Greve dos professores do Pará completa três semanas

Mobilização continua forte, apesar dos ataques do governo Ana JúliaA greve dos profissionais em educação começou no dia 24 de abril e completou três semanas, alcançando um grau de mobilização e radicalização pela base da categoria que há anos não se via. Nem a violência policial que marcou o ato do dia 9 de maio no Palácio dos Despachos não intimidou o movimento que enfrentou a polícia com pedras, paus e barricadas numa das rodovias mais movimentadas de Belém.

A greve já rendeu atos na capital e no interior, passeatas, assembléias reuniões por distritos, mobilizações nos bairros e várias ações de base que sem sombra de dúvida têm dado muita dor de cabeça ao governo de Ana Júlia, do PT. Uma verdadeira rebelião de base marcou a última assembléia, no dia 14, com mais de 1.500 trabalhadores decidindo pela continuidade da greve apesar do governo ter entrado com ação na justiça pedindo a ilegalidade e multando o sindicato com R$ 10 mil por dia e o desconto dos dias parados. È uma clara ação de criminalização dos movimentos sociais e a mesma “justiça” que absolveu o fazendeiro Bida definiu a ilegalidade da greve para acabar com o movimento.

O tiro do governo contra a greve saiu pela culatra e fortaleceu o movimento. No mesmo dia uma passeata saiu pela cidade denunciando a ação da justiça, com muita criatividade e palavras de ordem como “A greve continua, Ana Julia a culpa é tua”. No dia 16, mais uma grande passeata pelo centro de Belém, impôs uma nova negociação levando o governo pela força do movimento a recuar na ação e não descontar os dias parados.

A greve, que já é vitoriosa, desmascarou o governo de Ana Julia e Jader Barbalho. Muitos petistas indignados declaram desfiliação e queimam camisas com as fotos da governadora. A própria bancada do PT está dividida quanto a ação do governo e tenta interceder nas negociações.

Está surgindo uma nova direção
Desde o início a Conlutas vem atuando com muita firmeza na greve se tornando uma referência para centenas de ativistas que não vêem na direção do Sintepp uma política clara de oposição ao governo Ana Julia e Lula. A Alternativa Conlutas na Educação, que congrega militantes da Conlutas e vários ativistas destacados na greve, vem propagandeando o Congresso da Conlutas na base, levando a que vários trabalhadores declararem interesse de participar do congresso em julho.

Os trabalhadores, ao lembrarem do papel do Sintepp nas greves contra o então prefeito Edmilson Rodrigues (antes PT, hoje PSOL), vêem com desconfiança a política da direção do sindicato que naquele momento fizera de tudo para impedir a vitória da greve.

A Conlutas é o novo e vem demonstrando na luta que é possível construir uma nova direção de luta e independente dos governos para o Sintepp. A greve da educação fez nascer a esperança de novos dias para a luta dos trabalhadores, tanto em relação ao governo de frente popular do PT quanto a construção de uma nova direção pra direção do sindicato.

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