Governo e sindicatos sofrem um duro golpe

Com esse resultado, o governo Lula amargou uma frustração na sua estratégia de derrotar a greve. O governo deu um show de intransigência e repressão, com os interditos proibitórios, a polícia na porta dos bancos, muitas vezes agredindo os bancários, e o desconto dos cinco dias realizado pelo BB. Isso tudo para dar um exemplo às outras categorias que reivindicam aumentos de salário, colaborando assim com a política recessiva do governo. Ao mesmo tempo em que nega reposição aos bancários, o governo aumenta a já escandalosa taxa de juros, engordando ainda mais os lucros dos banqueiros.

Só que esse julgamento, apesar de ter um resultado econômico parcial, deu um golpe duro na estratégia do governo e dos banqueiros, abrindo a possibilidade de – com a continuidade da mobilização – se manter o que já foi negociado este ano.

Depois do julgamento, o BB informava que devolveria o desconto feito nos salários dos seus funcionários.

Terrorismo dos sindicatos governistas foi derrotado

Os sindicatos também saíram derrotados. Primeiro, apostaram no acordo rebaixado com a Fenaban. Depois, se opuseram à apresentação da contra-proposta. Por fim, fizeram terrorismo contra o ajuizamento do dissídio no TST, afirmando que seria o fim do mundo para os bancários e isso significaria o atrelamento do movimento dos bancários ao Estado. Quebraram a cara! O julgamento teve um resultado econômico favorável para os bancários do BB e da CEF e abriu a possibilidade de se manter as demais conquistas deste ano. E a extensão do resultado para os bancos privados. O governo e a direção da CEF e do BB sofreram uma derrota política importante. Na verdade, atrelados ao Estado estão a CNB/CUT e os sindicatos que viraram agentes do governo.

A Oposição Bancária alertava que não se podia confiar na Justiça ou em nenhum outro poder do Estado burguês, mas, sim, na nossa luta.

No entanto, foi correto explorar as contradições entre o TST e o governo, apontando uma saída via ajuizamento do dissídio, diante do quadro de esgotamento da greve.

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