Frota: “O atentado foi um crime político e eleitoral”

Frota fala na reunião nacional da Conlutas, no Rio
Diego Cruz

No dia 23 de agosto, o presidente licenciado do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Macapá (AP) e candidato a prefeito pelo PSTU, Joinville Frota, foi vítima de um atentado. Para quem conhece a história de Frota e seu papel na cidade, não fica difícil entender o ódio contra o dirigente.

Trabalhador rodoviário em Macapá desde 1993, Frota foi cobrador de ônibus e desde 1999 é motorista. Foi cipeiro em 2001, mesmo ano em que foi demitido por denunciar a empresa em que atuava. Mesmo ano também em que entrou para o PSTU. Após uma forte mobilização, foi readmitido em 2002, quando também conseguiu ganhar o sindicato das mãos da CGT. Figura destacada no estado, foi o quarto candidato a deputado estadual mais votado em 2006.

Como líder sindical e agora candidato à prefeitura da capital do Amapá, Frota luta contra os interesses dos poderosos no estado, o que coloca sua própria vida em risco. O Opinião Socialista conversou com Frota, que falou sobre o atentado e a campanha eleitoral na cidade.

Opinião Socialista – Como foi o atentado?
Joinville Frota
– Na madrugada do dia 23, bandidos subiram o muro da minha casa, jogaram uma garrafa de gasolina e lascaram fogo. Foi por volta das 2h45. Ainda bem que eu estava acordado no momento. A primeira a ser atingida seria a minha filha. Escutei a explosão e, quando olhei, vi aquele clarão. Levantei e vi o fogo na parede. Quando saí vi a garrafa de gasolina. Meus familiares levantaram. Minhas filhas, meus vizinhos, todos, traumatizados, conseguimos apagar o fogo. Esse atentado se dá pela luta que o sindicato desenvolve no estado. O setor dos transportes é o mais reacionário do país. Um setor que, por causa de um centavo, mata. E, no último período, temos imposto várias derrotas à patronal.

Esse atentado vem no marco de uma série de outros.
Frota
– Exatamente, desde 2003 sofremos atentados. Este já é o quarto. No primeiro, invadiram a sede do sindicato e quebraram tudo. No segundo, em 2004, empunharam uma arma para a minha companheira. O terceiro foi este ano, quando tocaram fogo no sindicato. O quarto foi agora na minha casa. Isso do ponto de vista sindical. Quando vemos sob o ponto de vista político, isso se amplia. Não mexemos mais só com o setor de transporte, mas com toda a burguesia do estado. Por isso, foi um crime político e eleitoral, embora as autoridades do estado não queiram reconhecer isso.

Como está a campanha contra o atentado e a criminalização em Macapá?
Frota
– O PSTU está sendo fundamental na campanha contra a criminalização que estamos fazendo, prestando apoio moral, financeiro, político. Pressionamos a OAB, que se comprometeu a mandar ofício cobrando providências das autoridades. Dois juízes do TRE foram em casa e chamaram a polícia técnica para realizar perícia. Divulgamos o crime à imprensa, que foi noticiado pelos principais jornais do estado. A campanha segue forte. Estamos exigindo investigação às autoridades, proteção policial e pedimos a solidariedade de todas as entidades e movimentos dos trabalhadores contra esse ataque.

Além de dirigente sindical, você também é candidato à Prefeitura de Macapá. Como está o quadro eleitoral na cidade?
Frota
– Macapá tem sete candidatos à prefeitura. Dois que estão eleitoralmente polarizados, uma falsa polarização entre PSB e PDT, ambos da base governista. Existe uma grande receptividade à nossa candidatura na base, nas feiras, nos bairros. Nossa candidatura se identifica para as massas como a candidatura das lutas. Agora vai ter o debate na TV e fomos excluídos. A base de rodoviários, da Conlutas, a população mais explorada começa a questionar: ‘por que não chamaram o PSTU? É o único que faz diferença, que fala a verdade’. Isso reflete nossa campanha, que é a única que apresenta uma alternativa de luta para os trabalhadores, que denuncia a inflação, o preço dos alimentos e propõe uma saída da classe trabalhadora para esses problemas.

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