Espanha: greve geral reúne 10 milhões

A jornada de greve geral de 29 de setembro na Espanha paralisou o país.
A adesão ao movimento foi altíssima, superior a 70% (10 milhões de trabalhadores), principalmente no setor industrial. As principais fábricas de automóveis – Renault, Citroën, Nissan, Ford, Peugeot, GM, Seat, Volkswagen, Mercedes e Iveco-Pegaso – não funcionaram, e quase 100% da indústria catalã parou.

Além disso, houve manifestações gigantescas em Madri (cerca de 100 mil pessoas), Barcelona e Valência. Em alguns locais, entre os quais a capital espanhola, a polícia atacou os grevistas.

CSP-Conlutas presente
O dirigente licenciado da CSP-Conlutas Dirceu Travesso, que foi candidato ao Senado pelo PSTU em São Paulo, e Sebastião Carlos, o Cacau, da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, acompanharam de perto as mobilizações na Espanha. Enquanto Travesso passou o dia em Madri, Cacau esteve em Barcelona.

“A paralisação é grande e forte nas fábricas metalúrgicas, particularmente nas montadoras e nos cordões industriais, além de setores de limpeza pública. Aqui em Madri só o metrô funciona normalmente, mas quem utiliza os trens da região leva cerca de 50 minutos esperando nas estações. Os motoristas de ônibus também paralisaram”, afirmou Travesso ao site da CSP-Conlutas.

Já Cacau explicou que a greve teve forte adesão em Barcelona, paralisando setores industriais inteiros, além dos transportes. O dirigente acompanhou um piquete na TMB (Transportes Metropolitanos de Barcelona), onde pôde constatar o desgaste das centrais sindicais tradicionais. “O ódio à UGT e às Comisiones Obreras [centrais sindicais que apoiaram o governo nos últimos anos] é algo incrível. Essas centrais foram ao piquete para controlar a saída do efetivo mínimo e eram vaiadas pelos demais setores, que faziam piadas num megafone”, comentou.

Cacau disse ainda que os representantes das centrais, mesmo sendo majoritários no movimento sindical no Estado Espanhol, nada faziam.

Quem paga a conta?
Seguindo o rumo catastrófico da economia capitalista da União Europeia, a Espanha agoniza. Para manter o lucro dos capitalistas em meio à crise, o governo Zapatero, do PSOE, quer impor um feroz golpe à classe trabalhadora através de uma reforma
da previdência que pretende ampliar para 67 anos a idade mínima para a aposentadoria.

Além disso, o governo aprovou uma reforma trabalhista que permite ao empresário demitir um trabalhador pagando apenas 20 dias do ano (40% desse valor é financiado pelo próprio Estado). Essa medida facilita as demissões e vai ampliar o exército de desempregados, que já soma 4,6 milhões de trabalhadores.

Por uma greve europeia contra os planos
É possível organizar uma forte greve geral, e a classe trabalhadora do Estado Espanhol demonstrou isso, apesar das vacilações e dos adiamentos das principais centrais sindicais, CC.OO (Comisiones Obreras) e UGT, que sempre apoiaram Zapatero. A pressão da base foi tão forte, enraivecida com a reforma da previdência do governo, que as duas centrais foram obrigadas a convocar a greve geral.

Como era previsível, a burocracia sindical já ensaia um recuo, indicando negociações com o governo, sem apresentar nenhuma proposta de continuidade da luta, deixando claro que quer manter Zapatero no poder. “Esta greve não foi convocada para derrubar o governo, mas para que ele retifique e olhe à sua esquerda”, disse Ignacio Fernández Toxo, secretário-geral da CC.OO.

O dia 29 de setembro não foi apenas marcado pela greve na Espanha. A data coincidiu com protestos em Atenas e outras cidades europeias. Cinquenta sindicatos, representando trinta países, juntaram-se em Bruxelas num protesto contra as medidas dos governos europeus organizado pela Confederação Europeia de Sindicatos (CES). Houve também grandes mobilizações em outros países como Portugal, Itália, França, Lituânia, Chipre, Sérvia, Polônia, Finlândia e Irlanda.

Depois de muitos anos, os trabalhadores europeus estiveram unidos para lutar. Tal iniciativa deve ser o início de uma ação comum rumo a uma jornada europeia de lutas. Os planos de austeridade – a política comum da burguesia europeia para destruir os direitos dos trabalhadores – só podem ser combatidos com eficácia se os trabalhadores continuarem unidos e adotarem formas de lutas ainda mais fortes.
Organizar uma greve geral europeia contra os planos de austeridade é o desafio que os trabalhadores europeus têm pela frente. Só assim, com um plano de lutas e radical, os trabalhadores poderão impedir a burguesia e fazer com que os capitalistas paguem por sua crise.

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