Governistas dividem a FUP para garantir política de Lula

O final de semana dos dias 28, 29 e 30 de julho proporcionou uma lição marcante ao movimento sindical brasileiro. Os governistas da Federação Única dos Petroleiros (Articulação Sindical, CSD e PCdoB), para aplicar a “reforma da Previdência” no setor e atacar violentamente os direitos dos petroleiros aposentados, decidiram dividir a categoria.

Triste destino para uma federação e parte de seus dirigentes, que já foram referência nacional e estiveram à frente de movimentos grevistas que balançaram o país, como as greves de 1983, 1991 e 1995, com grandes mobilizações e ocupações de refinarias.

Vale tudo para defender o governo
A atual direção da FUP é absolutamente governista. Não só pelo fato de que irão votar em Lula – afinal, esta é uma discussão corrente na categoria. O grande problema é fazer de tudo para garantir a política trabalhista do governo, colocando os interesses deste acima dos interesses da categoria.

Atualmente, a política da direção da empresa e do governo é seguir as diretrizes apontadas pelos acionistas internacionais. Por isso, pretendem atacar violentamente os direitos dos aposentados, retirando-os de fato das negociações do acordo coletivo e desvinculando seus reajustes do resto da categoria. Além disso, pretendem acabar com a previdência complementar dos efetivos da Petrobras.
Como a base não aceitava isso, a direção da FUP, hoje praticamente reduzida a um setor do Departamento de Recursos Humanos da Petrobras, decidiu roubar, fraudar e expulsar delegados do congresso e, por fim, dividir o movimento sindical.

Inicialmente, a direção fraudou as delegações do Litoral Paulista, Pará, Alagoas e Sergipe, Amazonas, Maranhão e Amapá. A delegação do Litoral já havia decidido não entrar no congresso e, após as fraudes, retiraram-se com mais duas delegações, acompanhadas de todos os delegados do Base-Conlutas (Bloco Alternativo Sindical de Esquerda).

Os governistas então resolveram aprovar a proposta de Repactuação do Plano Petros BD, um duro golpe contra a categoria. Os delegados do Rio de Janeiro, Caxias e São José dos Campos, acompanhados de delegados de oposições, reivindicaram que não se realizasse esta votação, sob pena de saírem também. Os governistas vacilaram, mas os representantes da direção da Petrobras presentes no congresso, na figura de ex-sindicalistas, exigiram que a votação acontecesse. Com isso, estas delegações também romperam.

Saíram do XII Confup cerca de 40% de seus delegados. Os que romperam representam a maioria da base, pois são a maioria dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se concentra o grande peso da exploração e do refino do petróleo. Significa uma ruptura de peso. Os governistas, porém, preferiram dividir a recuar.
O congresso continuou, mas com cara de enterro. Votaram uma política e uma direção governista, sem a festa pró-candidatura Lula.

Forma-se o Comando Nacional dos Petroleiros
Longe de estarem desanimadas, as delegações que se retiraram do congresso puxaram palavras de ordem, com muita determinação e sabendo que já estão fazendo história.

Já no dia 28, dezenas de delegados realizaram uma reunião para discutir o que fazer e publicaram um manifesto para o XII Confup que afirma: “Por estas razões e para discutir esse quadro criado pela degeneração da FUP e da CUT, os sindicatos dos Petroleiros do Litoral Paulista, Alagoas/Sergipe, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão, juntamente com as Oposições Sindicais do Norte Fluminense, Unificado de São Paulo, Minas Gerais, Caxias e Rio de Janeiro, realizaram a partir de um amplo debate na categoria uma reunião nacional do Bloco de Oposição”.

Uma nova reunião foi realizada no dia 29 com os primeiros delegados que se retiraram do Confup, e outra reunião foi realizada no dia seguinte com os delegados que saíram posteriormente. Todos concordaram em realizar a primeira reunião de um Comando Nacional dos Petroleiros para discutir a criação de uma frente nacional no dia 3 de agosto, no Rio de Janeiro, seguido de um ato no Edise contra a repactuação.

Esta frente, além de um comando, deve ter um programa mínimo e um plano de ação. Já nas próximas semanas será lançado um manifesto/jornal para toda categoria.

O programa mínimo deverá partir da: luta contra a repactuação; PLR máxima e linear; campanha pela isonomia; defesa da pauta histórica (realizar campanha salarial em 2006); defesa da democracia de base, a base é quem decide; pela independência e autonomia em relação aos patrões e ao governo; contra a reforma sindical e trabalhista do governo; contra a reforma da Previdência do governo; pela nacionalização do petróleo e do gás e contra os leilões. Mobilização contra o leilão de novembro; solidariedade com as chapas da oposição nas eleições sindicais; construir a unidade do bloco das oposições nas eleições sindicais e nas eleições da Petros; luta pela inclusão da Transpetro e seus funcionários no sistema Petrobras.
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