FUP e Petrobras voltam a atacar os direitos dos trabalhadores

Não contentes com a derrota que sofreram em 2006, quando a maioria dos funcionários da Petrobras disse não à repactuação (proposta de mudança na previdência que atacava os direitos dos petroleiros), a direção da Federação única dos Petroleiros (FUP) e a empresa fazem agora uma nova investida.

A dupla resolveu novamente pressionar os trabalhadores a aderir à proposta e adiou o prazo da decisão até 28 de fevereiro de 2007. Como perceberam que a tal “repactuação massiva” não sai de maneira nenhuma, a FUP e a empresa rebaixaram o objetivo de adesão para 66% da categoria (originalmente era 95%). Se perderem de novo, devem rebaixar para 48%, índice que realmente conseguiram depois de muita pressão, assédio moral, fraudes e mentiras.

Como são os “donos da bola”, mudaram as regras e o tempo do jogo e acham que vão ganhar de qualquer maneira. Os petroleiros do Base Conlutas (Bloco Alternativo Sindical de Esquerda) chamam os trabalhadores a novamente dizer não à repactuação.

Contra o leilão e a enrolação!
Durante nove dias, 13 sindicalistas da Frente Nacional dos Petroleiros (FNP – de oposição à FUP), sendo quatro mulheres, ocuparam a sede da Petrobras no Rio. Esta ação obteve importantes vitórias. Para a categoria, ficou evidente a paralisia da FUP que, apesar de ter recebido a proposta de acordo coletivo da empresa há mais de 15 dias, não realizou nenhuma assembléia. Os protestos vieram das bases da FUP, no Norte Fluminense, em Campinas, Barueri e Salvador.

No norte do Estado do Rio, os trabalhadores da plataforma P-37, indignados com o terrorismo da FUP em sua tentativa de impor a repactuação, resolveram se rebelar contra a FUP e o Sindipetro Norte Fluminense. Em Campinas, os trabalhadores da Replan realizaram diversas assembléias repudiando a paralisia da federação na campanha reivindicatória. Já em Barueri, cujo sindicato local também é dirigido pela FUP, os petroleiros elegeram uma comissão de base. Foi aprovada uma carta que afirma: “É  inadmissível que a FUP, com o apoio do nosso sindicato, venha misturar a campanha salarial com a repactuação do plano Petros(…) O que não nos parece normal é a direção sindical e a FUP atuarem junto com a direção da empresa, conspirando para nos derrotar e nos retirar direitos históricos, conquistados à custa de muita luta.(…)”.

Além de provocar a rebelião da base contra a FUP, a mobilização da FNP foi fundamental para a suspensão definitiva da oitava rodada de leilões das áreas petrolíferas. Não fosse a mobilização da categoria petroleira em todo o país, impulsionadas pela frente de oposição, certamente os leilões teriam ocorrido.

Intensificar a campanha salarial
Depois que a Petrobras apresentou a “repactuação II”, a direção da Federação Única dos Petroleiros resolveu aprovar o acordo coletivo.

O Base Conlutas tem convocado os companheiros a votar contra a aprovação do acordo, pois ele não prevê aumento real (quando a empresa lucrou nos últimos nove meses R$ 23,7 bilhões) e é discriminatório com os aposentados.

Os lucros são principalmente oriundos da Bacia de Campos, descoberta e desenvolvida na década de 80, e os trabalhadores que proporcionaram essa riqueza ao país, em sua maioria, hoje estão aposentados.
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