Governador da Paraíba não negocia


As Universidades Estaduais da Paraíba estão em greve há 121 dias. A adesão é de quase 100% e abarca quatro cidades. Os trabalhadores não recebem reajuste de salário há mais de sete anos e a situação das universidades é caótica, pois não há investimentos. O movimento conquistou o apoio da população. O governo do Estado não negocia e ignora a crise na Educação.

A greve das universidades estaduais da Paraíba começou dia 11 de outubro. Os trabalhadores reivindicam reposição salarial de 75,84%, fruto das perdas sofridas com o Plano Real, e incorporação da GDAE. Foram feitas duas reuniões com o governo, mas não houve acordo. O governador, José Maranhão (PMDB), pediu para o comando de greve voltar quando a receita do Estado melhorar. Enquanto isso, a greve que se dane e os trabalhadores que se virem.

De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UEPB, José Sérgio da Cunha, “no início da greve, as chefias e as reitorias tentaram coibir a luta com a ameaça do corte de ponto. Nos reunimos com eles e essa fase já passou. Quanto ao governo, em nenhum momento tentou nos reprimir ou intimidar. Mas não negocia”.

Uma comissão de deputados estaduais divulgou, na semana passada, que os índices de inflação do Estado, nos últimos três meses, é de quase 200%. Assim como no Paraná, o movimento de greve já tomou sua decisão: a greve só acaba quando todas as reivindicações forem atendidas.


A greve é de todos

Para a presidente da Associação dos Docentes da UERJ, Cleier Marconsin, “a greve das universidades da Paraíba, assim como a do Paraná, é de todos os trabalhadores que lutam, dia-a-dia, contra os ataques do governo à Educação. Mais que isso, de todos que lutam contra a receita do FMI e do Banco Mundial, que nos impõe miséria e desemprego”.

Cleier lembrou que, no ano de 2001, professores e técnicos-administrativos da UERJ fizeram greve de quase um mês. A greve denunciava os abusivos cortes de verbas promovidos na Universidade pelo governador Anthony Garotinho. Reivindicava melhores condições de trabalho e autonomia com democracia. E exigia o aumento de 28%. A greve enfrentou muita repressão política e policial, mas foi vitoriosa.