GM reabre fábrica, mas a ameaça de demissões em massa continua

Assembleia de metalúrgicos em São José dos Campos (SP)

Após locaute, multinacional reabre fábrica em São José dos Campos (SP), mas continua ameaçando demitir 1500 operáriosApós ter fechado a fábrica de São José dos Campos (SP) nesse dia 24 de julho, a General Motors retomou a produção nesse dia 25. A ameaça de demissão dos 1500 trabalhadores do setor do MVA (Montagem de Veículos Automotores), porém, continua.

Havia dúvidas se a montadora utilizaria o locaute (paralisação patronal) para já encerrar as atividades e demitir os operários ou se era apenas uma manobra para dificultar a mobilização dos trabalhadores, já que um ato contra as demissões estava programado para o dia. A ampla e negativa repercussão do fechamento da unidade pela própria empresa, porém, pode ter pesado na decisão pela reabertura. O locaute é proibido por lei no Brasil.

Mobilização
Nos dias anteriores ao locaute, corria a informação no interior da fábrica de que a multinacional norte-americana realizaria as demissões em massa por telegrama até o próximo final de semana, aumentando ainda mais o clima de apreensão dos funcionários. Na madrugada do dia 24, a empresa dispensou os funcionários antes mesmo do final do turno. Após a saída dos empregados, trancou os portões e reforçou a segurança, que contou com viaturas da Polícia Militar.

O ato que ocorreria na porta da fábrica nesse dia 24, porém, foi transformado em uma assembleia que reuniu cerca de 100 trabalhadores, além de representantes de metalúrgicos de São Caetano, Campinas, Botucatu, Limeira e Santos, e petroleiros de São José dos Campos, trabalhadores da USP e Químicos de São José dos Campos, que se solidarizam com os operários da GM.

Nesse dia 25, o sindicato dos metalúrgicos participa de uma reunião com representantes do Governo Federal, da prefeitura e da montadora a fim de discutir a situação na planta. O sindicato exige que o governo intervenha não permitindo as demissões, já que a montadora vem se beneficiando com a política de isenções do governo. Estima-se que, desde o início da crise, as montadoras no Brasil tenham deixado de pagar R$ 26 bilhões em impostos.

Para a empresa, o sindicato propõe a concentração da produção do modelo Classic, hoje produzido em outros países, a fim de manter o ritmo de produção na planta e os empregos. “Nesta reunião vamos exigir que a GM aborte qualquer plano de demissão em massa e que o Governo Federal intervenha imediatamente para garantir a manutenção dos postos de trabalho” , afirmou Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, presidente do sindicato.

O sindicato vem empreendendo diversas ações em defesa dos empregos. Além de veiculações em rádios e TV’s, aposta na ação direta contra mais esse ataque. No dia 5 de julho, os metalúrgicos realizaram uma passeata que reuniu 5 mil na cidade. No último dia 16, os operários pararam por 24 horas e, no dia 18, uma representação da categoria marcou presença na manifestação dos servidores em greve em Brasília.

Os metalúrgicos preparam ainda uma manifestação em defesa dos empregos no próximo dia 27, no aniversário de São José dos Campos.

*Com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC

Atualização às 16h40 de 25/07: Durante reunião entre GM, prefeitura e sindicato, a empresa não aceitou a proposta dos trabalhadores e a ameaça de demissões permanece. Nova reunião deve ocorrer no dia 4 de agosto, às 9h. Até lá, a GM se comprometeu a não demitir.

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