Estudantes da Unicamp mostram o caminho

Entre os dias 27 e 30 de março, a reitoria da Unicamp teve suas atividades paralisadas por conta de uma poderosa ocupação, O movimento que tinha como reivindicações a melhoria da moradia estudantil, a democratização do Conselho Universitário e exigia dos dirigentes da instituição um posicionamento público a respeito dos decretos do governador José Serra (PSDB).

Desde o início do ano passado, os estudantes residentes da moradia da Unicamp estão se organizando para barrar as autoritárias medidas da professora Kátia Stankato, então responsável pela assistência estudantil. Tais medidas envolviam desde a má administração das poucas verbas, até critérios racistas para concessão de vagas e alocação dos estudantes na moradia.

O ponto culminante para a indignação dos estudantes foi a possibilidade de desmoronamento de um dos blocos da moradia, o que comprometeria a vida dos moradores do local.

A mobilização ganhou ainda mais força porque se unificou com a luta pela democratização dos conselhos superiores da universidade. Desde 2004 as eleições dos representantes estudantis são “supervisionadas” pela reitoria, numa tentativa de acabar com qualquer independência do movimento frente às oficialidades.

A conjuntura estadual também foi favorável para fazer explodir uma das maiores manifestações dos estudantes da Unicamp nos últimos anos. No dia 1º de janeiro, José Serra decretou medidas que atacama autonomia universitária e retem o repasse de verbas para as universidades estaduais paulistas.

A comunidade universitária da Unicamp respondeu à altura e passou à ofensiva realizando uma ocupação com cerca de 500 estudantes.

A reitoria se mostrou inicialmente intransigente e não quis negociar nenhum ponto da pauta. Além disso, a comissão de negociação dos estudantes recebeu um pedido de reintegração de posse e o prédio da reitoria foi cercado pela polícia.
No entanto, a ocupação foi crescendo e ganhando simpatia de amplos setores dos estudantes, professores e funcionários.

A vitória do movimento foi retumbante. No dia 30 de março, os pró-reitores chamaram uma reunião de negociação, onde foram obrigados a aceitar as reivindicações. Além das reformas na moradia estudantil e da assistência aos estudantes desalojados, a reitoria afastou a professora Kátia Stankato, garantiu a retomada da discussão acerca da representação discente nos conselhos superiores. Também se comprometeu em não perseguir as lideranças da ocupação.

Retomar a mobilização
Apesar da grande vitória, os estudantes não vão dar nenhuma trégua a Lula, Serra e à reitoria da Unicamp. No dia 17 de abril eles retomarão a luta contra os ataques à educação e contra a reforma universitária. Nessa data o funcionalismo público federal também vai parar em repúdio ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à reforma da Previdência (ver página 12). Em São Paulo, o “Fórum das Seis”, que congrega as três associações docentes e os três sindicatos da USP, Unesp e Unicamp irá promover uma manifestação para lançar sua campanha salarial e denunciar os decretos de Serra.

Post author Camila Lisboa, de Campinas (SP)
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