França responde à revolta com deportações e toque de recolher

Medidas fazem parte do estado de emergência decretado diante dos crescentes incêndios a carros e prédiosNesta quarta, dia 9 de novembro, o ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, o mesmo que chamou os jovens da periferia de ‘escória´, anunciou que pediu a expulsão de 120 estrangeiros presos nos últimos dias. A deportação faz parte do recrudescimento de repressão do governo francês para tentar conter a rebelião da juventude imigrante. Ao mesmo tempo, o governo de Jacques Chirac adiou a implantação de um programa social para os subúrbios, anunciado com pompas após o início do que vem sendo chamado de ‘Intifada francesa´.

`BonecoSegundo o ministro, nem os imigrantes que se encontram em situação legal ficarão livres da deportação. Tudo isso faz parte do estado de emergência que foi decretado pelo governo, que, entre outras medidas, permitiu a instalação do toque de recolher em diversas regiões. Cerca de 38 subúrbios e cidades, incluindo Paris, estão sob toque de recolher e vigilância policial rígida. A polícia chegou a prender por 24 horas uma mãe e um filho, segundo o ministro, “para que ela pudesse refletir melhor sobre suas responsabilidades maternas”.

A revolta
A onda de revoltas iniciada em 27 de outubro teve início após a morte de dois jovens franceses descendentes de imigrantes africanos, que estavam fugindo da polícia, que os havia parado para exigir documentos de identificação. A batida policial, muito conhecida pelos jovens negros e pobres das periferias brasileiras, é usada constantemente para intimidar a juventude imigrante. No dia 8, o Canal Plus levou ao ar cenas onde um jovem imigrante falava de ‘liberdade, igualdade e fraternidade´ para os policiais que o haviam parado. O jovem perguntou aos policiais: “vocês acham que as coisas vão se acalmar, tratando a gente mal assim?” O policial respondeu “Estou me lixando que a situação se acalme ou não. Quanto mais a merda cresce, mais contente ficamos”. A cena foi ao ar em todo o país.

O incêndio de carros e prédios públicos se tornou uma ação de protesto generalizada por toda a França. Desde que tiveram início as ações, cerca de seis mil carros já foram destruídos. Tratada pelo governo francês e pela maioria da imprensa mundial como “vandalismo” promovido por gangues de “delinqüentes”, a rebelião, contudo, é de total responsabilidade do atual e dos sucessivos governos franceses.

A resposta violenta dada pelo Estado francês aos jovens que se insurgiram apenas demonstra mais uma vez o tratamento que é dado aos imigrantes no país, que apenas são considerados como mão-de-obra barata. A única coisa que o governo lhes oferece é a repressão policial e a expulsão do país, quando a solução dos problemas seria oferecer condições dignas de integração dos estrangeiros e perspectivas a toda uma juventude confinada nos guetos. Esses trabalhadores imigrantes, assim como toda a classe trabalhadora francesa, devem exigir do Estado condições dignas de saúde, educação, emprego e direitos para os imigrantes, assim como a derrubada do governo de Chirac e Sarcozy.

A revolta já se espalhou para outros países e ameaça o imperialismo europeu. Na Alemanha, 14 carros foram incendiados na noite passada e 7 foram queimados na periferia da Bélgica, onde apenas um em cada cinco jovens consegue trabalho.