Governo Lula pune petroleiros sergipanos e alagoanos!

Petroleiros que participam de assembléias são fotografados e punidosO que há de mais importante para qualquer trabalhador é a garantia da melhoria na qualidade de vida. E isto a categoria petroleira tanto quer que não se sujeita a abrir mão do prosseguimento da campanha salarial, independentemente do processo eleitoral para presidente do país. Apesar da FUP (Federação Única Petroleira), com 11 sindicatos cujas direções são todas governistas, priorizarem a reeleição de Lula, em prejuízo dos interesses dos trabalhadores, uma parcela da categoria petroleira de Sergipe e Alagoas está freqüentando as assembléias e aprovando a continuidade da campanha salarial e mobilizações para preparar fortes paralisações.

Por outro lado, o gerente geral da UN-SEAL parece ter prazer em exercer o poder sobre os trabalhadores. E, para conseguir adeptos e ganhar força na perseguição moral sobre os trabalhadores petroleiros, Eugênio Dezen arruma aliados para cumprir uma missão que jamais se poderia imaginar que pudesse ocorrer num governo dito dos trabalhadores. Por participarem de assembléias nos seus locais de trabalho, trabalhadores estão sendo punidos.

Pior ainda, o gerente geral da UN-SEAL tenta também proibir a realização de assembléias nas áreas da Petrobrás.

O comunicado assinado por um dos aliados do gerente geral, Eugênio Dezen, é a prova cabal da exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras hoje, ainda mais contundente do que antes, existente na Petrobrás.

A aliança que levou Lula ao poder é caracterizada como uma “frente popular anormal” que constitui uma aliança de colaboração de classes para governar em nome dos capitalistas nacionais e internacionais. Por isso, quando Lula foi eleito presidente em 2002, muitos trabalhadores no Brasil acreditaram que o governo Lula viria para representar seus interesses. Porém, suas aspirações foram destruídas. Conseqüentemente, o governo Lula tem usado principalmente sua imensa autoridade sobre o movimento operário para impor à empobrecida população brasileira muitas das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), algo que seus antecessores não conseguiram fazer.

Arapongas na assembléia
O Ato em Carmópolis teve a duração de uma hora, das 7h30 até às 8h30. Nesta quinta, dia 19 de outubro, a partir de 6h30, a direção do Sindipetro de Alagoas e Sergipe passou informes e orientações para os trabalhadores petroleiros terceirizados da Petrobrás. A partir deste momento, um dos vigilantes da Petrobrás começou a tirar as fotos que foram levadas a Eugênio Dezen (gerente geral da Unidade de Negócios de Sergipe e Alagoas – UN-SEAL). Quem aparece nestas fotos é imediatamente punido por insubordinação pelos aliados de Eugênio Dezen. Já foram punidos trabalhadores da Sede (Rua Acre), do terminal de Atalaia e de Carmópolis, até o momento.

Quando os ônibus que transportam os trabalhadores petroleiros efetivos da Petrobrás chegaram, as faixas do sindicato já estavam estendidas na frente do portão principal da entrada do acampamento de Carmópolis. O objetivo era sinalizar para os trabalhadores que a assembléia deveria ser realizada do lado de fora da Petrobrás. Dois dias antes, a base de Carmópolis havia aprovado o prosseguimento da campanha salarial e precisava votar a duração da paralisação para a realização do ato da campanha salarial. A base aprovou a paralisação.

As punições dadas aos trabalhadores por participarem das assembléias da campanha salarial passam a ser também ponto de pauta da proposta do nosso acordo coletivo histórico, defendido pela Frente Nacional dos Petroleiros, constituindo assim 13 pontos essenciais das nossas reivindicações. A repressão tem sido intensificada por Eugênio Dezen, porque a FUP e a Petrobrás decidiram que a prioridade é a reeleição de Lula. Para elas, a campanha salarial dos trabalhadores não tem nenhuma importância, tanto é que está sendo secundarizada. Elas combinaram que a campanha salarial dos petroleiros só pode ser encaminhada após o término do 2º turno. Mas, os trabalhadores não querem que seja assim. Para eles, a campanha salarial deve prosseguir independentemente do desenvolvimento do processo eleitoral que vai definir o próximo presidente de plantão.

No final do ato, os trabalhadores deram as mãos e fizeram uma homenagem póstuma aos trabalhadores petroleiros terceirizados que faleceram nos dois últimos acidentes ocorridos na Petrobrás no Estado de Sergipe.

Ficou definida a manutenção de mobilizações permanentes para reverter as punições, além de encaminhamentos jurídicos que serão discutidos no seminário da Conlutas.