar no país por mais quatro anos. Apesar disso, ele disse que essa era uma opinião pessoal sua.

Demonstrando que a implementação das eleições será uma clara imposição da ONU, Valdés descartou o adiamento do pleito, previsto para o final do ano. A idéia tem sido defendida por alguns analistas, que consideram que não há condições de segurança para pleitos transparentes, devido ao crescimento de conflitos e seqüestros na capital.

A ocupação no país caminha agora para um processo semelhante ao que foram as eleições do Iraque: um processo imposto, anti-democrático, uma farsa para respaldar e mascarar a invasão imperialista de um país. O medo dos exércitos ocupantes, neste caso, o comandado por Lula e o PT, é de que a resistência local também se assemelhe à dos iraquianos.