Greves continuam com força no Egito

Enquanto isso, militares reprimem protestos na Praça TahrirA onda de greves que começou a partir das mobilizações que derrubaram Mubarak continua incomodando o governo provisório egípcio, formado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas. No último dia 1°, novas categorias entraram em greve, enquanto outras, que já tinham parado, deram demonstrações de força. No Cairo, mais de mil trabalhadores da indústria farmacêutica realizaram um protesto exigindo melhor remuneração e condições de trabalho e de luta contra a corrupção. Os trabalhadores começaram a protestar no dia 27 de fevereiro, exigindo a demissão do conselho da companhia, composto por diretores corruptos ligados à ditadura de Mubarak, e também reivindicam contratos permanentes de trabalho.

Já na indústria têxtil, mais de 300 trabalhadores da Samuel Tex, empresa que produz roupa de cama, anunciaram uma greve para exigir o pagamento de seus salários, melhor remuneração, respeito das horas de trabalho e dias de folga, como prevê a lei. Muitos trabalhadores acusam a empresa de obrigar os trabalhadores a cumprirem jornadas de até 12 horas, sem folga.

Já os trabalhadores da maior fábrica do Egito mantêm uma forte greve, desafiando as advertências da junta militar de que não tolerará mais protestos. Mais de 15 mil trabalhadores da Companhia Fios e Tecidos do Egito, que emprega 24 mil pessoas na cidade de Al-Mahalla al-Kubra, no delta do Nilo, realizaram um protesto em frente à administração da empresa, segundo o Centro de Sindicatos e Serviços dos Trabalhadores (CSST).

Como em outras greves, uma das principais exigências é a saída do corrupto presidente da empresa, indicado por Mubarak. No entanto, o governo militar já declarou que as greves prejudicam a segurança nacional e não serão toleradas, após duas advertências mais suaves emitidas previamente: “O Conselho Supremo das Forças Armadas não permitirá a continuação de tais atos ilegais que constituem um perigo para a nação e os enfrentará tomando medidas legais para proteger a segurança da nação.”

A greve dos trabalhadores tinha sido suspensa após a renúncia de Mubarak, mas recomeçou no dia 16 de fevereiro, com os trabalhadores reivindicando melhores salários e uma nova administração. Outras categorias também seguem em greve, como professores e carteiros.

Militares reprimem protestos
No último dia 25, soldados egípicios promoveram a mais violenta repressão contra manifestantes antirregime desde a queda de Mubarak. O ataque militar foi dirigido contra milhares de opositores que voltaram a se reunir na Praça Tahrir. Soldados investiram contra ativistas após a meia-noite de anteontem, atirando para o ar e batendo nos que se recusavam a deixar a praça. Apesar da queda do ditador, manifestantes continuaram protestando todas as sextas-feiras na praça símbolo da revolução. O objetivo é manter o governo provisório sob pressão para que atenda as reivindicações da revolução. Além disso, há muita insatisfação com a junta militar, acusada de “trair a revolução” por manter ministros remanescentes de Mubarak. As greves são uma ameaça à política contrarrevolucionária do governo.

A mobilização revolucionária deve avançar para atingir as reivindicações. Esse é o único caminho para destruir completamente o regime e abrir caminho para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, dissolução dos organismos repressivos, eleições livres e fim do pacto com Israel.
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