Greve no serviço público federal continua e enfrenta intransigência do governo

Greve nas universidades federais começou dia 17 de maio

Comando Nacional de Greve dos estudantes realiza dia nacional de luta nesse dia 3 de julhoSe o governo apostou no cansaço para ver o fim da greve no funcionalismo público federal, se deu mal. A greve, iniciada nas universidades federais e expandida para outros setores, segue forte e responde com mobilização à intransigência e falta de negociação por parte do governo.

Os docentes das instituições federais cruzaram os braços no dia 17 de maio e até agora o governo não se dispôs a sentar com os grevistas para negociar. A greve, que já havia começado forte, com 33 instituições paradas, atinge agora 56 das 59 das instituições federais de ensino, sendo uma das maiores greves dos últimos anos. Os docentes reivindicam o cumprimento do acordo firmado com o governo em 2011 e que estabelece o plano de carreira da categoria.

Segundo comunicado divulgado pelo Comando Nacional de Greve dos docentes, “além da expansão precária, da desestruturação da carreira e do congelamento salarial imposto pelo governo Dilma, ao velho estilo dos dois mandatos de FHC e do primeiro mandato de Lula, a retirada de direitos dos servidores públicos com a regulamentação da privatização da previdência (criação do FUNPRESP) a serviço do capital financeiro, e a privatização dos hospitais universitários, materializada na criação da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), agravam o quadro que nos levou a deflagrar a greve” .

Greve se espalha
No dia 11 de junho, os servidores técnicos administrativos das universidades e das escolas federais, básicas e técnicas, bases respectivamente, da Fasubra e Sinasefe, engrossaram o movimento de greve. Também cruzaram os braços os servidores dos ministérios, base da Condsef. Até o final de junho, os servidores dos órgãos federais estavam parados em 19 estados. Levantamento realizado pelo Sintrasef-RJ dava conta que pelo menos 450 mil servidores federais estavam parados em todo o país.

O governo, porém, vem tratando as greves com intransigência e se nega a negociar. No dia 19 de junho, o Ministério da Educação havia agendado uma primeira reunião com os docentes parados, porém, sem maiores explicações, cancelou o encontro a uma semana de sua realização. Apesar de ter se comprometido a remarcar a reunião na semana seguinte, até agora nada foi feito. Tal situação segue nos demais setores.

A mobilização, porém, prossegue. Em plena Rio+20, na capital carioca, os servidores federais em greve realizaram uma grande manifestação durante a marcha da Cúpula dos Povos. No último dia 28 houve uma manifestação envolvendo os docentes e funcionários das universidades em greve, e também os demais setores parados, em frente à sede do Banco Central, em Brasília. Para o próximo dia 18 os servidores preparam uma nova marcha unificada que deve agitar Brasília.

Dia de luta, 3-J
Os estudantes das universidades federais também declararam greve e estão na linha de frente do movimento em defesa da universidade pública. Instituíram um Comando Nacional de Greve pela base a fim de discutir suas próprias pautas com o governo e vem se articulando, à revelia da UNE. O comando exige ser reconhecido pelo governo como legítimo representante dos estudantes em greve.

O comando de greve aprovou uma série de manifestações para esse dia 3 de julho, ou “3-J”. A pauta levantada pelos alunos inclui o rechaço ao Reuni, a exigência dos 10% do PIB para a educação pública já, não ao PNE do governo e por direitos estudantis, como reajuste de bolsa auxílio, restaurante universitário, moradia e creche em todos os campi.

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