Experiências de outros países confirmam os danos da reforma da Previdência

O exemplo chileno é tido como um modelo para a reforma previdenciária, mas só trouxe prejuízos aos trabalhadoresChile: 26 anos depois
O grande modelo de sistema previdenciário apresentado pelos neoliberais é o chileno, que se tornou um “exemplo” para outros países da América Latina. Em 1981, sob a ditadura de Pinochet, o Chile realizou a privatização da Previdência, mudando seu sistema público (financiado pelo método da repartição) para um sistema compulsório de capitalização, gerenciado por administradores de fundos de pensão privados.

Depois de 26 anos, é possível ver claramente os trágicos efeitos da privatização: prejuízo aos trabalhadores mais pobres, enquanto os fundos privados faturaram milhões. Atualmente menos de 50% da força de trabalho chilena não possui a cobertura das administradoras de fundo de pensão devido às altas taxas. O gerenciamento dos fundos pelas administradoras garante a elas lucros bastante elevados.

No Chile, cada trabalhador contribui mensalmente com 10% do seu salário, com o objetivo de receber cerca de 70% do seu último salário ao se aposentar – aos 65 os homens, e aos 60 as mulheres.

Seus benefícios vão para alguma administradora que, por sua vez, investe nos mercados financeiros, ou seja, os que contribuem para os fundos privados ficam à mercê das incertezas do cassino das bolsas.

Entretanto, mais de 50% dos afiliados do sistema – todos os trabalhadores se inscrevem, mesmo que não contribuam – não conseguem alcançar o mínimo necessário para garantir a aposentadoria.

Para aqueles que não alcançaram o mínimo, o Estado banca uma aposentadoria menor. Neste caso, o contribuinte pode ter uma perda de até 57% no valor de sua aposentadoria em relação ao que receberia se estivesse no sistema público. Quer dizer, o sistema atual concede benefícios inferiores em relação ao anterior.

Atualmente há um forte questionamento do modelo neoliberal previdenciário chileno. Entidades como a Central Unitaria de Trabajadores (CUT), Confederación de Estudiantes Universitarios de Chile (CONFECH), Fundación para la Superación de la Pobreza, entre outras entidades, estão realizando uma campanha pelo retorno ao sistema de previdência solidária.

O caso da Argentina
Na Argentina, durante os anos 1990, toda a Previdência pública foi privatizada. O sistema de aposentadoria dos servidores e demais trabalhadores foi transferido para fundos de pensão, cuja garantia era os títulos da dívida pública. Entretanto, após a negociação da dívida pública do país pelo governo Kirchner, em 2005, o valor dos títulos ficou reduzido a apenas 25% de seu valor. Ou seja, o patrimônio dos trabalhadores caiu 75%.
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